Fórum Econômico Mundial: futuro baseado em dados, 5G e sensores - WHOW

Tecnologia

Fórum Econômico Mundial: futuro baseado em dados, 5G e sensores

Líderes globais debateram como as informações digitais vão colaborar para o desenvolvimento de soluções em diferentes áreas no futuro

POR Luiza Bravo | 23/01/2020 12h38 Arte Grupo Padrão (Érika Bernal) Arte Grupo Padrão (Érika Bernal)

Primeiro foram as especiarias. Depois, os metais preciosos. Atualmente, há quem ainda pense que o dinheiro é o que existe de mais valioso no mundo. Mas quem vive de olho no futuro sabe que os dados já estão se tornando o que há de mais cobiçado.

Em uma realidade permeada por dispositivos inteligentes e com a perspectiva de se tornar ainda mais conectada, as informações digitais têm sido cada vez mais valorizadas. O segundo dia do Fórum Econômico Mundial de 2020 deixou isso evidente, ao trazer debates sobre o uso e a proteção de dados.

O painel Regional Protection versus Global Innovationdestacou que cerca de 80% de todo o valor de mercado do mundo pertencem a apenas 10% das empresas. Essas organizações são justamente as que detêm mais propriedade intelectual e dados pessoais, o que as torna detentoras, também, de um enorme poder político.

De acordo com os participantes do painel (Mats Granryd, Amy Webb, Rana Foroohar, Rohit Chopra e Nandan Nilekani), essa mudança de paradigma de uma economia tangível para uma economia intangível tem feito com que o poder se concentre nas mãos de poucas organizações, o que pode afetar os processos de inovação no futuro. 

Proteção regional e inovação global

O comissário da Federal Trade Comission dos Estados Unidos, Rohit Chopra, diz que empresas de todo o mundo estão tendo cada vez mais dificuldade para receber grandes investimentos, e que isso se traduz em menos inovação, menos crescimento e menos empregos. Por isso, ele defende a importância de medidas como a lei antitruste, que estimula a concorrência leal entre empresas. 

“A economia só é competitiva quando empresas são descentralizadas, quando as pessoas podem investir e quando ideias disruptivas mudam formas tradicionais de pensar”

Rohit Chopra, comissário da Federal Trade Comission dos Estados Unidos

futuro Foto Mattias Nutt (World Economic Forum)

Outro ponto abordado no painel foi a linha – cada vez mais tênue –  entre o que é de domínio público e privado no que diz respeito à tecnologia. Um dos exemplos citados foi a iniciativa do Facebook de lançar sua própria moeda digital, a Libra. “As big techs estão deixando cada vez mais claro que não são capazes de se autorregular”, disse a futurologista Amy Webb, que acha difícil criar regulamentações quando o assunto é tecnologia.

“Pensamos sempre no futuro, mas as políticas e regulamentações lidam essencialmente com o presente e com o passado. Como podemos criar regras para coisas que ainda não existem?”

Amy Webb, futurologista 

A Índia é referência mundial em regulamentação de tecnologia. O país fornece uma identidade digital a cada cidadão, e desenvolveu o que chama de “arquitetura de empoderamento de dados”, que permite que consumidores e empresas tenham acesso a suas próprias informações online. 

Além disso, o país instituiu a UPI, uma interface unificada de pagamentos que permite a realização de transações bancárias de forma fácil e instantânea. A plataforma, segundo o presidente da multinacional indiana Infosys, Nandan Nilekani, reúne o melhor dos dois mundos: a regulamentação do sistema bancário com a praticidade das soluções de pagamento de big techs como Apple, Google e Amazon.

Além de regulamentar a atuação das grandes empresas para evitar que elas dominem setores diferentes dos seus de origem, os participantes do painel também destacaram a importância de se investir em pesquisa para fomentar a inovação. 

5G e o futuro

Mais de 50 redes comerciais de internet 5G foram lançadas até o momento em 27 países, e a expectativa é que, em breve, mais de 100 países estejam equipados com a tecnologia. Alguns economistas estimam que, nos próximos 20 anos, esta tecnologia vai gerar uma receita US$ 13,2 bilhões. Mas por trás de todas essas promessas, existem também muitas preocupações. 

Que benefícios o 5G pode trazer, de fato, para os usuários? As redes podem impactar nossa saúde no futuro? Essas foram algumas das questões debatidas no painelThe Real-World Impact of 5G

Há quem diga que a nova geração da internet pode dividir o mundo, devido aos diferentes padrões de funcionamento nos países. O presidente da Qualcomm Incorporated, Cristiano Amon, discorda: “O 5G é um padrão global, que vai reduzir ainda mais as distâncias, e será parte essencial para a transformação digital em vários segmentos.”

O executivo Peter Terwiesch, que é integrante do ABB Group, também não vê a chegada do 5G com receio. Segundo ele, atualmente há um entendimento mais amplo por parte dos governos de que nenhum país se beneficiará do fato de estar atrasado na corrida pela conexão 5G. 

“As tecnologias mais antigas nos levaram do isolamento à conexão. Agora, a transformação digital traz o fator da colaboração, que é conectar pessoas e ecossistemas para que, juntos, atinjam melhores resultados”

Peter Terwiesch, executivo do ABB Group

futuro Foto Walter Duerst (World Economic Forum)

Tecnologia para o bem

Uma demonstração de que as redes de conexão de alta velocidade podem contribuir para o desenvolvimento de todos foi dada no painel Biosensors and the Future of Diagnostics. A pesquisadora do Imperial College London, Molly Stevens, apresentou sensores capazes de diagnosticar doenças em estágio inicial, de forma rápida e barata. 

Um dos equipamentos apresentados pode detectar a presença do vírus HIV no sangue em tempo recorde. Até agora, os testes utilizados na maior parte do mundo, especialmente em áreas remotas da África, por exemplo, só conseguem perceber o vírus cerca de três semanas depois da infecção, que é quando o corpo começa a produzir anticorpos. 

Os novos sensores, desenvolvidos por nanotecnologia, são extremamente sensíveis e detectam o vírus a partir da proteína p24. O dispositivo lembra um teste de gravidez tradicional, e consegue detectar até a concentração do vírus no sangue.

Ao realizar o teste, o paciente tira uma foto com o celular usando um aplicativo específico, que é capaz de ler o resultado e dar o diagnóstico para o usuário. Outros sensores apresentados são capazes de detectar o vírus Ebola e também enzimas produzidas pelo corpo nos estágios iniciais do câncer

Molly diz que a conectividade ajuda a democratizar o acesso à saúde mesmo em regiões como a África Subsaariana, porque até lá o número de smartphones está crescendo. “Esta é uma oportunidade muito importante que temos não apenas de desenvolver métodos ultrassensíveis de diagnósticos, mas também de combiná-los com tecnologias móveis para alimentar plataformas de saúde online e transformar a maneira como tratamos os pacientes.”

futuro Foto Manuel Lopez (World Economic Forum)


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