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Gamificação e o impacto na produtividade das empresas

Grandes e pequenas empresas estão inserindo jogos e atividades lúdicas que impulsionam o engajamento e evolução de seus colaboradores 

POR Carolina Cozer | 08/10/2019 13h39 Gamificação e o impacto na produtividade das empresas Foto (Shutterstock)

Gamificação é o processo de utilizar mecânicas de games analógicos ou de videogame e aplicá-las em situações que não são jogos, com a finalidade de trazer motivação, engajamento, diversão e interação com as tarefas, sejam elas afazeres do dia a dia, trabalho, estudo, atividade física, entre outras. 

Assim como nos jogos, a gamificação envolve fornecer recompensas ao entregar tarefas cumpridas, fazendo com que a pessoa desafiada se sinta mais empenhada e entretida na realização de seus afazeres.

Yu-kai Chou, empresário taiwanês e um dos maiores gurus de gamificação no mundo, definiu a prática como: “a arte de derivar todos os elementos divertidos e viciantes encontrados em jogos e aplicá-los em atividades produtivas ou do mundo real.”

Gamificação x Produtividade

Em empresas, a gamificação bem estruturada pode render ótimos resultados para impulsionar o engajamento de funcionários ou times na entrega de metas. Segundo dados da ResearchAndMarkets.com, a gamificação aumenta os níveis de produtividade das equipes em 90%, e em 86% a conscientização sobre as metas do grupo, além de tornar as tarefas efetuadas pelos colegas mais transparentes, uma vez que as vitórias de cada um são compartilhadas.

Outra pesquisa, feita pela TalentLMS em 2019, aponta dados interessantes sobre a relação entre gamificação e produtividade no ambiente profissional:

gamification Foto (Shutterstock)

Como funciona?

Para fazer a gamificação funcionar em uma corporação, é preciso personalizar as atividades de acordo com o perfil da empresa, suas metas e o que quer ser atingido dentro desse processo, assim como as recompensas oferecidas. Em seguida, esses objetivos são inseridos em alguma plataforma específica de gamificação, que pode ser desenvolvida pela própria empresa, ou adquirida de desenvolvedoras desse tipo de software. 

Para construir essas mecânicas, alguns elementos populares dos games podem fazer com que os funcionários sintam que estão tendo uma real experiência de gamificação:

Narrativa/história: todo bom jogo precisa de uma história clara e que leve o jogador a entender o cenário a ser explorado, e qual é o seu papel nele. A narrativa é o momento de tornar direta a história da empresa, seus objetivos, desafios e a função de cada um dentro daquele universo. A linguagem pode ser literal, ou transformada em um cenário de fantasia, por exemplo.

Níveis e desafios: os níveis são os elementos que trazem a sensação de sucesso e progresso aos jogadores. Todos começam em níveis baixos, e vão evoluindo e ficando mais fortes à medida que cumprem desafios (objetivos, tarefas, funções). Desafios constantes são o que mantém os jogadores engajados e motivados, pois trazem dinamismo e sentimentos de reconhecimento e conquista ao serem cumpridos.

Cronometragem: para que os jogadores (ou funcionários) se mantenham focados nas metas, e não abram espaço para procrastinação, é necessário estabelecer um limite de tempo de entrega nos projetos. Ver o tempo ficando mais curto é um elemento motivacional que, muitas vezes, garantem o sucesso de uma missão, além de serem potenciais estimuladores do pensamento estratégico e criativo.

Power-ups: ao terminar uma missão, o personagem sempre se torna um pouco mais forte ou habilidoso. Da mesma forma ocorre no ambiente profissional. O funcionário precisa terminar uma tarefa com o sentimento de que algo mudou em sua jornada, e que agora tem poder para fazer muito mais. 

gamification Foto (PIxabay)

Missões diárias/semanais: alguns jogos usam missões rápidas e curtas como passíveis de recompensas. Geralmente, as missões diárias são situações que o jogador (ou profissional, no caso) já deveria efetuar de modo corriqueiro, mas que muitas vezes acaba sendo deixada de lado, como a organização dos e-mails ou espaço de trabalho, por exemplo. Garantir recompensas para essas pequenas funções também ajuda a manter o fluxo de trabalho mais saudável.

Troféus/medalhas: o grande momento da recompensa. Mais do que um prêmio, são um símbolo de conquista e domínio de um objetivo. Fazem com que o “herói” da jornada se sinta reconhecido, e são os grandes motivadores de todo o processo de gamificação. Permitir que as medalhas recebidas pelo funcionário fiquem visíveis para toda a empresa são estimulantes e geram mais engajamento. As recompensas podem ser materiais ou não.

Ranking geral: os seres humanos são competitivos por natureza. No ambiente profissional essa característica tende a ser ainda mais comum. Criar um ranking que exiba o desempenho dos participantes, seja geral, diário ou semanal, estimula o sentimento de querer se manter no topo.

Não há limites para os elementos que podem ser incluídos. Por que não pensar em incluir algum tipo de moeda virtual, que pode ser trocada por recompensas; batalhas contra “chefões” (desafios maiores e que exigem evolução prévia de algumas habilidades), maratonas em grupos (para melhorar a interação entre os times e fomentar o espírito de equipe), múltiplas escolhas de caminhos a serem percorridos para a construção do perfil profissional?

Cases de sucesso

A Microsoft é uma das empresas conhecidas por ter implementado a gamificação no cotidiano de seus colaboradores. Através de uma plataforma chamada Dynamics 365, a empresa encontrou a solução para motivar funcionários a participarem das rotinas de testes dos softwares da empresa, ajudando a encontrar falhas e dar feedbacks de experimentação.

Antes do Dynamics 365, a Microsoft tinha dificuldade em encontrar voluntários para esses procedimentos, uma vez que os profissionais não queriam usar o tempo livre para focar em situações de trabalho. Agora, os funcionários formam equipes entre eles em busca de prêmios, torcem uns pelos outros e desenvolvem espírito de equipe.

Já a farmacêutica americana Omnicare introduziu a gamificação em sua central de serviços de TI, obtendo uma  taxa de participação de 100%  dos membros das equipes, que tinha taxas de 25 e 30% de abandono nos atendimentos via chat de suporte. A solução foi  adicionar uma tabela de classificação e fornecer recompensas em dinheiro aos funcionários com os tempos de atendimento mais rápidos.

Com o passar do tempo, o sistema de recompensas foi aperfeiçoado, passando a se basear em fatores mais complexos do que apenas a velocidade de resposta. Isso motivou os funcionários e trouxe muitos benefícios à qualidade de atendimento da empresa.

O Banco do Brasil usa a gamificação para criar novos líderes em suas unidades. Criaram um projeto de mentoria chamado Game DesEnvolver, com diversas atividades que desenvolvem habilidades de liderança em seus funcionários, sobretudo aos jovens profissionais em início de carreira. Mais de 55 mil pessoas receberam treinamentos e superaram desafios, enquanto aprendiam novas habilidades e evoluiam profissionalmente ao longo de seis fases.

Também a startup Kludo, que transforma processos empresariais em atividades de jogos, já auxiliou a consultoria Accenture com a economia de R$3.500 a cada novo colaborador contratado, através da redução de 75% do tempo de treinamente em sala. Isso porque a atividade migrou para o meio online gamificado. Com isso, a corporação diminuiu em três vezes o tempo de treinamento recorrente por mês.


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