Especialistas destacam dicas para corporações e startups interessadas no processo de M&A - WHOW

Vendas

Especialistas destacam dicas para corporações e startups interessadas no processo de M&A

Representantes de Sympla, ACE, BlackRocks Startups e Astella comentaram sobre melhores práticas do mercado para fusões e aquisições

POR Eric Visintainer | 25/02/2021 14h00 Imagem: Shutterstock Imagem: Shutterstock

O ano passado teve períodos de recorde no processo de M&A, com foco nas fusões e aquisições de startups por corporações, como o portal Whow! mostrou mensalmente no seu Especial de Investimentos em Startups Brasileiras e também divulgado no mercado de empreendedorismo.

E para mostrar melhores práticas sobre estratégias para este modelo de investimento, aconteceu nesta semana uma palestra online realizada pelo Grupo Movile, com representantes da BlackRocks Startups, ACE, Astella e Sympla.

Além disso, a discussão passou pelo melhor momento em se pensar no processo de M&A,  smart money (modelo de investimento que acompanha o compartilhamento de experiências por parte dos investidores) e o trabalho necessário na cultura das grandes empresas ao realizar uma fusão.

Lucas Abreu, analista da empresa brasileira de venture capital Astella, comentou que os recordes no último ano apontam para a evolução do ecossistema nacional de startups. “2020 foi um ano com recorde de fusões e aquisições e o maior recorde no setor de tecnologia: 1.038 no total e 38% no setor de tecnologia. A evolução do M&A neste mercado de tecnologia é uma prova do ecossistema mais maturo. Isso gera liquides para os investidores, founders e colaboradores, e retroalimento o ecossistema”, disse.

Já a CEO da BlackRocks Startups, hub de inovação que tem o objetivo de incentivar a população negra a acessar o ecossistema de startups, Maitê Lourenço, analisou que os altos valores investidos ainda estão distantes das comunidades na sociedade brasileira. “Ao mesmo tempo que existem oportunidades, vemos poucas passando pelas periferias, mesmo fora do Sudeste e o quanto falta para olharmos para os negócios que não estão nos eixos de indicação”, destacou.

Os diferenciais do smart money no processo de M&A

Maitê completou ao falar que o modelo de smart money aparece como uma das principais formas de alavancar os negócios de empreendedores negros no Brasil. “Qualquer tipo de apoio voltado para a população negra, mesmo que com impacto social e não financeiro, às vezes acaba sendo o único recurso que podemos ofertar (troca entre empreendedores, investidores e empreendedor, e conexão com parceiros). Para os empreendedores é crucial, pois chegam sem nenhum tipo de rede. E para os empreendedores negros o maior desafio é o acesso”, disse.

Na visão de Lucas o smart money se tornou um diferencial no processo de M&A, uma vez que a disponibilidade de dinheiro para investimento é atualmente uma commoditiy.

Arthur Garutti, sócio da empresa de inovação ACE, adicionou que deve-se encontrar uma combinação entre quem empreende e quem quer investir, pois existem fundadores de startups que escolhem não seguir pelo caminho do aporte de capital de risco, mas mesmo assim querem impactar a sociedade. “O smart money precisa ser um match making com os desejos do investidor com os do empreendedor. Precisa encontrar um perfil de investidor que queira comprar este sonho. O venture capital no Brasil ainda não representa 0.5% do PIB, enquanto nos Estados Unidos ele já é 2-3% do PIB do pais.”

O momento ideal para fusões e aquisições

Mas como uma startup ou a empresa já estabelecida pode avaliar qual é o momento mais propício para uma fusão ou aquisição? Os especialistas destacaram alguns elementos que podem ser indicativos para um melhor cenário.

“Existem três elementos: o empreender quer vender o seu negócio, se o sonho acabou; fazer o negócio sobreviver; ou sozinho não vai atingir o sonho grande. Se você quer ser vendido, provavelmente vai vender a um valor menor. Mas se alguém chega para te comprar, você terá um valuation maior”, apontou Arthur.

Para Felipe Sakurai, gerente de estratégia da Sympla, o momento ideal é complexo de se encontrar. Porém, ele comentou que a estratégia da empresa deve dar o rumo de quando o M&A fará sentido. “Na parte da estratégia, precisa-se entender como o M&A se encaixa na empresa, se será para novos produtos, localizações geográficas ou novos segmentos. Tendo as teses bem definidas, quando há uma oportunidade fica mais fácil de encaixar”, disse o executivo que ainda exemplificou que pela Sympla fazer parte da Movile, quando ela vai ao mercado para avaliar possíveis candidatos para novas aquisições, o grupo também dá o suporte técnico para o processo. Em 2016, a startup comprou a Eventick.

E a CEO da BlackRocks Startups alertou para o fato de que o processo de M&A dará à startup um novo sócio: “É necessário avaliar o quanto você está disposto a ter uma pessoa ou empresa com você no dia a dia. Depende do que você deseja.”

investimentos


+INVESTIMENTOS EM STARTUPS

25 aportes e 8 aquisições em janeiro de 2021
16 aportes e 12 aquisições em novembro de 2020
38 aportes e 7 aquisições em outubro de 2020
17 aportes e 11 aquisições em setembro de 2020