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Entenda o que é Venture Capital e sua função no ecossistema de startups

Venture Capital, ou capital de risco, é o principal modelo de investimento para startups, por conta do alto risco e grande potencial de rentabilidade destas empresas escaláveis

POR Marcelo Almeida | 21/10/2021 14h54

Bastante usado no ecossistema de startups, o conceito de Venture Capital (VC), traduzido como Capital de Risco, é uma modalidade de investimento em que um investidor (ou um grupo de investidores) aplicam capital em uma empresa com alto potencial de escala.

Ao mesmo tempo, como o próprio nome em português revela, trata-se de um investimento bastante arriscado. Dados globais apontam que três em cada quatro startups com aportes de VC não dão retorno aos investidores.

Nesse sentido, fundos de Venture Capital costumam diversificar seus investimentos em várias startups, de forma que uma empresa de sucesso, que consiga escalar o negócio de forma bastante abrangente, compense pelas perdas nas empresas que fracassem ao longo da jornada.

Em geral, os fundos de VC trabalham com uma tese de investimento, isto é, um conjunto de princípios e objetivos que vão nortear a escolha dos ativos em que serão feitos aportes. Nesse sentido, existem fundos setoriais, cuja tese está centrada em resolver problemas de mercados específicos, ou fundos mais abrangentes, com teses voltadas a outras características das startups.

Como são feitos os aportes de recursos

No Brasil, os fundos de VC são constituídos como Fundos de Investimento em Participações (FIP) ou Fundos Mútuos de Investimento em Empresas Emergentes (FMIEE). Ao realizar um aporte em uma startup, o fundo entra para o quadro societário, recebendo uma porcentagem das ações daquela empresa.

Em geral, quanto mais cedo na jornada da startup for realizado o investimento, maior será, proporcionalmente, a fatia com que o investidor ficará do negócio. Isto porque é uma “aposta” mais arriscada, enquanto investimentos mais tardios têm maior chance de sucesso e, portanto, menor rentabilidade.

Investidores costumam avaliar nas startups as chamadas Unit Economics, métricas que explicam a rentabilidade do modelo de negócio da empresa. No entanto, também são levados em conta fatores como a experiência prévia dos empreendedores, a maturidade do mercado em que a startup está inserida e o interesse de outros investidores no negócio. O ponto crucial da avaliação acontece durante o pitch, uma apresentação do negócio ao investidor feita pelos empreendedores.

Estima-se que grande parte dos recursos obtidos por Venture Capital seja destinada à aquisição de clientes, em geral por meio do marketing digital (especialmente no caso de modelos de negócio B2C). Mas não é uma regra, e os recursos podem ser aplicados no produto, na tecnologia, expansão de equipe, e em qualquer outra prioridade discutida em conjunto entre o investidor e o empreendedor.

Vale ressaltar que o dinheiro em si não é o único ativo associado a um aporte de VC. Hoje, fala-se muito em smart money, que é o investimento acompanhado da inteligência dos investidores. Ou seja, por conta da experiência no mercado com investimentos de sucesso anteriores, os investidores ajudam o crescimento da empresa oferecendo insights, conexão com profissionais do mercado, acesso a ecossistemas de empreendedorismo, entre outras vantagens.

Etapas do Venture Capital

Como forma de organizar a jornada de evolução de uma startup, associada aos investimentos que ela recebe ao longo do caminho, foram estabelecidas “séries” ou “rodadas” de aportes de Venture Capital na jornada.

A jornada começa com o investimento-anjo, um aporte de valor consideravelmente menor que o restante, mas que acontece bem no início da trajetória de uma startup. Nessa etapa, que ocorre muitas vezes antes mesmo do lançamento do MVP no mercado, o smart money é a grande prioridade do empreendedor, já que o que ele mais precisa no momento é de ajuda e conexões, e não do capital para escalar o negócio.

Em seguida, vem a rodada Seed, ou investimento semente. As empresas em que esse tipo de investidor foca, ao contrário dos investidores anjo, já possuem clientes, produtos definidos, mas ainda dependem de investimento para se estabelecerem no mercado e, assim, superar o famoso “vale da morte das startups”, onde a maioria das empresas fracassam.

Depois, começam as rodadas Série A, Série B, Série C e assim por diante. É aí que ocorrem os aportes mais volumosos em startups que já estão se consolidando no mercado, em fase agressiva de escala.

Por último, ocorre a saída, que é o momento em que os investidores vão liquidar suas ações e rentabilizar, de fato, os ativos. Em geral, isto acontece de duas formas: ou quando a startup é vendida a uma empresa maior, ou quando ela abre o capital na bolsa de valores.

É essencial destacar, no entanto, que Venture Capital não é a única forma de escalar um negócio. Hoje, existem alternativas para levantar dinheiro, como Equity Crowdfunding, Venture Debt e Corporate Venture. Vale a pena entender qual é a melhor opção para seu empreendimento.