Escola de inovação aposta no modelo online e aberto para ensinar - WHOW
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Escola de inovação aposta no modelo online e aberto para ensinar

A Descola prioriza o engajamento dos alunos e aposta nos treinamentos on-line e in company como o futuro do ensino no Brasil

POR Carolina Cozer | 16/09/2019 17h52 Escola de inovação aposta no modelo online e aberto para ensinar Foto Coyot (Pixabay)

Hoje existem muitas escolas de inovação, mas quantas delas são, de fato, inovadoras dentro da própria proposta? Fazendo a diferença nesse sentido, surgiu, em 2013, a Descola, uma escola de inovação on-line com metodologia própria de ensino.

A startup, que veio à vida através de uma ideia informal entre amigos, atraiu a atenção de grandes empresas, que tinham certa carência de treinamentos em áreas de empregabilidade. Com o aumento da demanda, surgiu a necessidade de levar a escola para a plataforma on-line, a fim de fornecer conhecimento para o maior número de pessoas. O crescimento foi tanto que, hoje, a Descola é residente no Cubo Itaú.

O Whow! conversou com André Tanesi, CEO e cofundador da Descola, responsável pelas áreas de Educação e Estratégia, e que divide a liderança com outros dois sócios: Daniel Pasqualucci (Operações e Financeiro) e Gustavo Paiva (Tecnologia).

Whow! – Como surgiu a ideia da Descola?
André Tanesi – A Descola surgiu em 2011, ainda que não formalmente. A gente começou como uma iniciativa para falar sobre coisas que achávamos legais. Encontrávamos pessoas que estavam falando sobre temas que julgávamos relevantes, ou que tivéssemos curiosidade em aprender, tipo produção de cervejas artesanais, open data ou gamification.

Como você pode perceber, não tínhamos exatamente um uma linha clara em nossos conteúdos, eram simplesmente coisas que a achávamos legais. A gente chamava uma rede de amigos para fazerem encontros com cerca de 20, 25 pessoas, cobrava um valor bem barato pra isso, e era um papo bem prático, bem mão na massa.

ensino online Foto Kreatikar (Pixabay)

W! – A partir daí, quais desafios a escola enfrentou pelo caminho? E o que mudou de lá para cá?
AT – O que aconteceu a partir daí foi que muita gente começou nos chamar para fazer outros eventos. O Itaú nos chamou para organizar um ciclo de palestras sobre inovação e o Discovery Channel para fazer um workshop para fomentar a criatividade. Assim, a gente percebeu que haviam muitas pessoas—e muitas empresas—que queriam aprender coisas novas, de um jeito leve e prático; queriam aprender temas que fossem relevantes para o dia a dia; então resolvemos ir para modelo on-line. 

No on-line, percebemos que poderíamos levar esse conteúdo para um maior número de pessoas. A gente poderia quebrar uma série de barreiras, de local, de acesso, ou de poder fazer os cursos quando e quantas vezes quiser. Também poderíamos levar o ensino para todos os estados, e continuar sendo acessíveis no valor.

A Descola foi lançada, formalmente, em abril de 2013, com um curso gratuito, e chegamos até o modelo que nós encontramos hoje. Surgimos, principalmente, de uma demanda inicial nossa, de querer aprender coisa nova, sobre temas que não encontramos em nenhum outro lugar. Então, bastante coisa mudou de lá pra cá, pois começamos com de cursos que nem eram relacionados à empregabilidade, e hoje temos tudo isso.

W! – O slogan diz que a Descola é uma “escola desconstruída”. Como exatamente se dá essa desconstrução? Qual é o diferencial da Descola para as demais escolas do gênero?
AT – Hoje nós temos, como grande diferencial, a metodologia da criação do conteúdo. Nós temos uma primeira etapa muito importante, de pensarmos quais são os temas que vamos falar, quais as abordagens, ferramentas, modelos e aplicações. Depois, um segundo trabalho de curadoria, que entenda quem são as pessoas que estão falando e aplicando essas coisas no dia a dia.

Então, temos um longo processo de encontrar professores, modelar e aprofundar o conteúdo, pensar na jornada e objetivos de aprendizagem. A formatação é o processo mais longo da criação do conteúdo. Depois gravamos, editamos e lançamos tudo na plataforma. 

Assim, nós fazemos realmente o trabalho de ensino on-line. Não somos um marketplace, nem um MOOC—um modelo de curso on-line gratuito aberto para pessoas do mundo inteiro—, que pega um curso de uma universidade e leva para o on-line. De fato, há um trabalho de curadoria, contrato, montagem, gravação e lançamento. Tem toda a construção de uma jornada.

Por isso, somos um modelo desconstruído: mais informal, mais prático, que o aluno pode fazer de onde quiser, quando quiser e quantas vezes quiser.

ensino online Foto Life-Of-Pix (Pixabay)

W! – Até agora, quantos cursos a escola já ofertou, e quantos alunos já capacitou? Qual é o valor médio de cada curso?
AT – Hoje nós temos 74 cursos disponíveis na plataforma, e lançamos, em média, dois por mês, e devemos terminar 2019 com 80 cursos. Temos um pouco mais de 72 mil alunos na Descola, e temos crescido, em média, de dois mil e quinhentos a três mil alunos por mês. Existem algumas opções de pacotes, mas os cursos custam, em média, R$ 149,00, e contam com cerca de duas horas e meia de vídeo e duas horas de material complementar, sempre de modo bastante agradável para o aluno.

W! – Sobre clientes importantes e cases relevantes: quais resultados a escola já trouxe para essas empresas?
AT – Hoje temos mais de 100 clientes para o qual já vendemos os cursos. Alguns dos mais importantes para o qual vendemos esse ano foram: Alelo, Kroton, Globo, Boticário, Natura, Carrefour e Bradesco. Um case que acho bem legal, e super relevante, foi que, no Bradesco, nós temos uma taxa de conclusão de conteúdo de 92%. Eles vinham de um processo de pouco engajamento, mas acabou que os colaboradores gostaram dos cursos e terminaram os treinamentos.

Então, estamos levando, de fato, conteúdos que não só são aplicáveis, mas que o colaborador engaja em fazê-los. Ele percebe o valor de estar sendo treinado no ambiente de trabalho. Em geral, as taxas de conclusão são bem altas; para B2B fica em torno de 80%. No Bradesco a coisa fugiu ainda um pouco da curva.

W! – Futuro da Descola: quais são os próximos passos? Existem planos de expansão?
AT – Estamos em um momento de bastante crescimento. Ainda somos uma equipe enxuta, de 10 pessoas, e estamos com planos agressivos de crescimento.

A gente ainda não captou investimento, e está na hora de acelerar esse crescimento, pois já estamos relevantes no mercado, com um faturamento consistente. Pensamos em um crescimento natural de produção de conteúdo, trazendo novos para a plataforma, lançando quatro cursos em vez de dois por mês. Tem uma perspectiva de crescimento de vendas cada vez maior para B2B, pois hoje somos bem flexíveis nos modelos de venda. 

Também tem a possibilidade de entrarmos em um mercado regulado, fazendo parte de cursos de graduação e pós-graduação, seja como grade ou optativo. Então tem muitos caminhos de crescimento importantes. A gente tem feito um produto muito bom, e agora existem muitas áreas para explorarmos com isso.

W! – O que podemos esperar do mercado de cursos online no futuro?
AT – Tem muita coisa nova que está acontecendo. Quando começamos, modéstia à parte, os nossos conteúdos não eram tão bons. Hoje estamos fazendo boas coisas, e acredito que o importante é que a gente comece a mostrar para os alunos que é possível fazer cursos online, que possam ser uma grande experiência de aprendizagem, e que eles saiam com um conteúdo relevante. Então, quanto mais a gente consiga trazer esses elementos para os alunos, melhor, pois o mercado ainda é muito incipiente no Brasil.

O último Censo fala em sete milhões e meio de alunos que fizeram cursos livres, e é um mercado que já dobrou de tamanho—pois eram três milhões e meio—, mas é um mercado em franco crescimento, e vai ser cada vez mais comum a gente aprender e se atualizar através de conteúdos on-line.


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