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Erros comuns na hora de precificar serviços

Prestadores de serviço costumam desvalorizar o próprio serviço, segundo Veronica Oliveira, empreendedora por trás do perfil Faxina Boa

POR João Ortega | 15/10/2021 16h46

Das mais de três milhões de empresas abertas em 2020, cerca de 2,6 milhões foram na categoria MEI (Microempreendedor individual). Este público é composto, na maioria, por prestadores de serviço, o que engloba desde o universo freelancer – pessoas que fazem projetos para empresas – até o setor doméstico. Um dos maiores desafios para os novos prestadores de serviço é saber precificar o seu trabalho, até porque uma parte relevante desses profissionais vêm de um contexto em que eram assalariados no modelo CLT. 

O erro mais comum neste sentido é tentar tangibilizar o valor do serviço em si e convertê-lo em uma quantia em dinheiro, e não levar em consideração os custos e os imprevistos que estão associados à atividade em si. É o que analisa Veronica Oliveira, empreendedora por trás do perfil Faxina Boa. Em entrevista ao Whow Vida Loka Podcast, Veronica, que passou anos realizando faxinas à domicílio na cidade de São Paulo, revela algumas lições que tirou da sua própria jornada. 

“Não era formalizada, não emitia nota, não tinha conhecimento do que precisava fazer em relação à gestão do negócio”, comenta, sobre o início da trajetória como faxineira. “Cobrava R$ 150 reais por diária e tinha a ideia de que iria ficar rica com esse valor. Só que não levava em consideração os custos, o transporte, a alimentação. Meu grande problema na hora de empreender foi este”, afirma a inspiradora digital, como gosta de chamar sua atuação hoje nas redes sociais. Nesse sentido, a primeira dica ao prestador de serviço é elencar, de forma organizada, todos os custos previsíveis relacionados ao negócio.

Depois, é preciso imaginar que haverá, em algum momento da trajetória, imprevistos que vão elevar os custos do serviço. “Trabalhava seis dias por semana e folgava um. Era um trabalho pesado, eu levantava cama, arrastava móveis, limpava embaixo da geladeira. Chegou um dia que eu tive uma hérnia e precisei operar. Qual é o custo disso, de ficar parada 15 dias sem ganhar um centavo?”, questiona Veronica Oliveira. 

Vale a comparação, neste contexto, com um funcionário de uma empresa grande com carteira de trabalho assinada. No caso, este indivíduo, ao contrair uma hérnia ou problema de saúde, teria seus dias de licença médica pagos pelo empregador. Por vezes, ainda teria o benefício do seguro, que pagaria a cirurgia. Já em relação ao prestador de serviço, o mesmo não ocorre. Então, é necessário incluir estas possibilidades na precificação do negócio. 

Por último, o empreendedor não deve menosprezar a relevância do serviço prestado, bem como a sua experiência na área. Ou seja, qual o problema que está resolvendo para o cliente, e não apenas o tempo que demora para realizar o serviço. Por exemplo, imagine um mecânico com anos de experiência: ele consegue resolver um problema no motor de um carro em apenas meia hora. Isso não significa que o preço do serviço deve ser proporcional ao tempo. Pelo contrário, a velocidade da execução é um diferencial que ele obteve ao longo dos anos trabalhados. O cliente, ou mesmo a concorrência, jamais conseguiriam resolver aquele problema em poucos minutos. Então, o preço cobrado deve ser um pouco acima do mercado. 

“Quando a pessoa passa a dar valor e entender a importância do serviço que ela presta, ela aprende a cobrar melhor e se posicionar melhor no mercado”, resume Veronica Oliveira. Assista ao episódio #26 do podcast abaixo: