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Exclusivo: Doutora em finanças para startups comenta as três dores dos pequenos negócios

Bruna Losada, pós-doutora em finanças para startups, comenta sobre o lançamento do seu livro sobre o tema, e explica as três dores latentes do empreendedor

POR Carolina Cozer | 25/03/2020 17h23 Exclusivo: Doutora em finanças para startups comenta as três dores dos pequenos negócios Imagem: Pexels

Buscar conteúdos de empreendedorismo em livrarias é se deparar com infinitos livros sobre o assunto. Alguns exemplos muito famosos são: A Startup Enxuta, Do Sonho à Realização em 4 Passos, Organizações Exponenciais, entre outros. Estes livros, contudo, explicam muito sobre estratégia e operações com foco em inovação, mas deixam um pouco de lado uma das áreas mais complexas das startups: as finanças.

Os exemplos acima foram dados por Bruna Losada Pereira Mussa, Pós-Doutora em Finanças para Startups pela Universidade da Columbia, nos Estados Unidos, e que está prestes a lançar um livro com essa temática. Ela contou ao Whow!, com exclusividade, sobre o lançamento e adiantou parte de seu conteúdo, que consiste em analisar as finanças corporativas para negócios pequenos, médios, jovens ou startups em geral.

A doutora em finanças para startups

Bruna Losada, que teve todas as suas formações acadêmicas e profissionais em finanças corporativas, adentrou com força no universo das startups durante seu Pós-Doutorado nos Estados Unidos. Lá, teve a chance de conhecer este ecossistema, investidores, anjos e fundos.

Na prática, ao longo dos anos, ela trabalhou com consultorias em finanças para empresas de portes diversos, além de mentorias para startups, especialmente em relação às finanças estratégicas.

Bruna também é professora e ministra aulas, workshops e palestras em programas de MBA e MBA executivo. A motivação para ensinar, ela diz, vem do fato de que a comunidade de inovação brasileira carece de conteúdo técnico, e são desassistidos para as nuances e especificidades de finanças.

E esta motivação para ensinar vai se estender para as livrarias; em maio, seu livro Finanças para Startups será publicado pela editora Saint Paul, e contará com conceitos essenciais de finanças corporativas adaptados aos pequenos negócios.

A ideia do livro, Bruna conta, surgiu através de duas pessoas próximas, que questionaram a possibilidade de ela passar seus conhecimentos de modo bibliográfico. Através dessa faísca, ela começou seu programa de Pós-Doutorado e, posteriormente, escreveu o livro.

finanças Foto: Bruna Losada (arquivo pessoal)

Carências dos pequenos negócios

Buscar conteúdos baseados em finanças para negócios pequenos e startups pode ser uma experiência frustrante para o empreendedor. Bruna explica que não há literatura ou conteúdos suficientes que falem diretamente com as nuances desses negócios. 

“A maior parte da literatura que existe sobre finanças foi pensada nas grandes empresas, que têm acesso a mercados que apenas elas conseguem ter. Elas conseguem escolher o tipo de financiamento querem, por exemplo.” As pequenas empresas, por sua vez, têm outra pegada: “Não têm o mesmo acesso a recursos de mercado financeiro, não têm a mesma relação com times de trabalho, têm problemas societários de natureza muito diferente, que dão origem a outras problemáticas de finanças”, explica.

Bruna diz que o livro busca exatamente atuar nessas carências, que não são resolvidas pela literatura internacional. 

“Esses livros não assessoram perfeitamente um negócio pequeno. Ainda, os que têm aqui no Brasil foram traduzidos de economias maduras, como os Estados Unidos, por exemplo, de forma tal que o produto que está acessível não atende a problemática brasileira, e tampouco o porte de empresa do empreendedor”

Bruna Losada Pereira Mussa, Pós-Doutora em Finanças para Startups

O livro conversa, também, com outros atores do ecossistema de inovação, como investidores-anjo, por exemplo, que queiram entender mais sobre esses modelos de negócio.

Primeira dor

“A primeira dor, e normalmente a mais latente é: como conseguir dinheiro para se sustentar. Cada opção de conseguir financiamento é mais ou menos apropriada para determinado momento de vida do negócio. Todo dinheiro vem com expectativas e amarras, logo, o ideal é pegar o dinheiro certo, na hora certa e para o momento certo. Isso envolve compreender as opções de funding, suas características e suas expectativas. No fim, as discussões acabam no que chamamos de economia real, que é onde está o PIB e os empregos. Em uma estratégia de negociação, o ideal seria que o empreendedor estivesse preparado com poder de negociação, para conseguir o dinheiro que quer e que é bom para o negócio ― não apenas o dinheiro que está disponível, porque isso pode ser uma armadilha.”

Segunda dor

“A segunda dor é fazer a gestão financeira de dia a dia do negócio. Às vezes esquecemos que uma startup ou uma pequena empresa é uma empresa em si. Há conceitos essenciais de finanças corporativas que temos que adaptar para o negócio pequeno. Não necessariamente essa [pequena] empresa terá uma contabilidade, porque muitas vezes essa formalidade é um privilégio de empresas maiores. Ainda assim, existem ótimas práticas que esses empreendedores poderão usar. Por exemplo, adaptar da melhor forma e aplicar conceitos de margem de contribuição, ponto de equilíbrio, custo de aquisição do cliente (CAC), lifetime value (LTV), projetar necessidades de investimento desse negócio em capital de giro, em cash burn operacional, e CAPEX. Todas essas coisas vão ajudar o empreendedor a fazer a gestão de seu caixa em curto e médio prazo.”

Terceira dor

“A terceira dor, por sua vez, gira em torno do valuation: como eu avalio quanto vale meu negócio. Essa pergunta aparecerá na mente do empreendedor várias vezes ao longo da vida da startup. Como estabelecer valor, e quais as práticas de valuation que existem? Esses conceitos vão ser essenciais toda vez que esse empreendedor tentar conseguir dinheiro com investidores, por exemplo, e também é fundamental para que os investidores entendam. Se você quer investir em uma empresa, você tem que minimamente ter uma referência sobre quanto esse negócio vale. Isso passa por compreender as alternativas que temos para definir o valor dos negócios, sempre aplicado às nuances de negócios pequenos, médios, jovens ou startups em geral.”



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