Futuro do trabalho: incentivo à tecnologia e upskilling - WHOW

Pessoas

Futuro do trabalho: incentivo à tecnologia e upskilling

Líderes de grandes empresas comentam sobre a necessidade de atualizações nas habilidades dos colaboradores e a necessidade de uma estratégia governamental

POR Redação Whow! | 16/04/2021 16h59 Imagem Fabio Lucas: Unsplash Imagem Fabio Lucas: Unsplash

Na sexta-feira (16), Ari de Sá, fundador e CEO da Arco Educação, Sidney Klajner, presidente do Hospital Albert Einstein, Sandro Bassili, vice-presidente de Pessoas, Assuntos Institucionais e Transformation Office do Grupo Boticário, e Martha Gabriel, professora universitária e autora, discutiram as ações para auxiliar os brasileiros a buscarem atitudes focadas no futuro da trabalho.

A conversa aconteceu durante a sétima edição do evento Brazil Conference at Harvard & MIT de forma online.

Como pensar no futuro do trabalho em 2060

Martha iniciou a discussão abordando que as novas tecnologias criam novas formas de trabalhar em vez de eliminá-las. E até 2060 e 2070 teremos vai existir uma transformação acelerada com a inteligência artificial. Então, como adequar a mão de obra brasileira para este cenário futuro?

Para Ari ainda há falta de uma política estruturada e de longo prazos que foque na formação dos jovens para prepará-los para as exigências do mercado. “Existem grande oportunidades relacionadas à tecnologia e inteligência artificial para que a gente [no Brasil] seja protagonista como economia. Pois sabemos que nem mesmo as habilidades básicas acadêmicas ou de trabalho, nós as encontramos aqui, com um investimento maciço na educação pública para levar jovens para as universidades com base acadêmica forte para ter mão de obra capaz e ganhar produtividade, pois perdemos isso nos últimos anos”, comentou.

No caso do Hospital Albert Einstein, a empresa passou a ter uma escola de ensino médio aliada à uma formação técnica, para que os jovens saiam e sejam contratados pelo mercado de trabalho. O presidente da instituição afirmou que vê a necessidade da formação de pessoas para o upslkilling que um profissional precisa, caso contrario não será possível o Brasil se modernizar e voltar para uma trilha de desenvolvimento.

“Cada vez que a gente olha a necessidade de investimento ela passa pela educação, passa pelo desejo da população em ganhar as skills necessárias que vão ser exigidas cada vez mais o futuro. E na saúde temos uma oportunidade que exige a relação mais próxima com o paciente, mas ela pode ser agregada na eliminação de funções tediosas que possam ser substituídas por algoritmos e conseguir ter o tempo adequado para que um profissional faça o que tem que fazer”, apontou Sidney.

E após a pandemia do novo coronavírus, o executivo do Grupo Boticário acredita que a aceleração digital será mantida. “Esta corrida por talentos de tecnologia vai levar a um gargalo. O Brasil não se preparou no nível técnico. E para ajudar na saída [da pandemia], focar na educação técnica será muito importante. Você tem o papel de treinar este ténicos para suprir a sua necessidade”, disse Sandro que avaliou que o retorno do upskilling ou reskilling nas empresas traz um resultado rápido .

Políticas públicas para o incentivo à tecnologia e startups

Durante a conversa também foi citado o caso do Porto Digital, localizado em Recife há duas décadas, que inverteu o processo de migração de brasileiros para outros estados e, até para fora com país, com a chegada de mais pessoas técnicas, com foco em tecnologia, no município do Nordeste. Assim sendo um local com investimento público para o desenvolvimento de capacidades e produz tecnológica que os participantes entendem como vitais para o desenvolvimento do país.

E de acordo com dados do próprio Porto Digital, as empresas que estão situadas no local geram receita de cerca de R$ 1,7 bilhões e empregam mais de 9.500 pessoas.

O fundador e CEO Arco Educação, que nasceu como uma startup em 2004 e hoje está listada na bolsa de tecnologia da Nasdaq, acredita que deve-se estimular a criação de ecossistemas, com o Porto Digital, mas para isso é preciso ter urbanização e cidades seguras. “Já vemos hoje uma disrupção das próprias empresas, ensinando os seus profissionais, através de plataformas de tecnologia e startups com programas personalizados, para que o jovem entre na empresa. E tem um mercado de upskiling de formação técnica, e que está sendo fomentando pela iniciativa privada para preencher este gap da formação do profissional. E outra forma seria se inspirar em outros países, como Israel”, completou.

Na visão do vice-presidente de Pessoas, Assuntos Institucionais e Transformation Office do Grupo Boticário, os cursos e profissionais técnicas deveriam ganhar mais valor como acontece na Alemanha. “Os Estados Unidos também carecem de profissionais técnicos e há um desincentivo deste profissional. E aqui [no Brasil] foi incentivado que as pessoas fizessem a universidade de qualquer maneira, com incentivos para cursos superiores e nenhum para cursos técnicos”, disse.

Por fim, o presidente do Hospital Albert Einstein comentou sobre a criatividade do brasileiro, mas que os investimentos ainda não chegam do setor público na mesma proporção como acontecem na iniciativa privada. “E podemos ver esta criatividade, como por exemplo, na nossa incubadora [Eretz.bio], que começou com 39 startups, antes da pandemia, e hoje tem 92, em um ano. O que precisa de fato, é um envolvimento maior da esfera pública”, concluiu.

E não perca as novidades nas nossas redes sociais no LinkedIn, Instagram, Facebook, YouTube e Twitter.


+FUTURO DO TRABALHO

Inovações que são indispensáveis para o futuro do trabalho
Por que habilidades vão moldar o futuro do trabalho?
9 tendências para o futuro do trabalho, segundo consultoria global
Novas tendências para o futuro pós-covid-19