Governo do Reino Unido pretende cobrar por recompartilhamento de notícias do Facebook - WHOW

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Governo do Reino Unido pretende cobrar por recompartilhamento de notícias do Facebook

Assim como na Austrália, o país europeu leva o Facebook News à justiça para determinar cobrança pelos conteúdos britânicos divulgados

POR Carolina Cozer | 24/02/2021 14h00 Imagem Mark Zuckerberg (divulgação C-SPAN 3) Imagem Mark Zuckerberg (divulgação C-SPAN 3)

Após o governo da Austrália entrar em embate contra o Facebook News ― portal do Facebook destinado à curadoria de notícias dos principais jornais locais ―, chegou a vez do governo britânico fazer o mesmo.

Lançado no dia 18 de fevereiro, o Facebook News do Reino Unido chegou ao país para tentar limpar a sua imagem após os escândalos de fake news e vazamentos de dados confidenciais, mas tudo indica que o tiro esteja saindo pela culatra.

O serviço utiliza algoritmos para rankear e distribuir notícias de jornais como Telegraph, The Guardian, Financial Times e outros. O governo local, contudo, abriu uma proposta de lei exigindo que a rede social de Mark Zuckerberg pague pelo conteúdo de notícias que estão utilizando, uma vez que estão gerando tráfego e receita para o Facebook.

Um relatório da eMarketer corrobora com essa acusação, revelando que 61% das mídias de publicidade do Reino Unido estavam indo para o Facebook ou Google. Embora esse fato não tenha sido utilizado para abrir uma ação regulatória, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para a Europa, Margrethe Vestager, disse que esses dados estão sendo levados em consideração na justiça.

Caso o Facebook se recuse a negociar pelo pagamento dos conteúdos licenciados, a Câmara dos Deputados do Reino Unido pretende aplicar multas e punições à big tech no país.

Henry Faure Walker, presidente da News Media Association, que representa as organizações de mídia do Reino Unido, disse à BBC que “as ações do Facebook na Austrália demonstram precisamente porque precisamos de jurisdições em todo o mundo, incluindo no Reino Unido, para se coordenar para entregar uma regulamentação robusta para criar um campo de jogo verdadeiramente nivelado entre as big techs e os editores de notícias”.

Facebook faz escândalo na Austrália

O mesmo escândalo ocorreu na Austrália, onde a big tech chegou a fazer um apagão de notícias dentro da rede social até obter concessões do governo ― um ato que foi considerado severo pela mídia internacional, sobretudo por coibir à população a propagação de notícias em meio à pandemia.

Contudo, na última terça-feira (23), o Facebook e a Austrália chegaram a um primeiro acordo sobre a utilização de mídia jornalística no país, e o compartilhamento de notícias voltou a ser veiculado dentro da rede social.

Segundo a BBC, o governo australiano e a big tech chegaram a um consenso após as autoridades australianas decidirem introduzir uma emenda que impede o governo de cobrar pelo conteúdo utilizado no Facebook caso a rede social demonstre estar contribuindo positivamente para o jornalismo local, com um período de mediação de até dois meses.


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