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Tecnologia

Gestão de dados para a jornada digital do paciente na saúde

Indústrias de saúde e farmacêutica estão se transformando com a digitalização, o que permite criar experiências personalizadas ao paciente

POR Redação Whow! | 29/09/2021 18h23

Por Eduardo Mangione, presidente da epharma

Falar em jornada do paciente nunca fez tanto sentido como nos dias de hoje. Criar uma experiência integrada e satisfatória, capaz de gerar novas oportunidades de negócio, é um processo que pode perfeitamente ser adotado no mercado farmacêutico, que tem a perspectiva de crescer ainda este ano 10,13%, segundo o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos), na contramão do mercado que ainda vive seus tempos de crise.

Isso porque, mesmo diante das recentes adversidades, o paciente rapidamente se adaptou e mudou seu comportamento. Obrigado a passar mais tempo dentro de casa devido ao isolamento social, muitos tiveram seu primeiro contato com os canais digitais. Pedir comida, ir a uma consulta médica virtual e até comprar medicamentos de maneira remota, por exemplo.

Só no período de 2020, somamos quase 18 milhões de consumidores adicionais no e-commerce brasileiro, onde mais de 70% foram novos compradores para o canal, de acordo com o relatório Ebit. O paciente se tornou cada vez mais phygital e exigente, com jornadas não tão óbvias, onde as oportunidades são amplas. Tudo isso evidenciado tanto pelo crescimento de fluxo a farmácias de bairro, dado a falta de deslocamento a bairros próximos aos locais de trabalho, mas também no aumento da penetração da venda por canais digitais de grandes varejistas farmacêuticos, que chegaram até a triplicar sua representatividade quando comparado ao período pré-pandemia.

Independentemente do canal da compra – digital ou físico –, há uma necessidade enorme de criar um relacionamento mais duradouro e relevante com o paciente. Por isso, há uma gestão mínima dos dados sobre o que cada paciente consome, ou seja, quais são os produtos ou medicamentos mais adquiridos, de acordo com seu perfil e necessidades. Isso é feito por meio do cadastro de cada indivíduo.

A partir daí, é possível gerir os dados desse consumidor, a fim de entender seu comportamento e, então, lhe oferecer a melhor experiência. Como? Bom, um exemplo mais óbvio são os descontos personalizados em drogarias, algo que já é bastante recorrente e comprovadamente assertivo, uma vez que os consumidores conseguem adquirir produtos de um hall especialmente selecionado para ele, em valor reduzido.

Mas a gestão de dados é uma grande aliada não apenas do varejo farmacêutico, e sim da saúde como um todo. Digo isso com a plena consciência de que conhecer o comportamento e hábitos do seu consumidor e/ou paciente pode antecipar tendências e até mesmo impulsionar inovações e novos serviços que supram diferentes necessidades. O segredo é conseguir antecipar-se ou adaptar-se de maneira ágil e atender a todos os públicos, mas de maneira personalizada. Quem não se adapta e acompanha a evolução está com seus dias contados.

Aqui também a digitalização de dados do usuário possibilita a integração de informações e, com ajuda da tecnologia, melhora-se a compreensão da jornada do paciente. Com um prontuário único eletrônico, por exemplo, tem-se todo o histórico de saúde na palma das mãos. A partir dessa informação, identifica-se a necessidade de determinados tratamentos, especialistas, exames, medicamentos e todo ciclo de saúde do paciente. E isso, integrado a todo o ecossistema, dá um poder inédito ao paciente.

Por que não usar as informações de forma analítica e preditiva? Esperar que ele nos procure é o mesmo que esperar pela chuva em dia de sol. Você não sabe ao certo se vai acontecer e quando vai acontecer.

Além disso, ao serem tratadas com recursos de Big Data e Inteligência Artificial, informações adquiridas a partir desse tipo de tecnologias podem gerar dados para alimentar modelos preditivos que servem como base para outros pacientes. Desta maneira, com a gestão de dados da saúde, é possível contribuir com melhores diagnósticos, condutas mais adequadas e melhores indicadores de qualidade de vida de toda uma população, maior adesão ao tratamento medicamentoso, além de novos serviços que estejam alinhados à realidade do paciente. E hoje temos a capacidade de personalizar a jornada e tratar cada paciente de maneira individualizada.

Ou seja, conhecer seu público é o segredo para a satisfação dele. Pode parecer exagero, mas é realmente com base no estudo de dados que se entende o comportamento de todo um grupo de consumidores que dita tendências e grita por novas soluções. E isso não deve ser feito uma vez e ponto. O consumidor muda e a mudança é constante. Entender cada vez mais seu papel, suas dores e necessidades é a chave para sair na frente na geração de valor. Por isso, podemos dizer que os dados são o novo petróleo.

E tudo é feito em conformidade com a nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), já que o consumidor ou paciente dá seu consentimento no compartilhamento de dados apenas com a companhia em questão, seja com a drogaria, indústria farmacêutica ou instituição de saúde. O importante é que os dados sejam respeitados e, se partilhados, com o consentimento do paciente final e um claro propósito de geração de mais valor e benefício ao cliente. 

Por fim, acredito que a inteligência de dados como um todo tem o poder de estimular o mercado a ganhar mais agilidade, eficiência e sustentabilidade, utilizando a tecnologia em prol de uma gestão que gera valor em toda a cadeia de saúde. Basta abrir a cabeça e entender as possibilidades, a partir do que seu negócio oferece, com as perguntas certas, muita curiosidade e dados para guiar nossos caminhos.