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Eficiência

Entenda como realizar a gestão da inovação

Em um cenário de ecossistemas, com vários atores envolvidos, líderes falam das competências necessárias para gerir a área de inovação em grandes empresas

POR Adriana Fonseca | 27/08/2020 11h10 Entenda como realizar a gestão da inovação Foto: Unsplash

Inovação é um assunto em pauta já há alguns anos. Em um breve histórico traçado por Leonardo Gomes, diretor do Inova USP, durante o evento Oiweek de agosto, o assunto começou no pós-Segunda Guerra, quando surgiram os grandes laboratórios de inovação nas empresas. Mais adiante, na década de 90, veio a ideia da inovação radical, hoje chamada de disruptiva, e os presidentes das grandes corporações ficaram mais cientes das oportunidades e ameaças da disrupção. No ano 2000, surgiu o conceito de inovação aberta. E depois disso? O que vem?

Leonardo cita as metodologias ágeis e o design thinking, mas entende isso como parte da explicação de um fenômeno maior que está acontecendo, que são os ecossistemas de inovação. 

O que são ecossistemas de inovação

Para explicá-los, o diretor do Inova USP recorre ao exemplo da Apple, que colocou no mercado grandes inovações em um espaço curto de tempo graças a esse ecossistema. E, hoje, não à toa, é a empresa mais valiosa do mundo, com um valor acima de U$S 2 trilhões.

Seguindo o raciocínio, ele cita o iPhone e afirma que, quando ele foi lançado, já existia o mundo dos fornecedores e o que o aparelho trouxe foram os “inovadores complementares” – empresas que complementam a proposta de valor da empresa focal, no caso, a Apple.

Mas esses inovadores não necessariamente são gerenciados por contratos. O papel da empresa focal é de atrair e influenciar empresas que vão trabalhar sem muita coordenação da empresa focal e complementar o negócio dela. “Isso foi uma revolução no sistema de gestão da inovação”, afirma Leonardo. No exemplo da Apple, os “inovadores complementares” são, principalmente, empresas de aplicativos. 

Hoje, reforça o pesquisador, as quatro empresas mais valiosas do mundo criaram grandes ecossistemas: Apple, Google, Amazon e Microsoft.

Nesse novo cenário de ecossistemas de inovação, é preciso novas capacitações: buscar, encontrar e absorver novos conhecimentos, além de integrá-los e orquestrá-los.

A gestão da inovação

gestão da inovação Para executivos o papel da gestão da inovação está em mediar os interesses da empresa e das startups. Foto: Pixabay

O trabalho da gestor da inovação também muda. Se no período de inovação aberta em seu formato mais tradicional era preciso construir e gerenciar um portfólio de relacionamentos, hoje esse profissional precisa construir e orquestrar uma grande rede de atores. Leonardo enfatiza que este líder era preocupado em achar conhecimento e oportunidade. Hoje, seu papel é lidar com o conflito de interesse da grande empresa e da startup.

“Gestores hoje olham para a startup e em como criar valor também para ela. O desafio é integrar e fazer os diferentes atores funcionarem no ecossistema.”

Leonardo Gomes, diretor do Inova USP

Para Bruno Stefani, head de inovação e P&D da Ambev, o gestor tem que ser o orquestrador do que está acontecendo. “A gente deveria ser muito mais curador de conhecimento do que está acontecendo do que fazedor”, diz. 

O executivo comenta que sua área fez de 200 a 250 negócios por ano nos últimos anos. “No começo fiquei preocupado com esse número, mas vi que era bom para a companhia.” Ainda assim, ele diz que, apesar de se falar de inovação há bastante tempo, o ecossistema da companhia está apenas nascendo. 

Marcela Martinelli, gestora de open innovation da Natura, diz que trazer o entendimento das particularidades do ecossistema e levar isso para dentro da organização ainda é um desafio a ser superado. Para ela, também faz parte das competências do gestor de inovação ser embaixador da mudança do negócio da própria companhia. “Se a gente traz inovação complementar ao negócio, é mais fácil, mas quando ela é disruptiva e precisa ser avaliada com um olhar que desafie o modelo atual, é preciso bastante persistência e resiliência, sendo um verdadeiro embaixador, de propor, testar e mostrar valor, para aí sim mudar processos”, afirma.

Para José Claudio Terra, diretor de inovação e transformação digital da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, o grande desafio do gestor de inovação é conciliar o mundo das startups com o da grande organização. “Me acho o tempo todo incompetente para fazer o meu trabalho, pelos desafios para fazer esses dois mundos se falarem”, comenta.

Segundo ele, o risco é algo pouco compreendido nas grandes empresas, e elas precisam ter previsibilidade, eficiência. Uma startup, por sua vez, muda sua lógica de estrutura organizacional a cada seis meses, porque precisa crescer muito mês a mês. A grande organização não é assim.

“Levar essa lógica para uma corporação, são dois mundos completamente diferentes”, diz. “Inovação significa quebrar riscos, quebrar paradigmas. A empresa grande não vai virar uma startup, mas ela tem que ter flexibilidade para os executivos tomarem riscos, e a maioria não quer tomar riscos. Esse é um dos grandes dilemas.”


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