Especialista ensina como usar a gamificação contra os inimigos da inovação - WHOW

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Especialista ensina como usar a gamificação contra os inimigos da inovação

Graziela Di Giorgi mostra como o espaço à diversidade de opinião e a inclusão real de equipes aumenta a assertividade das empresas 

POR Ana Weiss | 12/11/2020 11h30 Imagem: Pexels Imagem: Pexels

Engenheira de produção de formação, Graziela Di Giorgi traz ao Whow! Festival de Inovação 2020 a experiência única de alguém que partiu do hiperfoco nos processos estabelecidos para descobrir que as respostas para maior assertividade, entrega e sucesso precisavam ser buscados quebrando os modelos cartesianos das organizações: como a inclusão de muitas diversidades, sobretudo a diversidade de opinião, a criatividade e o uso de ferramentas como a gamificação.

“Há anos trabalho como consultora e me relaciono com empresas. Vi que é tão comum a necessidade de melhoria de processos, que cheguei a uma questão: será que não existe um problema na forma como lidamos com os problemas de processo?”, conta. Hoje, a CGO da Scope, palestrante internacional e professora de Inovação encontrou na antropologia, arte, psicologia e em áreas bem distantes da engenharia algumas respostas.

Ela conta na apresentação o porquê, o que e o como a criatividade, diversidade e engajamento dos times estão no centro de processos efetivos e verdadeiramente inovadores. “Hoje o que trago é a combinação da engenheira com o lado criativo para responder a essas perguntas”, comenta Graziela.

Em uma pesquisa com 20 grandes agências do Brasil em que conversou com CEOs, diretores de atendimento, diretores de planejamentos e outros líderes, a especialista conta que chegou à conclusão que o grande ponto cego dos processos é não levar em consideração as pessoas. “Na realidade, hoje vemos o contrário: os processos mantidos para pessoas se protegerem das pessoas”.

A organização em camadas burocráticas que inibem a espontaneidade e a diversidade de pontos de vista, matando toda a pluralidade que existe no ser humano. A burocracia e a hierarquia acabam privilegiando os processos conhecidos às melhores soluções. “É preciso criar áreas de inclusão das pessoas dentro da cultura corporativa para criar produtividade”, conclui a consultora de seus anos de observação e atendimento a empresas onde ela encontrou problemas diferentes, mas de mesma origem.

Ela ainda diz que é preciso atuar na engrenagem das companhias até que se torne uma cultura que privilegie a diversidade, a variedade e a espontaneidade. “É uma questão de falta de ecologia das empresas”, diagnostica, comparando ao mundo natural, onde não há bioma que sobreviva sem a participação de espécies diferentes.

O que mais promove a falta de diversidade nas empresas?

Graziela enumera cinco fatores invisíveis que atuam nas decisões das empresas, travando a melhoria de seus processos:

1. Aversão à perda

2.“Efeito Posse”

3.Viés curto prazo

4.Status Quo

5.Efeito Manada

São em resumo cinco manifestações que têm o gatilho no medo gerado pela vigência do modelo cascata de decisões. “Temos duas vezes mais medo de perder do que gosto por ganhar”, explica a professora. Assim como a aversão à perda e o “Efeito Posse”, a engenheira mostra como o status quo, a hierarquia alimentada por um constante medo de errar como formas que encaminham os colaboradores para uma menor produtividade e qualidade de entrega.

Ela propõe um exercício de engajamento: “O que faz a gente se vestir de branco no Ano Novo no Brasil? É o nosso desejo de pertencimento de fazer parte de algo maior.” Repetimos o que nossos pais fazem por essa necessidade que constrói a cultura de um lugar. Diferentemente dos processos, quem faz o ritual, mesmo sem saber dizer os motivos, acredita no que está fazendo.

O mesmo impulso pode levar ao consenso fácil em uma reunião. Em culturas de controle isso gera um ambiente intimidador, sem autonomia.

Mas o que se alcança com a disrupção?

  • A palavra é produtividade. Precisamos de mais processos que facilitem o trâmite de informações e menos reuniões;

  • Reunião com dinâmica preparada, agenda fixa e resultados claros esperados. Pactuar os compromissos com processos, recursos e prazo;.

  • Integração total e processos naturalmente fluídos.

Uma das soluções apresentadas pela CGO da  Scopen é o envolvimento com o tom de convite dos colaboradores para a participação de ações. Não comandos. Para ela, não há como tirar um desempenho de uma equipe sem dizer os porquês das ações que precisam ser colocadas em prática. “É preciso diminuir a burocracia e o excesso de etapas: Ser mais fluido”, explica.

Processos burocráticos minam o respeito por uma estratégia, ensina a especialista.

Dicas e o poder da gamificação nos processos 

gamificação Imagem: Unsplash

A partir da pintura de uma cena medieval de Peter Bruegel (Jogos Infantis, 1560), a consultora mostra como gostos, desejos e necessidades humanas, como os jogos e brincadeiras, permanecem na cultura apesar de toda a evolução social e tecnológica. “Não brincamos da mesma maneira, mas ainda sentimos necessidade de nos distrair, nos divertir”, diz.

E a partir disso ela propõe trazer os elementos que nos fazem espontaneamente jogar para dentro dos problemas de uma empresa: Como transformar o processo de concorrência em algo mais justo, real e assertivo. E, por que não, mais criativo, construtivo e divertido?

Para tirar o bloqueio de produtividade dentro de um ambiente em que impere o status quo, Graziela recomenda a “Mágica do Por quê”, que nada mais é do que explicar a razão, a motivação por trás de orientações e comandos.

Já para desarmar o viés do curto prazo, a especialista recomenda usar justamente um padrão mental que pode nos atrapalhar, mas de forma consciente: os rituais. “A ciência comprova que a maior parte dos atletas bem-sucedidos mantém pequenos rituais, repetidos sempre antes das competições têm melhor desempenho”, explica. Segundo ela, isso se deve a uma forma de adestramento mental, de introjetar um estado de confiança e segurança — gerados pela fé no ritual — que atenuam a ansiedade e aumentam a auto-confiança e o otimismo necessários aos Quick Wins.

Com a sensação de produtividade, a mente passa a sensação de superação que é estimulante o suficiente para que, se errarem, eles tentem de novo para obter essa sensação de flow (ou fluxo contínuo), que é a confluência entre o nível de desafio e de competência. “Se o nível de complexidade do desafio é muito maior que a minha capacidade, vou me sentir ansioso. Se for menor, entediado, apático.” Se há equilíbrio entre o desafio e a habilidade, a aversão à perda dá lugar à coragem. Empolgados, ou no fluxo, abraçamos a missão com foco, conta a especialista.

Por que os videogames são tão populares? 

“Porque adoramos receber um bom feedback sobre o nosso desempenho”, responde a professora destacando que a ferramenta faz isso com foco no objetivo, não nas pessoas e ajuda o jogador a rastrear seu próprio domínio de habilidades em direção às metas. Essa recompensa que é o feedback gera o engajamento real.

Os resultados da aplicação dessa disrupção se refletem nos números. Graziela apresenta um portfólio da aplicação da mudança cultural com o sucesso no trabalho com mais de 40 processos, com 95% dos clientes felizes e uma economia de mais de R$ 36 milhões para as empresas atendidas.

A consultora cita o conceito do autor James P.Carse sobre jogos finitos e infinitos. A diferença básica está na motivação.

O primeiro é jogado com a finalidade de ganhar. O segundo com o propósito de seguir jogando, explica. O problema dos processos cabem dentro da primeira categoria.

Mas, resolvidas as pendências, acrescenta ela, é o momento de partir para criar tendências e esse é um processo de jogo infinito, que alcança, estabelece e mantém a cultura da empresa viva. Ainda que seja a cultura de estar preparado para uma urgência ou pendência.


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