Especial bancos digitais: pagamento instantâneo e os novos players no mercado - WHOW
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Especial bancos digitais: pagamento instantâneo e os novos players no mercado

A guerra das maquininhas não terá fim até que os meios de pagamento migrem para dentro do celular. Para tanto, regulação é desafio maior que tecnologia

POR Raphael Coraccini | 11/12/2019 18h50 Especial bancos digitais: pagamento instantâneo e os novos players no mercado

Uma pesquisa realizada em parceria entre Febraban e Deloitte apontou que, em 2018, além do mobile banking, o único canal que registrou aumento no número de operações foi o de PDVs (Pontos de venda) do comércio. As maquininhas estão sendo usadas ainda mais pelos consumidores brasileiros, reduzindo as transações com dinheiro em espécie. A guerra das maquininhas é a batalha mais intensa travada hoje entre empresas tradicionais e novas. Nesta sexta parte da série especial sobre bancos digitais de Whow!, você verá a tendência dos pagamentos instantâneos e novos setores que estão de olho neste mercado.

Outro estudo, desta vez da Accenture, constatou que a receita global de pagamentos crescerá a uma taxa anual de 5,5% nos próximos anos, saltando de US$ 1,5 trilhão em 2019 para mais de US$ 2 trilhões até 2025. Todos os atores deste ecossistemas vão querer abocanhar uma parte dessa receita adicional de US$ 500 bilhões.

Pagamento e remessas: 24,4%

Empréstimo: 17,8%

Gestão financeira empresarial: 15,5%

Gestão financeira pessoal: 7,7%

Financiamento coletivo: 7,6%

Financeiras: 6,1%

Outros segmentos: 20,9%

fonte: IDB/Finnovista, FinTech Latin America 2018, Growth and Consolidation

Joana Henklein, diretora-executiva de Serviços Financeiros da Accenture para América Latina, aponta que para abocanhar uma parte dessa receita adicional, o setor bancário tradicional vai ter que atuar em um aspecto que as fintechs já têm como diferencial, a personalização em escala. Ou seja, oferecer serviços personalizados para um ampla base de clientes.

pagamentos Foto (Shutterstock)

Ela avalia que o pagamento via celular, ainda pouco desenvolvido no País, está às vésperas de se popularizar e dará cabo, enfim, à guerra das maquininhas.

“A indústria de pagamentos se tornará cada vez mais instantânea, gratuita e invisível (IGI). Isso trará conveniência para o consumidor final e para os comerciantes”

Joana Henklein, diretora-executiva de Serviços Financeiros da Accenture para América Latina, ao Whow!

QR Code

Já segundo João Vitor Menin, CEO do Banco Inter, a principal barreira para a migração dos pagamentos das maquininhas para os smartphones, via tecnologia QR Code, por exemplo, é a ausência do open banking. “Hoje, o nosso QR Code paga conta do Banco Inter apenas para outra conta do banco, quando poderia perfeitamente pagar de Inter para Bradesco e vice-versa. Com isso, você exponencializa o alcance do QR Code”, avalia ao Whow!.

O executivo explica que o QR Code nada mais é que a emulação de uma TED tradicional, mas que para fazer essa TED, que hoje é limitada ao horário comercial, os bancos precisam “preparar a cozinha”, ou seja, adaptar seus processos e tecnologias para fazer um pagamento por QR Code como faz em uma maquininha, a qualquer hora do dia e da noite e também aos fins de semana e feriados.

“Quando começar a rodar, isso vai acabar com as maquininhas, que são caras. Além disso, você possibilita que muitas pessoas saiam do dinheiro em espécie, é um ganho absurdo. O pagamento instantâneo é muito importante. E vai decolar!”

João Vitor Menin, CEO do Banco Inter

Ganho dos grandes bancos

Para Menin, mesmo que os bancos tradicionais percam com o fim das maquininhas, elas vão poder ganhar com a tecnologia de pagamento instantâneo e sem o ônus do hardware, que é do consumidor.

Além disso, ele avalia como um problema para os grandes bancos a dependência que o brasileiro ainda têm do dinheiro vivo. “O dinheiro em espécie é péssimo para os grandes bancos. Olha o custo das agências, do carro-forte, do guarda armado, os bancos grandes querem é tirar o dinheiro em espécie, você não tira o dinheiro em espécie se não tiver o pagamento instantâneo”, garante o executivo.

pagamentos Foto (Shutterstock)

Regulação

A regulação sobre os novos meios de pagamento é o debate central hoje no sistema bancário, segundo Menin.“O Banco Central vai fazer todo esse back bone do pagamento ao controlar todas as transferências. Com isso, você abre para todas essas empresas independentes que prestariam serviços de pagamento instantâneo”, diz Menin.

Para o executivo, o desafio do Bacen será resolver a questão de concentração das TEDs em um único lugar, já que, hoje, parte delas roda via Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) e outra parte pelo próprio Banco Central.

“Tem essa bola quadrada para arredondar, mas acho que os pagamentos instantâneos são um caminho sem volta. A gente não pode pensar que, em pleno 2020, a gente chega numa sexta-feira, às 16h, e não pode fazer um pagamento ou transferência”

João Vitor Menin, CEO do Banco Inter

Demanda dos brasileiros

Outro estudo, também da Accenture, aponta ainda que, 36% dos entrevistados no Brasil possuem o perfil “pioneiro”, ou seja, são ávidos por inovação e gostariam de usar o celular para interagir com fornecedores de serviços financeiros. Essa taxa está bem acima do restante do mundo, que é de 23%. “Mesmo consumidores de baixa renda, que representaram 46% dos dois mil entrevistados, dizem procurar conveniência, que pode vir pela tecnologia. O consumidor entende que essa tecnologia que ele já possui pode ajudá-lo, independentemente da renda que detém”, explica.

Carteiras digitais

Neste contexto, os pagamentos em tempo real serão cada vez mais presentes, assim como as carteiras virtuais. A pesquisa do IDC chancela essa emergência das carteiras digitais. Segundo o estudo, 61% dos brasileiros já usam as soluções online que reúnem diferentes formas de pagamento.

“Antes, você comparava só um banco com outro banco. Hoje, você compara os bancos com Uber ou iFood, este, por exemplo, tem a sua própria carteira digital para oferecer mais conveniência e essa postura das empresas digitais causou um efeito viral no sistema bancário”

Joana Henklein, diretora-executiva de Serviços Financeiros da Accenture para América Latina

pagamentos Foto (Shutterstock)

Outros mercados focados em meios de pagamento

A capacidade de apagar a fronteira entre a compra e o pagamento é o que vai catapultar os players de sucesso no futuro dos meios de pagamento. E o aperfeiçoamento dos pagamentos pode surgir fora do setor bancário, como tem acontecido no mundo. A Amazon aposta no pagamento invisível nos Estados Unidos. Na China, a Tencent usa seu superapp, o WeChat, como a maior plataforma de pagamentos do mundo, conectada a redes sociais, marketplaces, e-commerces e outros apps.

No Brasil, a plataforma com o maior potencial de causar disrupção nos meios de pagamento é o WhatsApp, aplicativo mais usado pelos brasileiros e que está ganhando uma carteira digital, neste momento em fase de testes no México. Além de aplicativos de mensagens, produtoras de games virtuais também entram no jogo.

Pagamento no mundo dos games

A Razer é outra empresa multinacional que aposta nessa dissolução total da fronteira entre o consumo e o pagamento. A empresa, que surgiu como fabricante de hardware para games, viu o futuro do seu negócio na oferta de serviços bancários para gamers. O número de gamers que tem cartão de crédito na América Latina é de menos de 20%. “No Brasil, temos 80 milhões de gamers e aproximadamente 16 milhões apenas têm cartões de crédito”, diz Dennis Ferreira, diretor da Razer Gold para a América Latina que oferece créditos para jogos online, ao Whow!.

“Outros 60 milhões compram com cartão da mãe, do pai, do tio, do vizinho, boletos, depósitos, lotéricas, formas de pagamento não on-line. É nesse mercado, de não bancarizados, que estamos apostando”

 Dennis Ferreira, diretor da Razer Gold

Em Singapura, um dos mercados mais fortes da Razer, a empresa já tem banco, financeira e carteira digital para todo tipo de consumo. “Aqui, já trabalhamos em conjunto com startups e estamos atraindo fundos de venture capital para expandir o mercado. A Razer está de olho no mercado de serviços financeiros para poder dar o próximo passo”, revela o diretor.


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