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Entenda o impacto nos negócios do uso de dispositivos pessoais em home office

50% dos funcionários pesquisados no Brasil admitiram que começaram a armazenar informações corporativas valiosas em seus dispositivos domésticos

POR Adriana Fonseca | 13/07/2020 18h00

O home office compulsório para muitos profissionais parece ter impulsionado o uso de dispositivos pessoais no trabalho. Um estudo da Kaspersky, empresa internacional de cibersegurança, mostra que mais da metade (58%) dos funcionários de pequenas empresas no Brasil não receberam equipamentos corporativos para o trabalho em casa – o que significa que eles estão usando seus computadores, celulares ou tablets pessoais para acessar informações de suas organizações. O que há de errado nisso? A segurança dos dados está em risco.

De acordo com a pesquisa da multinacional, apenas quatro em cada dez funcionários brasileiros (44%) de pequenas empresas receberam instruções de segurança para trabalhar remotamente com seus laptops, tablets e smartphones pessoais durante o isolamento social – apesar de mais dados comerciais estarem sendo acessados fora da rede corporativa da empresa.

Comportamento dos colaboradores em home office

Um outro levantamento, também da Kaspersky, mas este feito em parceria com a consultoria Corpa, aponta que um terço (37%) dos profissionais brasileiros admite não entender os possíveis danos de um ciberataque à empresa em que trabalha. De acordo com o levantamento, que abrangeu seis países da América Latina, o Brasil ficou em segundo lugar nesse quesito, atrás apenas do Chile (38%), e à frente de Peru (36%), Argentina (35%), Colômbia (31%) e México (27%).

Entre os pesquisados da região, 77% não sabem o que é ransomware ou sequestro de dados. Mais da metade (55%) não conhece o termo phishing ou roubo de identidade e 29% ignoram o que é malware. Neste sentido, o dfndr lab, laboratório especializado em segurança digital da PSafe, concluiu um estudo que mostra nove milhões de vítimas  de golpe de links maliciosos em junho deste ano, o que significa uma média de 208 vítimas por minuto.

Ainda de acordo com o estudo, 15% dos brasileiros entrevistados consideram os ciberataques improváveis ​​para as pequenas e médias empresas, uma vez que esse tipo de negócio não lidaria com grandes somas de dinheiro ou porque os criminosos estariam interessados ​​apenas em grandes corporações. Nesse quesito, os mais incrédulos são os argentinos (22%), seguidos por chilenos, peruanos e brasileiros (15%), mexicanos (12%) e colombianos (10%).

Mas não é bem assim.

Preocupações com cibersegurança e negócios

Usar dispositivos pessoais no teletrabalho sem as devidas precauções traz riscos de segurança para as empresas, que podem ter suas informações confidenciais roubadas por malware e até mesmo bloqueadas por ransomware, caso medidas de proteção não sejam tomadas. “Eu gostaria que os empresários que liberaram o home office com dispositivos pessoais parassem um minuto para avaliar se sabem se seus funcionários contam com alguma solução de segurança de qualidade instalada no equipamento; ou se o funcionário usa senhas fortes tanto no acesso ao dispositivo quanto para conectar-se à rede WIFI doméstica; ou se estes os computadores e celulares dos funcionários estão com os sistema operacional e programas atualizados para evitar infecções”, alerta Roberto Rebouças, diretor executivo da Kaspersky no Brasil.

Segundo o executivo, essas preocupações deveriam ser essenciais para as empresas, pois são questões básicas de segurança, que, muitas vezes, são negligenciadas. 

Roberto ressalta que o risco é real e que os líderes dessas organizações devem adotar as práticas de segurança recomendadas, uma vez que 50% dos funcionários pesquisados no Brasil admitiram que começaram a armazenar informações corporativas valiosas em seus dispositivos domésticos, bem como em serviços de armazenamento em nuvem pessoal (44%).

O executivo explica que medidas simples como uma solução de segurança de qualidade, senhas fortes, dupla autenticação e sistemas atualizados podem evitar problemas como vazamento de dados de clientes, perdas monetárias com fraudes via internet banking ou roubo do WhatsApp corporativo.

“Entendemos que a crise exigiu adaptações rápidas das empresas e compreendemos que a prioridade era a manutenção do negócio, porém a segurança não pode ser adianta para sempre. Já estamos há três meses nesta situação e, para aquelas empresas que pensam em manter o home office por todo este ano, não se pode ignorar os riscos digitais.”

Roberto Rebouças, diretor executivo da Kaspersky no Brasil

Para se ter uma ideia do problema, de fevereiro a abril, a Kaspersky identificou crescimento de 330% nos ciberataques usando ferramentas de acesso remoto. “Esse crescimento mostra o interesse crescente dos criminosos em computadores desprotegidos que estejam conectados a redes corporativas”, comenta Roberto.

  1. Garanta que os dispositivos pessoais dos funcionários estejam protegidos com uma solução de segurança;
  2. Garanta que os sistemas operacionais do dispositivo, bem como programas e aplicativos, estejam com a versão mais recente;
  3. Ative a proteção por senha em todos os dispositivos, incluindo celulares e redes sem fio. Caso o roteador use uma senha de fabricação, ela deve ser alterada para uma pessoal e única. Um gerenciador de senhas de uma solução de segurança pode ajudar criar e gerenciar senhas fortes;
  4. As redes domésticas devem ser criptografadas, de preferência com o padrão WPA2. Isso pode ser feito nas configurações do roteador;
  5. O uso de uma VPN deve ser obrigatório para o funcionário que esteja conectado a uma rede wifi desconhecida;
  6. Tenha uma solução de segurança que crie cópias de segurança (backups) de todos os dados corporativos – isso ajudará a restaurá-los caso haja uma infecção por ransomware;
  7. Crie uma lista de serviços online confiáveis e envie para os funcionários para que saibam quais aplicações podem ser usadas para armazenar e transferir dados corporativos;
  8. Realize treinamento de conscientização básica de segurança para todos os funcionários. Há cursos online completos que abordam todos os temas destacados acima. A Kaspersky e o Area9 Lyceum oferecem um curso gratuito que ajuda os funcionários a trabalhar com segurança em casa;
  9. Por fim, mas não menos importante, informe os funcionários sobre quem devem contatar caso enfrentem algum problema de segurança.

fonte: Kaspersky


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