Especial inovação na educação: tendências e o uso de novas tecnologias no segmento - WHOW
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Especial inovação na educação: tendências e o uso de novas tecnologias no segmento

Veja a entrevista que o Whow! realizou com o fundador da Saint Paul Escola de Negócios, referência no uso de tecnologia na educação

POR Luiza Bravo | 18/08/2020 20h57

Dentre as suas múltiplas possibilidades atuais, a inteligência artificial também está presente no aprendizado personalizado, tendo o foco para que as pessoas possam aprender de forma melhor e mais rápida. No entanto, esta não é a única inovação na educação.

“Nós aprendemos usando os nossos sensores, que se traduzem em verbos: escrever, ouvir, assistir. Cada verbo liga e desliga os nossos sensores.  Você já deve ter notado que algumas pessoas precisam anotar tudo, e tem aquele aluno que está sentado de braços cruzados na aula, só prestando atenção, e está tudo bem. Isso significa que nós somos seres únicos”, comenta o professor e doutor José Cláudio Securato, fundador da escola de negócios Saint Paul.

Nesta nova parte da série especial do Whow!, sobre inovação na educação, abordamos o uso das novas tecnologias como um meio de disrupção no setor, bem como tendências e as características para aprender a aprender e desaprender, com o acadêmico.

E se quiser saber mais a respeito da base da educação disruptiva e as principais diferença entre disrupção e inovação? Acesse este conteúdo complementar.

Confira abaixo a entrevista com o fundador da Saint Paul Escola de Negócios:

Whow!: Como as novas tecnologias podem ser usadas como meios de disrupção na educação?
José Cláudio Securato: As tecnologias possuem uma capacidade exponencial de melhorar. Se eu te falasse para você dar 30 passos lineares agora, você sairia da sala onde você está e chegaria até a cozinha, talvez até o seu quarto. Mas, se eu te falasse para dar 30 passos exponenciais você tem ideia de onde você chegaria? Você chegaria na Lua! O que quer dizer isso? Quer dizer que a exponencialidade não é intuitiva. Quando a gente pega um smartphone e conversa com a inteligência artificial, a gente pode até reclamar que não funciona direito. Só que a exponencialidade na tecnologia significa que, em média, as tecnologias dobram sua capacidade a cada 18 meses. Essa é a diferença, e a inteligência artificial é a grande mudança.

W!: Essas tecnologias podem ser aplicadas no Ensino Fundamental? Como elas podem ajudar a preparar alunos e profissionais com mais autonomia, capazes de lidar com essa nova realidade do mercado?
JCS: É absolutamente possível aplicar isso na educação básica, especialmente no Ensino Médio, porque o adolescente tem uma autonomia digital muito boa. Eu não acho que o ensino deveria ser totalmente digital, mas ele poderia ser híbrido. É possível, e as escolas estão percebendo isso. Eu conversei com algumas escolas que perceberam que os alunos tiveram melhor rendimento em alguns temas porque aprenderam on-line.  O aprendizado on-line pode síncrono, com aulas ao vivo, ou assíncrono, com aulas gravadas, que te permitem pausar uma aula, voltar ou avançar. Nesse caso, todos os alunos vão cumprir o mesmo objetivo, mas cada um no seu tempo. O ensino híbrido é a melhor metodologia de aprendizagem porque permite combinar a singularidade de cada aluno com a interação em sala de aula para resolução de problemas, então é um modelo bastante aplicável para a educação básica.

W!: Porque a educação precisa se reinventar?
JCS: A gente precisa endereçar a educação disruptiva como nação, senão o Brasil vai perder a possibilidade de manter o ritmo de crescimento que tem. Uma coisa boa é que o futuro não se desenha linearmente como o passado, senão os nossos próximos 500 anos seriam iguais como foram até agora. Então, se a gente quiser ter alguma chance, a gente tem que aproveitar os saltos de tecnologia que acontecem periodicamente. A gente está passando por ele agora, então esse é o momento de aproveitar e tentar fazer alguma coisa diferente. O salto passado foi na década de 90, com  a Internet, e a gente não está conseguindo fazer isso agora. 

Se a gente quiser fazer isso como empresa, como organização, a gente precisa de uma liderança que estimule a cultura de aprendizado, para incentivar as pessoas a aprender coisas novas. Se isso não for feito, as empresas não vão conseguir inovar, e vão começar a ficar para trás. Pensando nas pessoas, vale a mesma coisa: se você, como indivíduo, não olhar para a educação de forma diferente e quebrar alguns paradigmas, se reinventar nesse processo de aprender, de fato, você vai ficar para trás e se tornar menos relevante para o mercado.

 

W!: Quais as tendências na área de educação que você acredita que devem se consolidar nos próximos anos?
JCS: Tem algumas características que eu gosto muito, mas o ensino híbrido é a principal delas. A pandemia forçou o aprendizado generalizado, de todos os participantes do processo de educação, e deixou claro que ele é possível e que tem ganhos. Uma segunda grande tendência – mas acho que as escolas não vão conseguir adotar – é uso de IA na educação. Existe muito estigma sobre IA, de que ela é um robô que está na Terra para nos exterminar, e por aí vai. A verdade é que a IA transforma setores, mas nas conversas que eu tenho com escolas e universidades, percebo que os educadores ainda não entenderam o que ela é de fato.

Se você olhar uma foto das dez maiores empresas dos EUA hoje e há 20 anos, você vai entender a importância da inteligência artificial. É um caminho sem volta, e quem largou na frente, está na frente nesse processo de melhora do algoritmo, porque ele aprende com o tempo e com as interações. O que está acontecendo na educação é que tem pouquíssimas escolas hoje, de fato, melhorando seu algoritmo.

W!: A ideia da disrupção é tornar a educação acessível, mas essas tecnologias por trás do conceito ainda são bastante caras. Isso não tornaria o ensino ainda mais inacessível?
JCS: É lógico que a gente vai esbarrar sempre em políticas públicas, especialmente quando pensamos em educação básica. Se a gente explorar um pouco a conectividade das escolas – e esse é um ponto importante e fácil de ser resolvido – e começar a estimular essa capacidade de aprendizado, de autodireção, as crianças vão aprender. O primeiro passo é: tem dinheiro para fazer essas coisas? Com certeza, sim. O Brasil não tem problema de dinheiro, o nosso problema é de péssima aplicação do dinheiro, o que é bem diferente. 

O Brasil tem mais smartphones do que habitantes, e cada um desses aparelhos é uma forma de aprender. Claro, existe um problema de conexão, esse é um grande desafio. Repito: o Brasil não tem problema de dinheiro. Se você olhar o nosso orçamento, a gente tem R$ 300 bilhões em subsídios para diversos setores. Isso é três vezes o orçamento de educação. Será que a gente não poderia pegar R$20 bi, R$ 30 bi desse montante e conectar todas as escolas com Internet de alta velocidade, equipá-las  com computadores ou outro tipo de device? Claro que sempre que a gente fala isso, o educador diz: “Mas antes a criança precisa comer, precisa parar de ser agredida pelos pais etc.” Okay, esse é um outro problema, não é a minha especialidade. Mas, quando a gente fala em como tornar a educação mais democrática, esse é o caminho.

W!: Quais as principais características que alguém precisa ter para aprender a aprender e desaprender?
JCS: O mundo hoje está dinâmico e demandando novas competências, então a gente tem que aprender a aprender essas novas competências. Tem uma mensagem que eu sempre gosto de passar. As pessoas se sentem desatualizadas, atrasadas, não tem problema. Mas seja o primeiro atrasado a se mover. Dá tempo de todo mundo conquistar o seu processo. O segundo ponto é: não espere que o outro faça por você. Se eu pudesse dar uma dica, seria: entenda que você pode aprender de qualquer forma. Lendo um livro, em um canal no Youtube, seguindo pessoas no Instagram, fazendo um curso ou trabalhando em um projeto. A ideia de aprender se matriculando num curso ficou restrita. Comece a aprender coisas que você gosta. Essa é uma ideia bastante importante.


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