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Fast food brasileiro robotizado promete ser o mais rápido do mundo

A startup gaúcha Bionicook desenvolveu um sistema 100% robotizado de preparo de salgados que promete fazer o atendimento em 3 minutos e 30 segundos

POR Raphael Coraccini | 06/08/2019 07h30

Em uma disputa entre fast foods no ano passado, uma unidade do Burger King na Califórnia foi apontada como a mais rápida do mundo em atendimento ao cliente. O tempo de atendimento médio foi de 3minutos e 40 segundos, segundo estudo anual da QSR, revista americana especializada.

O empresário brasileiro Fabio Rezler quer bater esse recorde. Ele está lançado a sua rede de franquias Bionicook de fast-food de pastéis e empanados operado apenas por robôs. Todo o processo de recebimento, preparação e entrega é realizado por um robô articulado. A ideia é que, em pedidos mais simples, o atendimento seja concluído em apenas 3minutos e 30 segundos. “Um minuto mais rápido que a média de atendimento feito por uma pessoa”, destaca Rezler.

TEMPO DE ATENDIMENTO BURGUER KING

3 minutos e 40 segundos

TEMPO DE ATENDIMENTO BIONICOOK

3 minutos e 30 segundos

A Bionicook está em negociações com 15 possíveis franqueados para iniciar sua expansão a partir do segundo semestre deste ano. A primeira unidade será lançada em julho, mas ainda não tem lugar definido. O empreendedor afirma que Caixas do Sul, Porto Alegre, São Paulo e Florianópolis estão no páreo. As unidades serão preparadas para atender o fluxo de shoppings, mas também eventos abertos, como jogos e shows, além de estacionamentos e drive thrus.

O cálculo de demanda da rede aponta para a necessidade de áreas de 15 a 24 metros quadrados para a instalação da cabine da Bionicook. Uma unidade tem estoque suficiente para dois dias de autonomia. O estoque é circulante e a máquina é responsável por repor os alimentos e bebidas nas prateleiras. A ideia é que os produtos saiam da fábrica e cheguem à mão do consumidor sem nenhum contato com mãos humanas.

Além dos sabores tradicionais, como carne e queijo, a startup também aposta em pastéis gourmetizados, como morango com Nutella e queijo provolone com alecrim.

ROBÔ FAZ-TUDO

O cliente da Bionicook pode fazer seu pedido de duas maneiras, pelo aplicativo ou por um totem na cabine. Após a confirmação do pedido, a cabine tem sua tampa levantada e o robô inicia a preparação. Depois de pronto, o pedido é colocado pelo robô em um deque de entrega. A mesma embalagem utilizado na chegada do produto é usado pelo robô para empacotar o pedido ao cliente final.

Todo o pagamento é feito por meios eletrônicos e a cabine não aceita papel-moeda. Segundo Rezler, além da preocupação com a segurança, a recusa em usar dinheiro em papel está relacionada à eficiência operacional.

“Tem um lado estratégico na recusa ao papel que é o fechamento de caixa e a troca de cédulas, que demandaria um trabalho extra, especialmente por se tratar de um sistema de franquias. Todos os pagamentos são por meios eletrônicos, inclusive bitcoins se ele comprar pelo app”, garante o empresário.

Nos testes, Rezler afirma que, durante o processo de fritura (que dura entre um minuto e meio e dois minutos), o robô atendente ficava inativo, o que poderia passar ao consumidor uma impressão de pane na máquina. A ideia foi criar ações interativas de comunicação entre robô com o consumidor para promover também pedidos extras.

Rezler afirma que não se preocupa com eventual perda de proximidade do consumidor com o atendimento, um temor comum no varejo ao automatizar o atendimento. “Não lançamos esse modelo de negócios para competir com restaurantes, onde o cliente conversa com o garçom, personaliza os pedidos. Nosso negócio vai atender um público de aeroporto e eventos, cuja necessidade é velocidade”, destaca.

A Bionicook concentra as informações de todas as unidades sobre vendas, oscilação da demanda e estoque e cada franqueado recebe essas informações de maneira eletrônica. Uma das preocupações de Rezler é evitar que o franqueado vá até a unidade por qualquer outra questão que não seja a reposição de alimentos. “É muito comum nas redes fazer balanço de estoque e pedir mercadoria para o dia seguinte, mas o nosso o franqueado não precisa nem mesmo fazer a compra dos produtos. A gente já sabe o que está acontecendo na cabine e abastece quando precisa”, explica Rezler.

“Nosso negócio vai atender um público de aeroporto e eventos, cuja necessidade é velocidade”

O EMPREENDEDOR

Antes de criar a Bionicook, Rezler trabalhava desenvolvendo soluções para a indústria de ônibus de Caxias do Sul. Com a crise, a indústria automotiva de Caixas sucumbiu.

“O mercado de ônibus vinha fortíssimo até 2014 e aí, infelizmente, as indústrias entraram em crise e a redução dos negócios foi de quase 90% na região”, conta o empresário.

Apesar da experiência em robotização, Rezler contou com a ajuda de parceiros para o desenvolvimento do robô atendente. A Auttom, subsidiária da alemã Kuka no Rio Grande do Sul, é a fornecedora do equipamento.

“Apesar de ser o criador do negócio e entender como programar, eu não programo o robô. Contratei a Autttom para isso, que é especializada na programação para vários segmentos, não só fast food”, destaca.

Rezler investiu no seu primeiro negócio próprio em 2016. À época, ele desenvolveu um equipamento que já evitava o contato do funcionário com os alimentos.

“Começamos a ter dificuldades para achar atendentes e manter um padrão de qualidade. Isso afetou a estratégia de crescimento e o fator diferencial não aparecia ainda. A partir de pesquisas e acompanhando um programa sobre robótica na TV eu tive o insight para o desenvolvimento deste novo negócio, a Bionicook”, detalha o empresário.


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