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Foodtechs e o desafio de alimentar 10 bilhões de pessoas

A tecnologia será essencial para combater o desperdício e alimentar – com qualidade – uma população que será de 10 bilhões de pessoas em 2050

POR Redação Whow! | 19/08/2019 15h20 Foodtechs e o desafio de alimentar 10 bilhões de pessoas

*Por Carolina Cozer e Adriana Fonseca

Segundo dados da ONU, a tendência é que a população mundial chegue a 10 bilhões até 2050, um crescimento de cerca de 26%. Considerando que já temos 870 milhões de indivíduos em situação de fome no mundo, com as coisas como estão, é necessário que alguma atitude seja tomada para evitar que o índice de fome reduza antes que surja o acréscimo populacional. E é aí que entram as foodtechs.

Ao mesmo tempo, gerar mais e mais alimentos pode envolver uma série de danos ambientais. E agora? Como alimentar bilhões de pessoas no mundo de forma barata, rápida, crescente e sustentável?

Para resolver esse paradigma, surgiram as foodtechs, startups do ramo de alimentação que buscam alternativas para a forma como o mundo se relaciona com as comidas.

O termo pode ser novo para você, mas é provável que já tenha tido contato com ao menos algumas das 90 startups brasileiras desse segmento: iFood, Rappi, Liv Up ou Uber Eats, que trazem praticidade ao vender (e entregar) alimentos com um simples toque no celular.

Só que o delivery de comidas processadas, embaladas em plástico e muitas vezes com poucos nutrientes, não trazem fôlego a uma série de problemas mais urgentes do que a pressa da população.

Nesta hora, entram em cena as foodtechs Fruta Imperfeita, Nutrien e Orgânicos In Box, startups que fazem entrega de frutas e verduras rejeitadas por serem ‘esteticamente feias’, diretamente para a casa de seus assinantes.

Com elas é possível personalizar o tamanho e conteúdo das caixas, assim como a frequência da entrega. A ideia ainda não é tão popular quanto os aplicativos de comida, mas mais e mais projetos do gênero têm aparecido a cada dia.

Se a moda pegar, vamos observar melhoras nos índices de desperdício das grandes cidades, e ao mesmo tempo o crescimento do consumo de nutrientes da população, uma vez que a obesidade é um mal ainda mais fatal do que a fome no país.

As startups do ramo alimentício devem movimentar até R$ 48 bilhões nos próximos 4 anos no Brasil.

Menos carne

No início do ano, o cofundador da Microsoft, Bill Gates, apontou a produção dos hambúrgueres vegetais (com textura e sabor de carne) como sendo um dos avanços tecnológicos mais importantes do mundo para os próximos anos.

Gates investiu, inclusive, alguns milhões na Beyond Meat, uma das empresas mais importantes do gênero, cujas ações subiram 163% em plena estreia na Bolsa de Valores.

FoodtechsA novidade já chegou ao gigante de fast food Burger King, que incluiu em seu cardápio o Impossible Whooper, hambúrguer com “carne fake” da Impossible Meats, concorrente direta da Beyond Meat, sediada no Vale do Silício.

No Brasil, a foodtech Fazenda Futuro, do mesmo fundador da Suco do Bem (agora pertencente à Ambev), tem apostado na produção local das carnes vegetais.

A empresa garante que esse novo modelo de carne não está no mercado para satisfazer os públicos vegetarianos e veganos, e sim para ser uma concorrência direta aos açougues como alternativa mais sustentável aos consumidores que não abrem mão do sabor e textura da carne original.

Fazenda urbana vertical 

A fazenda urbana vertical Pink Farms, fundada em 2016, recebeu um investimento de R$ 2 milhões da SP Ventures, gestora de fundos de investimento especializada no agronegócio, e Capital Lab, plataforma de investimento de capital semente.

O dinheiro investido na startup será usado em quatro frentes, principalmente: construir a primeira fábrica de grande escala da Pink Farms, com foco em atender parte da demanda da cidade de São Paulo, desenvolver a marca, aumentar o portfólio de produtos e aprimorar a tecnologia usada nos cultivos.

Fundada pelos irmãos Geraldo Maia, Mateus e Rafael Delalibera, todos engenheiros, a Pink Farms nasceu a partir de uma necessidade deles de encontrar legumes e verduras de qualidade.

A ideia inicial era desenvolver um eletrodoméstico para produzir comida, mas logo viram que não daria muito certo. Então, em 2016, alugaram um galpão em Jundiaí, no interior de São Paulo, e iniciaram o cultivo de alimentos em um ambiente fechado, com temperatura e umidade controladas e “sol artificial”.

Hoje, o galpão da Pink Farms está localizado na Vila Leopoldina, na zona oeste da cidade de São Paulo, e tem 750 metros quadrados. Ali, a capacidade de produção é de até 30 toneladas de alimento por ano.


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