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Como o esporte inspira o empreendedorismo de alta performance

Mentalidade do esporte de alto rendimento é a mesma do empreendedor que precisa superar os altos e baixos da jornada em busca do sucesso

POR Daniel Patrick Martins | 09/09/2021 19h50

O empreendedorismo existe para resolver dores que existem no mercado, e este movimento engloba inclusive os pequenos negócios que nascem por uma questão de necessidade pessoal, por exemplo. No entanto, quando falamos em alta performance, estamos olhando para os empreendedores que miram, por meio da sua empresa, a liderança dentro de um segmento.

Neste sentido, há uma série de características mentais e comportamentais que estão associadas ao empreendedorismo de alta performance.  A primeira delas, que é o ponto inicial para este tipo de jornada empreendedora, é se reconhecer como tal e, portanto, confiar na própria capacidade de criar um negócio disruptivo. É o que destaca Camila Farani, empresária e investidora-anjo em entrevista à Gene PME.

“Acredito que, para empreender, os maiores impeditivos são a falta de autoconfiança e de autoconhecimento por parte do empreendedor. Quando a pessoa acredita em si mesmo e entende quais são seus objetivos ao empreender e principalmente aonde pretende chegar, tudo fica infinitamente mais fácil. Hoje isso soa como clichê, mas a verdade é que somente entendendo seus pontos fortes e fracos, você consegue direcionar sua vida trazendo pessoas que são melhores do que você naquilo que você não é”, afirma a investidora.

A visão de Camila Farani está de acordo com uma pesquisa interna realizada pelo Google, que identificou as características de liderança associadas às equipes de maior performance na empresa. Adam Leornard, que trabalha com o desenvolvimento de lideranças no Google School for Leaders, explica que a segurança psicológica do líder ecoa no resto dos colaboradores, e isso gera resultados na prática. “Em trabalhos que envolvem conhecimento, você contrata as pessoas pelo o que elas são. E se você as insere em um ambiente com baixa segurança psicológica, elas não se sentem seguras para serem elas mesmas, para assumir riscos ou discordar. Então, você tem essa inteligência em potencial que não é totalmente utilizada”, explica o especialista.

O esporte e o empreendedorismo de alta performance

Muitas vezes, o próprio conceito de alta performance já remete ao cotidiano dos atletas profissionais. E, de fato, há muito em comum entre o empreendedorismo e o esporte. Já reparou quantas vezes as palavras “equipe” e “time” são usadas em ambos os contextos? Jose Gutierrez, sócio da ACE Startups, faz um paralelo entre os dois universos em artigo para o UOL, no qual afirma que “para gerar resultados, um líder precisa ter a mentalidade de um esportista de alta performance”.

Segundo o especialista em startups, há três lições que sustentam tanto o ato de empreender quanto o de praticar um esporte de forma competitiva. A primeira é compreender que o resultado depende do próprio desempenho, e não jogar responsabilidade para outros fatores. A segunda é que não adianta atuar com base no desempenho dos outros – dessa forma, o empreendedor torna-se apenas um seguidor, e nunca quem dita a velocidade da corrida. Por último, Gutierrez destaca que melhorar constantemente é a única forma de sempre ser visto como líder.

Em algumas oportunidades, o esporte e o empreendedorismo de alta performance encontram-se em uma mesma pessoa. São os casos de Pedro Chiamulera, fundador da Clearsale, Luiz Mattar, CEO da Tivit, e Cristina Palmaka, presidente da SAP na América Latina. O primeiro participou de duas Olimpíadas na equipe de atletismo do Brasil; o segundo já esteve entre os 30 melhores tenistas do planeta; e a terceira corre há quinze anos e já completou dezenas de maratonas.

Em 2015, os três empreendedores de alta performance participaram de um bate-papo organizado pela Endeavor e discutiram a influência do esporte em suas carreiras. “O grande aprendizado é a resiliência. Aprender a lidar com o emocional durante uma maratona é extremamente importante. No dia-a-dia dos negócios, é igual. Surgem problemas com negociação, com o time, com o mercado, tudo isto traz um peso emocional. Nessa hora, o empreendedor, assim como o esportista, tem que se manter racional, identificar o problema e sair pelo outro lado”, analisa Cristina Palmaka.