Fórum Econômico Mundial: inovação e novas tecnologias marcaram a abertura da edição 2020 - WHOW

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Fórum Econômico Mundial: inovação e novas tecnologias marcaram a abertura da edição 2020

Futuro da indústria, computação quântica, mercado financeiro e inteligência artificial estão entre os temas debatidos nos painéis

POR Luiza Bravo | 22/01/2020 13h13 Arte Grupo Padrão (Érika Bernal) Arte Grupo Padrão (Érika Bernal)

Começou em Davos, na Suíça, a 50ª edição do Fórum Econômico Mundial. Este ano, as duas principais temáticas do evento, que reúne a elite do cenário político-econômico mundial, são “luta contra o aquecimento global” e “capitalismo responsável”. A tecnologia e seus impactos na economia e na vida da população de forma geral também ocupam boa parte dos debates.

O Whow! traz nesta semana os destaques deste segmento.

Futuro da Indústria

Como o cenário competitivo das indústrias mudou no último ano? Quais são os principais desafios e oportunidades de negócios em 2020? Quais devem ser as prioridades estratégicas na próxima década? Essas foram algumas das questões debatidas no painel Shaping the Future of Advanced Manufacturing, que contou com a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, do CEO da Nokia, Rajeev Suri, da presidente do Imperial College London, Alice Gat, e do presidente da Oerlikon Management, Michael Süss.

Fórum Econômico Mundial Foto Christian Clavadetscher (World Economic Forum)

Em clima de descontração, os convidados falaram sobre como a tecnologia permitiu um salto na produtividade das indústrias na última década, e apontaram algumas tendências para os próximos anos.

Suri, por exemplo, acredita que a conectividade vai transformar radicalmente o setor. “As fábricas vão mudar nos próximos anos, e não terão mais o layout que conhecemos hoje. Haverá mais automação e conectividade. O 5G será uma solução de longo termo na manufatura”, diz.

Ao ser questionado sobre a situação do Brasil no quesito inovação, o ministro Paulo Guedes foi enfático: disse que o país foi deixado para trás e perdeu a “grande onda” de globalização, mas que está “correndo atrás do prejuízo” e adotando medidas para tornar seu ambiente de negócios menos hostil. Segundo ele, o futuro será “mindfacture”.

“A indústria será centrada no ser humano. Precisaremos adequar as máquinas para fazer o trabalho, e vai haver uma maior valorização do talento humano e da criatividade”

Paulo Guedes, ministro da Economia 

Os participantes destacaram que, para que isso ocorra, no entanto, é necessário haver uma mudança global na formação dos futuros profissionais. A impressão 3D, por exemplo, já está revolucionando as formas de produção, mas a adoção dessa tecnologia em larga escala pelas indústrias vai demandar cada vez mais especialistas em materiais, eletricidade, mecânica e software, que atualmente não existem no mercado.

Fórum Econômico Mundial Foto Christian Clavadetscher (World Economic Forum)

Para Alice Gat, um dos principais desafios nesse sentido é a mudança da mentalidade do jovens, que ainda enxergam a indústria de forma estigmatizada.

“Nós precisamos que os estudantes entendam que a manufatura não é burra, suja nem perigosa. A manufatura é inteligente, limpa, interessante e inovadora. É uma tremenda oportunidade”

Alice Gat, presidente do Imperial College London

O futuro, todos concordam, será mais colaborativo, com maior integração entre as áreas de Educação e Pesquisa. O CEO da Nokia acredita que a cooperação pode não apenas conviver com a competitividade, mas também estimulá-la, e aposta em um crescimento de 35% na produtividade das indústrias norte-americanas até 2028.

Guedes garantiu que os esforços para estimular a inovação no Brasil vão continuar: “Nossa principal missão como Governo não é inovar. É ter a certeza de que temos um ambiente de negócios e um ambiente acadêmico que nos permita usar todo o conhecimento disponível atualmente.”

A supremacia quântica

As demonstrações recentes do potencial quântico marcaram o surgimento de um novo paradigma de computação, que pode ter um impacto crucial na sociedade. As aplicações dessa ciência são as mais diversas possíveis, e foram tema de outro interessante painel do Fórum Econômico Mundial, nessa terça-feira (21).

De acordo com os especialistas ouvidos, a computação quântica pode projetar novos materiais, produzir medicamentos e colaborar para o desenvolvimento de machine learning, por exemplo. Um de seus maiores desafios para os próximos anos, no entanto, diz respeito à segurança da informação.

Muitas aplicações da computação quântica ainda não são sequer conhecidas, mas já se sabe que esses supercomputadores são capazes de quebrar alguns dos códigos de criptografia mais utilizados por empresas para proteger contas online e dados bancários, por exemplo.

A boa notícia é que já existe um movimento de migração para os chamados sistemas pós-quânticos, que são resistentes à quebra de criptografia por computadores quânticos. A empresa norte-americana NIST está realizando, inclusive, uma competição para o desenvolvimento desses novos modelos de codificação.

O diretor do Quantum Information Center da Universidade do Texas, Scott Aarons, brinca: “Uma das piadas no nosso meio é que os computadores quânticos se desenvolvem para quebrar códigos criptográficos, e isso estimula o próprio mercado a criar novos códigos para serem quebrados. Eu diria que a aplicação número 1 da computação quântica  é simplesmente desmentir as pessoas que disseram que algo nunca seria possível.”

Fórum Econômico Mundial Foto Valeriano Di Domenico (World Economic Forum)

Quanto vale um Unicórnio?

O número de startups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais praticamente dobrou nos últimos dois anos. Por outro lado, as empresas nunca perderam tanto de seu valor após abrirem capital. O painel “Valuing Unicorns” debateu as consequências não intencionais dessa distorção nas avaliações iniciais para os mercados público e privado.

A discussão começou com uma avaliação positiva da mudança que está começando a ocorrer na forma como os investidores olham para as empresas antes de fazer aportes financeiros. De acordo com os participantes (William Ford, CEO da General Atlantic LLC; Stacey Cunningham, presidente e CEO do NYSE Group Inc e David Solomon, presidente e CEO do The Goldman Sachs Group Inc.), depois de uma onda de euforia, eles estão voltando a enxergar o lucro como algo importante, e parando de supervalorizar o crescimento exponencial das empresas às custas das finanças.

“Antigamente,  os investidores não perguntavam muito sobre o passado, a cultura da empresa, porque a abertura de capital era algo mais raro e eles não queriam perder a oportunidade. Agora, eles estão se atentando a isso, e começando a pensar também na lucratividade”

Stacey Cunningham, presidente e CEO do NYSE Group Inc

A pressão dos fundos de venture capital sobre as startups para torná-las globais antes mesmo de consolidarem seus modelos de negócios também foi apontada pelos participantes como um dos motivos para o boom de IPOs nos últimos anos.

E não tem como falar de IPO sem lembrar da Saudi Aramco, a petroleira saudita que desbancou a varejista chinesa Alibaba no início de dezembro ao abrir capital, e atualmente lidera o ranking dos maiores IPOs da história com inacreditáveis US$ 25,6 bilhões – cerca de R$ 105 bilhões.

“O IPO da Saudi Aramco foi muito significativo em termos de transição econômica na Arábia Saudita. Foi fundamentalmente positivo para o país e para o resto do mundo porque expandiu esse eixo para além dos EUA e da China”

David Solomon, presidente e CEO do The Goldman Sachs Group Inc.

Essa mudança no eixo global de investimentos foi um dos pontos centrais do debate. Por exemplo, os marcos regulatórios dos EUA – por vezes muito rígidos – podem estimular cada vez mais empresas a realizarem seus IPOs em outros países.

“Os investidores devem ter o direito de escolher, e pode ser muito perigoso se começarmos a decidir por eles a quais oportunidades eles devem ter acesso. Os EUA precisam olhar para seus marcos regulatórios, e as empresas também precisam pensar sobre quais regulações estão dispostas a se sujeitar.”

Stacey Cunningham, presidente e CEO do NYSE Group Inc

Fórum Econômico Mundial Foto Sikarin Fon Thanachaiary (World Economic Forum )

Confiando na Inteligência Artificial

Um conjunto de três iniciativas, destinadas a melhorar a confiança do consumidor no uso e governança da inteligência artificial, foi anunciado por Cingapura na terça-feira (21). São elas: um Guia de Implementação e Autoavaliação para Organizações, um compêndio de casos de uso e uma segunda edição da Estrutura  de Modelo de Governança de IA.

Desenvolvido em parceria com mais de 60 organizações, incluindo Google, Microsoft e MasterCard, o Guia tem o objetivo de ajudar as empresas a avaliar o alinhamento de suas práticas de governança de IA com o Modelo de Governança, fornecendo exemplos e práticas do setor.

Enquanto isso, o compêndio de casos mostra como organizações locais e internacionais de diferentes setores e tamanhos implementaram ou alinharam suas práticas de governança de IA com a estrutura. 

O ministro de Comunicações e Informações de Cingapura, S. Iswaran, disse que pelo menos 15 empresas do país adotaram o modelo.

“O objetivo é traduzir esses princípios éticos – que devem ser responsáveis e centrados no ser humano ​​– e traduzi-los em diretrizes práticas, para que as empresas que desejam adotar tecnologias de IA tenham um guia sobre como podem fazer isso mantendo a confiança de seus clientes”

S. Iswaran, ministro de Comunicações e Informações de Cingapura

De acordo com o ministro, embora a IA tenha muito potencial, ainda há diversos pontos de interrogação em torno de sua aplicação. “Quanto mais trabalharmos com parceiros em todo o mundo para gerar confiança nessa tecnologia de IA, mais poderemos utilizar todo o seu potencial e beneficiar pessoas e negócios”, disse S. Iswaran


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