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Eficiência

Fazendas urbanas transformam a alimentação nas cidades

Agricultura urbana é um mercado bilionário em ascensão no mundo todo, e soluções inovadoras para produção de alimentos nas cidades se destacam por questões de sustentabilidade e logística

POR Daniel Patrick Martins | 06/09/2021 15h07

Em meio ao caos e à poluição das metrópoles, brotam verticalmente as fazendas urbanas. A tendência de uma agricultura mais sustentável, com uso de tecnologia para o cultivo, produção, colheita e distribuição de alimentos, está migrando do campo para as cidades. O mercado global de fazendas urbanas deve movimentar US$ 236 bilhões em 2023, com os jardins comunitários correspondendo à maior parte deste montante.

O conceito de fazendas urbanas surgiu em 1999 com o professor Dickson Despommier, na Universidade da Columbia, em Nova York. No entanto, foi a partir dos anos 2010 que o movimento ganhou força, em especial nos países que já enfrentavam problemas com a escassez de terras férteis para o cultivo, seja por conta da falta de áreas rurais, como Japão, Taiwan e Cingapura, ou por causa das dificuldades climáticas, como o Canadá.

No entanto, os benefícios da agricultura urbana vão muito além de ampliar a disponibilidade de terra para o cultivo. É o que destaca Guido Santini, coordenador do programa Food for the Cities em entrevista ao Globo Rural: “É um mecanismo muito eficaz para complementar o acesso à alimentação saudável, que permite maior proximidade dos consumidores com produtos frescos. Também pode promover emprego, geração de renda, inclusão social e uma maneira de tornar as cidades mais verdes”.

As fazendas verticais se destacam neste contexto por otimizarem o espaço com o uso de novas tecnologias do setor agro. No entanto, o universo das fazendas urbanas englobam desde plantações horizontais comunitárias em espaços públicos até as pequenas hortas domésticas. Recentemente, ganharam força neste cenário as fazendas em coberturas de prédios e as estufas em grandes espaços de trabalho, como shopping centers e fábricas. Entre os negócios brasileiros que surgiram neste setor, vale tomar como exemplo a BeGreen, que desenvolve fazendas urbanas para clientes B2B, a Pink Farms, que criou uma técnica inovadora de agricultura vertical indoor, e a YesWeGrow, marketplace de soluções para pequenos produtores urbanos.

“Designers de produtos estão encontrando maneiras de encaixar a produção de alimentos nos edifícios; arquitetos paisagistas estão reimaginando comunidades inteiras construídas em torno da produção de alimentos; e designers de serviços estão elaborando sistemas inovadores para distribuir alimentos para residentes de baixa renda, compartilhar espaços de cultivo e equipamentos de jardinagem, e construir quintais em escala agrícola”, diz Nevin Cohen, professor da The New School, em Nova York. “O interessante é que esse trabalho não se limita a designers profissionais. Os próprios agricultores urbanos estão projetando algumas das soluções mais criativas”, completa. Segundo a FAO, mais de 800 milhões de pessoas se dedicam a agricultura urbana no planeta.

A evolução deste cenário caminha para o conceito de “cidades inteligentes para alimentação”, em que produtores locais tornam suas comunidades autossuficientes e sustentáveis, apoiados por redes de distribuição impulsionadas pela tecnologia. É o que prevê o professor Duncan Cameron, diretor do Instituto de Alimentos Sustentáveis da Universidade de Sheffield, na Inglaterra.