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Fintech de investimento quer tornar energia solar mais acessível

Fundada em 2018, a Solfácil já recebeu R$ 25 milhões em aportes e está com o faturamento dez vezes acima do registrado em 2019

POR Adriana Fonseca | 09/10/2020 15h27 Fintech de investimento quer tornar energia solar mais acessível Imagem Arek Socha (Pixabay)

Ao perceber que o maior gargalo em geração de energia distribuída no Brasil era financiamento — 90% das pessoas querem colocar um sistema de energia solar na sua casa, segundo pesquisa do Ibope –, Fabio Carrara teve a ideia de criar uma fintech de financiamento de energia solar. Assim, em 2018, nasceu a Solfácil, que desde então já financiou cerca de R$ 75 milhões em projetos de energia solar.

Energia solar mais acessível

O empreendedor explica que, de acordo com pesquisa da Anbima, somente 8% dos brasileiros poupam dinheiro, o que limita a capacidade para investir em um sistema de energia solar. “No caso da Solfácil, o cliente adquire o sistema sem necessidade de investimento inicial. A dor que queremos resolver é permitir que as pessoas que não têm esse recurso possam acessar geração distribuída sem desembolso nenhum, porque financiam 100% do sistema, e com ganho imediato, pois a parcela do nosso financiamento é menor que a economia de energia”, diz ao Whow!.

De forma ainda mais detalhada, o que a startup faz é financiar o projeto e a instalação da energia solar residencial em até 120 vezes. E, como disse Fabio, o valor pago mensalmente pelo cliente no financiamento costuma ser menor do que o valor que se pagava anteriormente na conta de luz.

Segundo a fintech, a prestação mensal fica até 30% inferior ao custo com a conta de energia elétrica. “Na prática, o consumidor substitui um custo — a conta de energia elétrica — por um investimento, que é a compra do sistema de energia solar.”

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 Mercado em ascensão

O mercado de energias alternativas, principalmente as chamadas energias limpas, como a solar, está em ascensão. De acordo com estudo publicado em setembro pela Empresa de Pesquisa Energética para o Plano Decenal de Expansão de Energia 2030 (PDE 2030), a fonte solar distribuída deve movimentar investimentos de até R$ 70 bilhões em 10 anos, caso não se tenha grandes mudanças nas regras atuais para a remuneração da energia gerada. 

Fabia diz que, em 2019, a fonte solar distribuída foi protagonista no setor, com 1,5 Gigawatts (GW) em capacidade instalada, com potencial para atingir 24,5 GW em 2030, no cenário mais otimista. “Nesse contexto, o financiamento tem papel essencial para o crescimento do setor de geração distribuída”, afirma. Dados da consultoria Greener mostram que, em 2018, 40% das empresas instaladoras optaram pelo financiamento como principal forma de pagamento de sistemas de energia solar, contra 17% em 2017. Em 2019, 81% das empresas efetuaram pelo menos uma operação de venda por meio de financiamento bancário.

O empreendedor diz que o diferencial da fintech é que os bancos não financiam projetos de energia solar com prazos tão alongados. “O principal fator de inovação foi justamente alongar os prazos para parcelas menores, o que só foi possível porque somos uma empresa especialista no setor, entendemos o mercado e seus riscos”, afirma. “A Solfácil é a primeira fintech solar do país e é especialista no setor. Com isso, desenhamos um modelo pioneiro com financiamento 100% digital, em que trabalhamos com os melhores integradores, validamos o projeto, verificamos a instalação, e temos a capacidade de monitorar o desempenho do sistema.” 

energia solar Imagem (Unsplash)

Hoje, a Solfácil tem 60 funcionários, e previsão de encerrar o ano com uma equipe de 100 pessoas. O faturamento, em 2020, está 10 vezes maior do que o registrado em 2019. “Estamos crescendo acima do previsto para 2020. Tivemos uma queda nos primeiros três meses da pandemia, mas hoje estamos com desempenho superior. A retomada está sendo bastante intensa”, afirma Carrara. 

Até o momento, a fintech já recebeu R$ 25 milhões em aportes em duas rodadas -Seed e Series A. Carrara revela que, em breve, a empresa trará novidades. “Vamos lançar dois novos produtos de crédito: linhas de financiamento para pessoas jurídicas e o parcelado sem juros.”


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