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Eficiência

Healthtech convence as pessoas a praticarem exercícios através da gamificação

A RadarFit, startup criada só por mulheres, conseguiu dar às pessoas o que elas sentem falta para seguir no rumo de uma vida saudável: recompensa imediata

POR Raphael Coraccini | 22/01/2020 10h00 Healthtech convence as pessoas a praticarem exercícios através da gamificação Foto (Shutterstock)

As sócias Jade Utsch e Jennifer De Faria eram amigas desde a época de escola e as duas conheceram a Tatiany Ribeiro durante um processo de aceleração de startups. O trio então se uniu com o objetivo de criar uma solução que pudesse melhorar a qualidade de vida das pessoas de maneira divertida e eficiente. A criação que surgiu daí foi a healthtech RadarFit.

As empreendedoras apostaram em um aplicativo de acompanhamento e estímulo a exercícios depois de investigarem o que separava as pessoas de uma vida ativa. Elas descobriram que, além do tempo curto, falta de disciplina e motivação são os principais inimigos de uma vida com exercícios.

“Descobrimos que a causa raiz é a falta de recompensa imediata porque não ganhamos o corpo que a gente quer no tempo que achamos ideal. Isso desencadeia falta de disciplina. A gente soluciona isso”

Jade Utsch, co-fundadora da RadarFit

exercícios Foto Jonathan Borba (Pexels)

Recompensa imediata

Jade, Jennifer e Tatiany resolveram então apostar em na gamificação que fizesse o papel de recompensar imediatamente as pessoas. A acumulação de moedas virtuais rende prêmios que podem chegar a R$ 200, mas também prêmios rotineiros de menor valor, como ingressos ao cinema.

Para chegar na pontuação necessária, os usuários do aplicativo devem cumprir uma média de 14 a 20 missões por dia, envolvendo alimentação, exercícios físicos e até exercícios mentais. “Tem desafios de exercício que os usuários conseguem fazer sem equipamento, dentro de cinco minutos, ou mesmo tomar um copo de água”, explica Jade. A plataforma usa inteligência artificial para identificar as fotos que os usuários mandam ao realizarem as tarefas e poder contabilizar os pontos.

Planos empresariais

A ascensão da RadarFit no último ano aconteceu principalmente por conta da adesão de grandes empresas, que fecham um plano empresarial do aplicativo para seus colaboradores no formato white label. Cerca de 30 mil usuários já aderiram ao aplicativo da RadarFit, que quer crescer agora pulverizando os serviços entre empresas de médio e pequeno porte e também para planos individuais.

O número de clientes conquistado pela startup chamou a atenção de investidores, como a aceleradora Farm, além de um grupo de investidores-anjo ainda não revelado. Mas antes de chegarem à primeira rodada de investimento, as empresárias passaram por alguns constrangimentos.

exercícios Foto Tatiany Ribeiro, Jennifer De Faria e Jade Utsch (embaixo, da esquerda para direita) (divulgação/Radar Fit)

Dificuldades iniciais

Jade conta que investidores chegavam a perguntar às empreendedoras se havia sócio homem. Ela afirma ainda que, outras startups do mesmo mercado e da mesma maturidade tinham mais facilidade ao longo de todo o processo apenas pelo fato de serem lideradas por homens.

“A parte ruim de empreender, sendo mulher, é a falta e credibilidade. Clientes, parceiros e investidores não confiavam em mulheres na liderança. É muito difícil achar investidores que confiem em uma mulher na área de inovação”

Jade Utsch, co-fundadora da RadarFit

Por outro lado, os que ficaram ao lado do trio viram exatamente no fato de elas serem mulheres um diferencial. “Os nossos investidores viram que, em um mercado tão competitivo e com uma trajetória tão bruta para empreendimento, nós conseguimos prosperar sendo mulheres, o que é ainda mais difícil”, conta Jade.


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