“Eu não via relevância ou uma grande contribuição social no meu trabalho”, diz CEO da Beeva - WHOW

Inovação

“Eu não via relevância ou uma grande contribuição social no meu trabalho”, diz CEO da Beeva

A Beeva certamente está trilhando um caminho de impacto social, ambiental e econômico, caracterizando-se, como o próprio CEO define, como “uma empresa motivada pela prática”

POR Isa Carrard | 15/02/2022 16h54

A importância da apicultura ainda pode ser muito subjugada, fato que reflete a posição inexpressiva que o Brasil ocupa no ranking mundial de produtores de derivados de apicultura (14° lugar). Mas a Foodtech Beeva, que chegou ainda em 2020, com dois anos de planejamento e uma proposta totalmente ESG, já está trilhando o caminho certo para revolucionar a ótica sobre esse mercado.

Por trás da criação do projeto sustentável existe a história de Jatyr Oliveira, CEO da Beeva. Santista, começou cedo uma carreira nas Forças Armadas. Ainda que dedicado, em um dado momento confessa que deixou de enxergar uma verdadeira contribuição social advinda daquele trabalho, o que o fez voltar a estudar. Ingressou para o curso de Engenharia na USP, momento em que também trabalhou em multinacionais como a Monsanto e a Votorantim Cimentos. Ainda assim, sabia que não havia atingido a contribuição social que tanto almejava.

Existem trajetos perfeitamente delineados: sem a frustração com a carreira nas Forças Armadas e com a carreira de engenheiro de uma multinacional, o empreendedor talvez não teria começado a atuar como consultor. E foi na consultoria que conheceu o projeto encantador de um dos seus clientes: uma minicidade sustentável em uma área urbana de 400 hectares.

O projeto era de um grupo suíço e o planejamento reduzia diversos aspectos do impacto socioambiental. Dentro desse plano de redução de impacto estava a apicultura. A partir desse momento, Jatyr pode compreender a urgente demanda pela manutenção desses insetos em variados ecossistemas.

O crescente desmatamento no país, com monoculturas que quase sempre dependem de pesticidas, contribuem para a extinção de um inseto precioso para o equilíbrio do ecossistema: abelhas. A nível ambiental, assim como outros animais polinizadores, elas são vitais para culturas que produzem frutas e sementes. A nível econômico, US$ 235 a 577 bilhões do valor de produção alimentar global depende desses insetos, segundo dados da Plataforma Intergovernamental Científica e Política sobre a Biodiversidade e os Serviços Ecossistêmicos.

Já era visível a necessidade de um empreendimento como a Beeva, mas qual seria a localização ideal?

A sede da Beeva, construída com conceitos ecológicos de design biofílico e com reaproveitamento de recursos, foi montada em Marechal Deodoro, 20 km da capital Maceió. A localização contemplava outro desejo de Jatyr: beneficiar a região da caatinga brasileira, que ocupa 10% do território nacional (maioria na região Nordeste) e é a mais ameaçada. O Ministério do Meio Ambiente apontou que 46% da caatinga já foi desmatada por extração ilegal de lenha, conversão para pastagens e agricultura.

A região carrega um grande potencial ecológico, rica em biodiversidade. Além disso, com mais de 27 milhões de habitantes, possui o menor Índice de Desenvolvimento Humano do país. Muitos foram os motivos para fundar a Beeva na região, como complementa o CEO: “Para nós é importante que a sustentabilidade não seja algo paralelo. O desenvolvimento sustentável é transversal a qualquer negócio”.

Negócios que contribuem verdadeiramente para o cenário social, global e econômico, não podem se dar ao luxo de apontarem apenas para uma direção, e por isso a Beeva possui três desdobramentos de negócio. Primeiro, o processamento e comercialização do mel, que só ano passado atingiu 120 toneladas vendidas (80% do que o estado inteiro do Alagoas comercializa). Segundo, dedicando-se à pesquisa e desenvolvimento de melhores práticas de apicultura, capacitando produtores. O terceiro desdobramento é o Instituto Beeva, que replica as técnicas desenvolvidas pela unidade de pesquisa e também mapeia a procedência dos derivados. “É realmente um censo da caatinga”, diz Jatyr.

Rumo a completar 2 anos de negócio, a Beeva, ainda que jovem, é uma empresa que certamente está trilhando um caminho de impacto social, ambiental e econômico, caracterizando-se, como o próprio CEO define, como “uma empresa motivada pela prática, pelo exemplo concreto”.