Esqueça a terapia das compras. A onda agora é consumo consciente no varejo - WHOW

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Esqueça a terapia das compras. A onda agora é consumo consciente no varejo

Uma mudança em vigor há pelo menos uma década ganha ainda mais fôlego. Conheça algumas estratégias para este modelo de negócio

POR Adriana Fonseca | 30/04/2020 09h30 Foto ilustrativa Artem Beliaikin (Pexels) Foto ilustrativa Artem Beliaikin (Pexels)

Até os consumidores mais extravagantes começaram a ter mais discernimento sobre o impacto de suas escolhas no ambiente e na sociedade. A afirmação, que pode soar muito contundente para alguns, é de Philipp Rickenbacher, CEO do banco privado suíço Julius Baer. Ao escrever um artigo sobre o tema, o executivo fala das gerações mais novas e da ideia do minimalismo que permeia aqueles com menos idade.

“Isso pode parecer idealista e um pouco extremo, pois é verdade que a humanidade sempre valorizou tanto as experiências quanto as coisas. E isso inclui a apreciação do artesanato, materiais e processos premium por trás da produção de um item – algo que tornou os produtos de luxo atraentes desde que surgiram”, afirma Philipp.

“Hoje, no entanto, de quem você compra é tão relevante quanto o que você está comprando”

Philipp Rickenbacher, CEO do banco Julius Baer

Em uma pesquisa global realizada pelo The Conference Board, 81% dos consumidores em todo o mundo sentem fortemente que as empresas devem fazer mais para preservar o meio ambiente.

Surpreendentemente – na visão do executivo –, esse é particularmente o caso nas economias emergentes, onde as pessoas são mais inclinadas do que os indivíduos em países mais ricos a escolher um produto que é produzido de maneira justa ou com o mínimo impacto ao meio ambiente. Talvez, elucida o CEO, isso aconteça porque as pessoas das economias em desenvolvimento estejam experimentando os efeitos negativos, geralmente provocados pelo homem, do rápido crescimento econômico em primeira mão e, portanto, são mais sensíveis a eles.

Importante ressaltar que o consumo consciente não é apenas sobre o que se veste. Tudo é incluído nessa conta: onde vivemos, como nos mudamos, os alimentos e bebidas que consumimos, como seus ingredientes foram cultivados, processados e embalados, e o que acontece com as sobras quando terminamos de consumir.

Depois que os consumidores fizerem progressos na escolha de bens e serviços menos prejudiciais para outros seres humanos e o meio ambiente, essa consciência migrará inevitavelmente para os portfólios de investimento. “Acredito firmemente que é papel do setor de serviços financeiros oferecer a seus clientes os meios para investir em sustentabilidade, se eles optarem por fazê-lo”, comentou Philipp.

varejo Foto ilustrativa Artem Beliaikin (Pexels)

Incentivo ao consumo consciente pelo varejo

As empresas devem demonstrar que têm um propósito além do lucro, uma bússola moral inabalável e uma cultura de responsabilidade ambiental e social. Quem fala isso é Shireen El Khatib, CEO de uma empresa de shopping center em Dubai e reconhecida pela revista Time como uma das dez mulheres que revolucionaram o setor de luxo no mundo.

“Isso se estende até o consumidor e oferece a varejistas, como nós, uma grande oportunidade de oferecer aos nossos clientes as opções éticas que eles procuram. Como varejistas, também temos uma oportunidade única de influenciar o comportamento em benefício da sociedade em geral”, escreveu Shireen em um artigo publicado este ano.

Ela dá exemplos práticos de como isso está sendo feito no varejo.

“Como varejistas, podemos atrair as pessoas a serem mais responsáveis em termos ambientais oferecendo descontos para copos reutilizáveis ou pontos de fidelidade para reciclagem, por exemplo”

Shireen El Khatib, CEO de uma empresa de shopping center em Dubai

Ela cita como bom exemplo um esquema de devolução de garrafas de plástico na Alemanha, que registrou uma taxa de sucesso de 98%, com outros países seguindo o exemplo. E fala também de iniciativas como estacionamento prioritário, estações de carregamento de veículos elétricos e painéis solares em shopping centers. “Trata-se de tornar fácil e atraente para as pessoas adaptarem seus hábitos bem estabelecidos, pouco a pouco,” descreve a executiva.

O que se nota é que as empresas que colocam a sustentabilidade em primeiro plano não apenas provocam boa vontade nos consumidores, mas também garantem uma vantagem de mercado.

Um exemplo é a empresa americana Patagônia. As vendas e o reconhecimento da marca de vestuário aumentaram desde que a companhia dobrou seus esforços para reduzir seu impacto ambiental há uma década, implementando uma cadeia de fornecedores sustentável, oferecendo reparos e revenda de produtos mais antigos e até abrindo uma nova vertical em alimentos ecologicamente conscientes. No ano passado, a empresa chegou a dizer que não fabricaria mais vestuário para empresas que não se alinhavam à sua missão.

Consumidor precisa ser educado sobre o consumo consciente

Em alguns casos, ser um consumidor responsável requer abrir mão de algum grau de conveniência – e isso pode assustar os empreendedores, que enfrentam a concorrência de grandes empresas que entregam no mesmo dia produtos comprados em suas lojas virtuais. Uma opção para os varejistas que não sentem que podem cortar completamente a entrega a curto prazo é ao menos oferecer aos consumidores uma escolha – e educá-los sobre o impacto.

A empresa alemã Organic Baby Food, por exemplo, oferece entrega expressa por três dias, além de uma opção de transporte “favorável ao clima” de 30 dias que, explica, é “100% neutra em termos de clima com zero emissões”.

No Brasil, a marca de produtos de limpeza naturais Positiva tem essa opção. O cliente pode escolher pela entrega “normal” ou a “ecológica”, assim explicada ao consumidor: “O impacto positivo dos meios de transporte ecológicos é tão representativo que uma pedalada de apenas 14 km deixa de emitir 1 kg de CO2 em nossa cidade e você está contribuindo para esse movimento”.

Talvez a mudança mais essencial para o setor de varejo se tornar de fato responsável em termos de consumo seja colocar esforço para ajustar a mentalidade de quem compra.


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