Foodtech: tecnologia como aliada no setor de alimentação - WHOW

Tecnologia

Foodtech: tecnologia como aliada no setor de alimentação

Ecossistema de startups com soluções voltadas ao setor de alimentos cresceu 246% na última década

POR Daniel Patrick Martins | 23/09/2021 09h48

Muitos dos hábitos foram transformados durante a pandemia, e um destes foi o modo como nos relacionamos com a comida. Neste contexto, muitas pessoas passaram a consumir menos refrigerantes (36%), diminuir a ingestão de açúcares (30%), comer menos carne vermelha (25%), segundo informa pesquisa realizada pela Hypeness, em parceria com a MindMiners. Neste levantamento, também se observou que houve aumento de 57% na busca por alimentos naturais ou orgânicos, sendo consumidos mais verduras, legumes e frutas, além de 48% a mais de consumo de sucos naturais pelas pessoas. Na mesma linha, uma pesquisa realizada pelo Instituto Qualibest destaca que 68% dos consumidores apontam preocupação pela sustentabilidade empregada nos processos envolvidos em obter a comida.

Essas são apenas algumas das mudanças de consumo que estão moldando um novo mercado em torno da alimentação. A tecnologia  se insere neste contexto como forma de levar produtividade ao setor, o que é essencial para diminuir o preço das comidas e bebidas mais saudáveis, ao mesmo tempo que ajuda com inteligência e distribuição na cadeia. A união dos negócios de alimentação com soluções tecnológicas é chamada de foodtech.

Com as mudanças nos hábitos de consumo alimentar, surgem maneiras inovadoras de atender às crescentes demandas no mercado. A mais flagrante transformação recente foi a maneira de acessar a alimentação por meio das plataformas de delivery, que conectam restaurantes e mercados ao consumidor final. Porém, o ecossistema foodtech ainda é um segmento em crescimento no Brasil, e tem grande potencial para PMEs que possam trazer novas formas de distribuir e produzir alimentos, do começo ao fim da cadeia produtiva do setor. É o que destaca relatório “Food Techs”, publicado pela Liga Insights.

O estudo, que mapeou 322 startups brasileiras do universo de foodtechs divididas em 16 grandes áreas, revela que o número de empresas do setor aumentou, globalmente, 246% na última década. As vendas deste mercado cresceram, no mesmo período, 13,2% ao ano.

“Temas relacionados à alimentação são muito discutidos fora do Brasil, porque existe o desafio de alimentar dez bilhões de pessoas em 2050. Mas nós não estamos aproveitando isso, o que nos coloca em um atraso considerável em relação a outros mercados, como o americano, europeu, israelense, em questão de tecnologia e manipulação de alimentos. Então os movimentos são necessários, para aproveitar a genética empreendedora do brasileiro, as oportunidades e transformar os processos, para produzir melhor, de forma mais sustentável e rentável”, explica Ana Carolina Bajarunas, CEO da Builders e Idealizadora do FoodTech Movement, em entrevista ao portal da Liga Insights.

Entre as oportunidades de negócio no setor de foodtech, podemos destacar soluções de logística e entrega, que tiveram bastante sucesso nos últimos anos, seguidas por marketplace de alimentos, reaproveitamento e redução de desperdícios ou resíduos, biotecnologia para produção de alimentos à base de plantas, gestão do varejo e plataformas farm-to-table (conexão direto do produtor rural com o consumidor final).