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Eficiência

Fintech mira em crédito para micro e pequenas empresas

Cacau Crédito usa tecnologia para antecipar recebíveis. O Whow! conversou com um dos sócios-fundadores para saber como ela pretende inovar no mercado

POR Luiza Bravo | 25/03/2020 19h16 Fintech mira em crédito para micro e pequenas empresas Arte Grupo Padrão (Giovana Sorroche)

A tecnologia vem revolucionando a forma como lidamos com serviços básicos do dia a dia e o setor financeiro não é diferente. Há uma reinvenção, estimulada, principalmente, pelo surgimento das fintechs. Essas startups surgiram com o propósito de remodelar a área de serviços financeiros por meio das novas tecnologias, mas ao contrário do que muita gente pensa, não se limitam aos bancos digitais.

Revolução digital nas finanças

Startups focadas em crédito, por exemplo, usam soluções tecnológicas para fazer a análise de crédito de seus clientes e otimizar a dinâmica dos serviços financeiros, aproximando quem precisa de dinheiro de quem pode emprestar a juros mais baixos.

A antecipação de recebíveis, por exemplo, é uma alternativa para negócios que precisam de capital de giro e possuem contas de curto prazo para pagar. O empreendedor pode receber o dinheiro referente a vendas parceladas de uma só vez, antes mesmo que o consumidor efetue o pagamento de sua compra. Trata-se de uma alternativa para que as empresas consigam cobrir despesas urgentes, evitando a contratação de dívidas maiores.

fintech Foto ilustrativa (Freepik)

Fintech com foco em micro, pequenas e médias empresas

A Cacau Crédito surgiu com o propósito de adiantar recebíveis para micro, pequenas e médias empresas de maneira fácil e rápida, com taxas competitivas. A fintech é o braço digital da Meinberg Investimentos e do Meinberg FIDC, empresas já consolidadas no mercado de crédito.

O Whow! conversou com João Meinberg, um dos sócios-fundadores da Cacau Crédito, que revelou outros detalhes do funcionamento da empresa.

Whow!: Como surgiu a Cacau Crédito?

João Meinberg: Trabalhamos com recebíveis há mais de uma década com empresas maiores, e identificamos uma oportunidade no nicho das micro, pequenas e médias empresas, que não conseguem crédito no mercado. Esses empresários precisam de fluxo de capital de giro rápido, seja para a folha de pagamento ou alguma outra despesa específica. Assim, pensamos numa empresa digital e ágil para atingir esse público.

W!: Como a prática de antecipação de recebíveis proposta pela Cacau inova o mercado de fintechs e estimula a economia?

JM: Estimulamos a economia, exatamente, oferecendo crédito para os micros, pequenos e médios empresários, uma faixa bem desassistida ou submetida a juros altos por quem entra nela. Por sermos um fundo, temos duas vantagens. Primeiro, somos regulados pela CVM, o que garante transparência e supervisão dos nossos atos e contratos. Segundo, nossas transações não tem incidência de IOF, barateando as taxas.

A inovação acontece quando colocamos uma estrutura de controle com tecnologia que inclui robôs e inteligência artificial para analisar as taxas de nossos clientes. Assim, via site ou aplicativo da Cacau, os micro, pequenos e médios empresários descobrem em menos de um minuto seu limite de crédito e taxas líquidas, que partem de 0,95% ao mês, dependendo do risco apurado. A tecnologia também é extremamente amigável, bastando ao cliente colocar os dados de uma nota fiscal para solicitar os recebíveis.

W!: Qual a diferença da Cacau Crédito para as financeiras tradicionais?

JM: Contamos com uma equipe experiente em recebíveis e softwares altamente modernizados. Pedidos de troca de recebíveis são transações em que fraudes não são incomuns, e nossa meta é detectar 99% delas já na saída, antes de fazer a operação. Além de certidões, cadastros e afins, verificamos itens que podem parecer inusitados – por exemplo, um cadastro com e-mail de contato recém-criado já acende o sinal de alerta.

W!: Quais os principais desafios de empreender neste segmento?

JM: O principal desafio é lidar com o número de fraudes. Por isso, avaliamos minuciosamente todas as informações da nota de ambos os lados: e-mail, site, telefone, tempo de empresa, perfis dos sócios, faturamento, score de risco do título, tanto do cedente como do sacado. Mas com tecnologia superamos esses desafios.

W!: Quais as perspectivas de crescimento da empresa para 2020?

JM: Com um ticket médio de R$ 1,5 mil por nota e operações em torno de R$ 10 mil por cliente, a Cacau já transacionou R$ 3 milhões desde janeiro de 2019, quando iniciamos o projeto piloto. A expectativa era transacionar R$ 50 milhões em 2020 e lançar uma linha de microcrédito para MEIs, de R$ 500 a R$ 2 mil. Com o momento atual, acreditamos que teremos uma demanda maior ao final dessa crise, inclusive com injeção de recursos do BNDES e da Caixa em empresas como a nossa, para que essa fatia de empresários seja atendida em sua necessidade de capital, que com certeza será agravada.


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