Entenda como foi possível a criação do primeiro coração impresso com células humanas - WHOW

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Entenda como foi possível a criação do primeiro coração impresso com células humanas

Pesquisadores israelenses foram capazes de imprimir, em 3D, um coração inteiro usando materiais biológicos. Eles esperam tornar a doação de órgãos obsoleta

POR Carolina Cozer | 06/11/2019 19h50 Foto (Freepik) Foto (Freepik)

Em abril de 2019 foi impresso o primeiro coração em uma impressora 3D, utilizando células humanas. O feito ocorreu na Universidade de Telavive, na costa israelense, e promete um avanço na ciência de transplantes.

Este não é o primeiro coração 3D impresso no mundo, mas os anteriores careciam de células e vasos sanguíneos. Este protótipo contém, além desses dois fatores, câmaras cardíacas e outras estruturas que um coração precisa para funcionar normalmente.

Desenvolvimento do coração impresso

Para que isso fosse possível, Tal Dvir, o professor doutor e líder da equipe que realizou o procedimento, coletou por meio de biópsia tecidos adiposos de alguns pacientes. Depois, converteu esse material em células-tronco, que foram adicionadas a um gel, e posteriormente processados ​​até se transformarem em células cardíacas, formando uma biotinta. Essa “tinta” foi usada na impressora 3D, que construiu o órgão camada por camada.

Esta matriz foi feita de maneira diminuta, com o tamanho do coração de um coelho, mas os pesquisadores garantem que a tecnologia poderá ser usada com sucesso no desenvolvimento de um coração humano artificial em tamanho real. Com essa inovação, eles esperam um dia tornar obsoleta a doação de órgãos.

Futuro dos transplantes

O coração 3D atual ainda não é capaz de bombear sangue, mas já consegue efetuar algumas contrações iniciais sozinho. As próximas etapas de desenvolvimento envolvem tornar o órgão apto para ser transplantado em pequenos roedores.

O campo da engenharia de tecidos tem tido bastante progresso, graças às bioimpressoras. As peles cultivadas em laboratório já estão disponíveis há décadas e, mais recentemente, as células-tronco têm sido usadas para a construção de materiais sintéticos ou retirados de materiais naturais, reproduzindo tecidos biológicos complexos.

O Dr. Dvir prevê que a tecnologia de impressão de órgãos pode se tornar popular dentro dos próximos dez anos, oferecendo novos caminhos de tratamento para pessoas com insuficiência cardíaca grave, que geralmente esperam anos antes de receber um transplante de coração.

O que as startups estão fazendo?

A startup de impressão de tecidos humanos Prellis Biologics, da Califórnia, levantou US$ 8,7 milhões em uma rodada de Série A em julho deste ano. O investimento está sendo usado para construir artérias de substituição e experimentação pré-clínica de células impressas em animais. A missão da empresa é desenvolver órgãos humanos que sejam viáveis ​​para transplante. 

Além do investimento, a empresa trabalha no desenvolvimento de tecidos 3D de fígados e rins, além de células saudáveis para tratamentos de diabetes, distrofia muscular, câncer e dos sistemas imunológico e nervoso.

A startup também monetiza através da venda de tecidos vasculares para instituições de pesquisa, e fornecendo enxertos de pele vascularizados e células produtoras de insulina. Seus primeiros estudos de transplantes com animais vivos estão programados para o final deste ano.

coração Foto (Pexels)

A Volumetric Bio é uma startup de biotecnologia que desenvolve um pulmão impresso em 3D, com uma mistura de células vivas e hidrogel – do tamanho de uma moeda. O protótipo consiste em uma bolsa de ar com funções semelhantes ao órgão humano, que fornece oxigênio aos vasos sanguíneos que ficam ao seu redor, formando uma rede vascular funcional. 

A empresa já tem testes bem-sucedidos, também, em camundongos que receberam implantes terapêuticos de tecidos saudáveis em 3D para doenças do fígado. Os animais que foram implantados tinham condições que simulavam a doença hepática humana, e tiveram os tecidos lesionados substituídos por outros saudáveis.

Os pesquisadores disponibilizaram suas descobertas por meio de código aberto, e esperam monetizar vendendo suas bioimpressoras e seus diversos materiais e reagentes.

Projetos no Brasil

A startup BioEdTech – incubada pela USP/IPEN-Cietec – fornece cursos de capacitação para bioimpressão 3D, preenchendo a lacuna no segmento educacional e bioeconômico do Brasil em áreas emergentes e interdisciplinares como a bioimpressão de tecidos e órgãos. 

Os cursos são presenciais e online, com o oferecimento de consultorias para empresas de biotecnologia, indústrias farmacêuticas, hospitais, centros de pesquisa, pesquisadores e investidores.

Até o momento, a BioEdTech já capacitou mais de 60 alunos através de seus cursos, desenvolveu parcerias, consultorias e extensão na PUC-SP, além de venderem bioimpressoras para a transformação do cenário tecnológico brasileiro.


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