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Exclusivo: Ultragaz, inovação após os 80 anos

Empresa responsável por criar o mercado de botijões de gás e de fogões no Brasil sente o impacto da chegada das startups e passa por transformação digital

POR Luiza Bravo | 25/03/2020 09h00 Exclusivo: Ultragaz, inovação após os 80 anos Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76)

Qual a imagem que vem à sua cabeça ao pensar em uma empresa do setor de óleo e gás que foi fundada em 1937? Para a maioria das pessoas, certamente, a primeira ideia que vem à mente é a de um escritório tradicional, com executivos engravatados e funcionários trabalhando em suas baias. Essa era, de fato, a realidade da Ultragaz até pouco tempo atrás.

A empresa, que nasceu há quase 83 anos e foi pioneira no envase e venda de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) passa, há dois anos, por um processo intenso de transformação digital e inovação.

O início da revolução na Ultragaz

Tudo começou depois que a empresa passou por um processo de consultoria com o Boston Consulting Group.

“Já faz parte da cultura da empresa sempre querer fazer melhor. A transformação começou focando em mudanças de processos e de mindset para poder atender melhor o consumidor, com o desenvolvimento de uma área para solucionar as dores de logística do empresariado”, conta a líder de transformação digital da Ultragaz, Luanna Fioravante, com exclusividade ao Whow!.

A premissa adotada foi trabalhar de fora para dentro, levando para a empresa ideias e soluções de sucesso que já estavam sendo adotadas em outros segmentos. Foi montado um squad  – time multidisciplinar – com 12 pessoas, que ficaram encarregadas de encabeçar a área de transformação digital da empresa.

Ultragaz Foto Éric Visintainer (Blue room na Ultragaz)

Para acelerar o processo, um andar inteiro foi transformado na Blue Room, um espaço dedicado à execução e prototipação de projetos, que tem o objetivo de fomentar a inovação e a conexão da Ultragaz ao ecossistema de startups. O local funciona como um laboratório: atualmente, 13 squads desenvolvem soluções para os clientes por meio de metodologias ágeis, com o cliente no centro do processo.

“Não é sobre vender gás, é sobre como a gente facilita a vida do cliente através dessas soluções, não importa se B2B ou B2C. O objetivo é desenvolver soluções para tornar a vida melhor, tanto para o empreendedor, quanto para o consumidor final, através de parcerias estratégicas”

Luanna Fioravante, líder de transformação digital da Ultragaz

Resultados

Luiz Fernando Corandin, que é Product Owner da Ultragaz, diz que o processo reaproximou a Ultragaz de seus consumidores finais. “Tudo era pensado no representante. Com a transformação digital, voltamos a olhar para o consumidor final também. Adotamos métodos para mapear as dores dos clientes e desenvolver novas soluções”, disse ao Whow!, com exclusividade.

Para isso, a Ultragaz firmou parcerias com startups de diversos segmentos. No início, eram apenas duas empresas parceiras; hoje, são mais de 30. A empresa também fechou colaborações com hubs de inovação, para ter direito a usar seus espaços. A ideia é que os colaboradores circulem nesses ambientes, fazendo networking, participando de eventos e levando soluções de fora para dentro.

“Transformação digital não tem que ser uma área do futuro, tem que ser uma camada para toda a organização. Ela traz muito mais do que tecnologia: trabalha com pessoas e formas de fazer”

Luanna Fioravante, líder de transformação digital da Ultragaz

Segundo Luanna, hoje a empresa trabalha principalmente com horizontes de inovação 1 e 2 (melhorias incrementais e investimentos em oportunidades de inovação, respectivamente), e tem planos de expandir para o horizonte 3, que mira oportunidades de novos negócios e serviços. A possibilidade de aportes financeiros em startups não está descartada, desde que elas estejam alinhadas com as estratégias do Grupo Ultra (que detém, além da Ultragaz, Grupo Ipiranga, Oxiteno, Ultracargo e Extrafarma).

Hoje, a Ultragaz conta com parceiros nos Estados Unidos e Canadá, e está em vias de fechar uma parceria com uma startup israelense. Toda essa movimentação fez a empresa saltar da 35ª para a 8ª colocação no ranking da 100 Open Startups das companhias que mais interagem no ecossistema de startups.

Ultragaz Foto Éric Visintainer (Blue room na Ultragaz)

A importância da liderança

A transformação só foi possível, diz Luanna, porque a liderança da empresa se engajou verdadeiramente com o processo. “A principal dificuldade é o mindset. Mudar modelos, formas de trabalho, fazer as pessoas desapegarem do que já conhecem é o mais difícil. Outro desafio é adotar a inovação sem saber exatamente aonde ela vai levar, por isso o engajamento da liderança é fundamental. Todos são responsáveis pela mudança.”

Desde que começou sua transformação digital, a Ultragaz tem adotado tecnologias como inteligência artificial e machine learning para otimizar processos e permitir que seus profissionais foquem em atividades mais produtivas.

Além da interação com aceleradoras e startups, a empresa também conversa com outras gigantes do mercado, como Magazine Luiza, Ambev, Natura e L’Oréal para compartilhar dores e soluções.

O plano da Ultragaz é que o programa de transformação digital envolva toda a empresa nos próximos dois anos, de forma que as áreas atuem conjuntamente para a perseguição das metas.

“Inovação, para mim, é fazer tudo o que você precisa, sem apegos à forma como você sempre fez. É abrir sua cabeça para poder transformar coisas com o objetivo concreto de melhorar algo. Inovação é forma, não é o fim”

Luanna Fioravante, líder de transformação digital da Ultragaz

*Com colaboração de Éric Visintainer


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