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ESG orgânico, intrínseco à cultura organizacional

Para o mercado, ESG é a nomenclatura mais famosa do momento e os números que a cercam são astronômicos. Com a transformação de hábitos de consumo, torna-se impossível fechar os olhos para uma perspectiva mais sustentável nos negócios.

POR Redação Whow! | 08/06/2021 15h20

*Por Simone Ponce e Nelson Andreatta, co-fundadores da Eats For You, uma ESG foodtech

Os termos ESG – sigla para Environmental, Social and Governance (que em português significa Ambiental, Social e Governança) e economia de plataforma não poderiam estar mais em voga. Com a transformação de hábitos de consumo, a queda do poder de compra e o aumento das questões sociais e ambientais pelo advento da pandemia, torna-se impossível fechar os olhos para uma perspectiva mais sustentável nos negócios.

Para o mercado, ESG é a nomenclatura mais famosa do momento e os números que a cercam são astronômicos. Nos Estados Unidos, o movimento foi avaliado em 500 bilhões de dólares pela Global Impact Investing Network e o Bank of América estima que 20 trilhões de dólares serão destinados a estratégias que lidem com desafios ambientais, sociais e de governança nas duas próximas décadas.

Todo este levante não está acontecendo impunemente. Empresas que adotam os princípios de ESG tiveram performances melhores durante a crise por sua capacidade de governança, seus feitos na redução da desigualdade e pela geração de impacto em um momento de profunda instabilidade. Esses resultados, alinhados com a chegada dos Millenials e Geração Z ao mercado de investimento, culminam em ainda mais investimentos em negócios ESG.

Neste contexto, a economia de plataforma traz oportunidades e desafios para a aplicação do conceito. Enquanto a nova economia traz a escalabilidade como seu maior trunfo, seu desafio reside na aplicação de ferramentas que garantam alinhamento aos princípios ESG e que, no final do dia, resultem em indicadores que permitam o monitoramento do impacto gerado.

Mas também há quem questione este movimento. Recentemente o “papa do valuation”, Aswath Damodaran, fez duras críticas ao modelo durante um evento da MOI Global, para discutir seu livro “The dark side of valuation”. Por um lado, ele questiona o conceito “vazio” e pouco fundamentado, acusando gestores e advisors sobre serem os únicos reais beneficiados pela nova “moda”. O que em parte faz sentido, afinal é disso que trata este artigo. ESG não pode ser um conjunto de regras escritas enviadas para o time ou um simples tema de campanhas publicitárias. O ESG deve fazer parte da cultura da companhia, ser genuína e intrínseca ao business.

Outro ponto importante é sobre a transferência que o consumidor tenta fazer sobre suas responsabilidades para com a sociedade e o mundo. Aqui a análise é simples. No mundo ideal, seria ótimo se todos puxassem para si a responsabilidade, mas não é assim que funciona. A busca por heróis e culpados é uma máxima na humanidade. O outro caminho, proposto por Damodaran, parece ainda mais utópico: deixar a cargo do Estado esta responsabilidade, na formulação de ainda mais Leis e fiscalizações frágeis.

Desta forma, o ESG é um excelente star north para um mercado mais sustentável e a iniciativa privada tem uma capacidade de transformação muito mais rápida e efetiva, principalmente, se pressionada por seu único mandatário, o consumidor, que, além de ter entendido o peso do seu poder de compra, tem também as mídias sociais a seu alcance. Esta combinação pode simplesmente definir quem fica e quem sai do mercado nos próximos anos.  

* Simone Ponce e Nelson Andreatta são co-fundadores da Eats For You, uma ESG foodtech. A startup atua como uma plataforma de geração de renda formal para donas e donos de casa que amam cozinhar, por meio da inclusão produtiva e fomentando o pensamento empreendedor.