Fintech com sede nos EUA tem vagas abertas no Brasil. Por quê? - WHOW
Eficiência

Fintech com sede nos EUA tem vagas abertas no Brasil. Por quê?

A Origin tem sede no Vale do Silício, mas abriu escritório em São Paulo, mesmo sem ter clientes aqui, para manter brasileiros em sua equipe

POR Adriana Fonseca | 08/09/2020 13h00

A qualidade da mão de obra brasileira fez com que uma fintech americana optasse por abrir escritório em São Paulo e formasse, parte da equipe, com profissionais do Brasil. Ela também tem vagas abertas para posições no Brasil e em São Francisco, nos EUA.

“O Glio, a primeira empresa que fundei, operava exclusivamente no Brasil. Acabei conhecendo profissionais brasileiros incríveis e tive a oportunidade de trabalhar com alguns deles. Quando fundamos a Origin, estudamos contratar designers, gerentes de produto e engenheiros de software de outros lugares, mas a qualidade dos candidatos que eu tinha acesso no Brasil era muito mais alta do que em outros lugares”, explica o brasileiro João de Paula, cofundador da Origin e chefe de tecnologia da empresa. “Acabou sendo uma decisão fácil, motivada exclusivamente pela qualidade dos profissionais que encontramos no mercado brasileiro.”

Fundada por João e pelo sócio norte-americano Matthew Watson, a Origin é uma startup fundada em 2018 e que oferece ferramentas para os funcionários das empresas-clientes se organizarem financeiramente. Sua sede fica no Vale do Silício, nos Estados Unidos, e a fintech atende apenas clientes americanos, sem previsão de quando os negócios serão expandidos para outros países. “Nesse primeiro momento, estamos trabalhando para oferecer uma experiência incrível para os funcionários residentes nos Estados Unidos, de nossas empresas parceiras. Ainda não temos previsão de atuar no Brasil, porém, ele certamente está no topo da nossa lista de países pelo conhecimento que temos do mercado e dos problemas financeiros enfrentados diariamente pelos brasileiros”, comenta João.

 Startup oferece vagas com remuneração competitiva em dólar

O escritório na avenida Paulista foi inaugurado em 2018, poucos meses após a fundação da startup. 

“Já havíamos tomado a decisão de construir nosso time de produto, design e engenharia no Brasil, então foi natural o desejo de oferecer a eles o mesmo ambiente de excelência que oferecemos à nossa equipe que fica em São Francisco, na Califórnia”, afirma o empreendedor. 

No momento, toda a equipe está em home office, e João diz que o retorno ao escritório só ocorrerá quando for seguro para todos. “O que não imaginamos que vá acontecer pelo menos até os primeiros meses do ano que vem. Uma vez que essa colaboração presencial volte a ser segura, nosso time voltará a trabalhar do nosso escritório em São Paulo.”

Hoje, dos 38 funcionários que a fintech tem, 24 estão no Brasil, e há oito vagas abertas no país – mesmo com a crise causada pela pandemia. São posições para designers, gerentes de produto e engenheiros de software. Para atrair os talentos, a startup oferece remuneração competitiva em dólar.

A fintech recebeu um aporte de US$ 12 milhões em sua rodada série A liderada pelo fundo Felicis Ventures. 

Estresse financeiro das pessoas 

A pesquisa anual de Bem-Estar Financeiro da PWC dá pistas do prejuízo que os empregadores nos Estados Unidos têm devido ao estresse financeiro de seus funcionários. Entre os entrevistados, 35% dos funcionários alegaram se preocupar com suas finanças enquanto trabalham e 54% apontaram que o dinheiro é sua principal fonte de estresse – depois aparecem trabalho (18%), relacionamentos (12%) e preocupações com a saúde (11%). O prejuízo causado por essas distrações se reflete na produtividade e na frequência ao trabalho – um em cada cinco entrevistados disse que sua produtividade é afetada por preocupações financeiras. 

“O problema que estamos resolvendo – o estresse financeiro – é um problema universal, que afeta bilhões de pessoas de todas as nacionalidades, e não temos dúvidas de que todas essas pessoas seriam beneficiadas pelo acesso a uma solução como a Origin”, comenta João. “Entretanto, a origem desse estresse é local: os empréstimos estudantis são um problema muito maior nos Estados Unidos do que no Brasil, por exemplo. É necessário profundo conhecimento dos problemas financeiros enfrentados em cada local para que possamos apresentar uma solução.”


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