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Entenda as perspectivas da chegada do Open Banking no Brasil

Open Banking chega no Brasil no próximo dia 30 e promete quebrar os paradigmas do setor financeiro. Saiba mais

POR Carolina Cozer | 25/11/2020 19h10 Imagem: upklyak (Freepik) Imagem: upklyak (Freepik)

Há algum tempo a regulamentação do sistema de Open Banking já estavam aprovada no Brasil. Após o lançamento do Pix, o próximo passo do Banco Central é a implementação do sistema bancário aberto, que será liberado em quatro etapas diferentes, começando em 30 de novembro de 2020 e terminando em meados de outubro de 2021.

Hoje (25), ocorreu o primeiro Connect Talks do Guiabolso, com a presença de João André Calvino Marques Pereira, chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil, que debateu com Thiago Alvarez, fundador e CEO do Guiabolso, o tema “Open banking: A chegada do Open Banking no Brasil e suas perspectivas”.

Entenda o Open Banking

Open Banking significa “sistema bancário aberto”, em português. De acordo com o Guiabolso, trata-se de um sistema de compartilhamento de dados, produtos e serviços e integração entre plataformas financeiras, startups e fintechs. Na prática, o Open Banking garante que, com a autorização prévia do consumidor, os dados bancários possam ser compartilhados com qualquer instituição, tudo por meio de integração de APIs, garantindo mais autonomia para o cliente final.

Segundo João André Calvino Marques Pereira, chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central do Brasil, a primeira reação que o Open Banking irá causar será uma quebra de paradigmas, e causará um enorme impacto na inclusão financeira.

Ele explica que o Open Banking é como um organismo vivo, assim como a internet também é ― um sistema que evolui ao longo do tempo, e as pessoas são livres para criar programas que funcionem em cima dele. “O Open Banking é vivo e mudará como o sistema financeiro brasileiro opera. Essa primeira construção está em processo evolutivo, e será alterada daqui algum tempo”, elabora. “É como um encanamento, e os membros do ecossistema financeiro irão criar os bloquinhos ao redor dele”, diz, otimista com o enorme potencial dessa inovação para o Brasil. 

Open Banking Open Banking chega no Brasil em 30 de novembro e promete quebrar os paradigmas do setor financeiro. Imagem: vectorjuice (Freepik)

Caminho sem volta

O sistema Open Banking é um modelo inevitável para o mercado financeiro. Thiago Alvarez, CEO do Guiabolso, comenta que, se o Banco Central não tivesse tomado essa iniciativa, o mercado o faria muito em breve. “Foi isso que aconteceu nos Estados Unidos, com a diferença que não foi tão bom. O sistema feito pelo Banco Central será muito melhor e mais bem estruturado”, comenta.

Para estudar como implementar o novo sistema bancário no Brasil, Pereira conta que foram feitas diversas viagens para China, Inglaterra e outros países que já possuem Open Banking, a fim de estudarem o modelo e conversarem com autoridades de mercado. “Tentamos pegar um pouco de cada conhecimento e conversamos com muita gente. Observamos principalmente o Reino Unido, que é um grande exemplo de estabilidade em Open Banking”, explica, deixando claro que as transformações digitais que estão chegando são um caminho sem volta.

Pereira afirma que foi preciso bastante coragem para estruturar o Open Banking no Brasil, mas que tudo está sendo feito da forma mais segura possível. “Chamamos as melhores empresas de segurança de dados e fizemos essa transformação de forma segura e eficiente. Se não fosse assim, não estaríamos agregando em nada com esse serviço”. Ele concorda com Alvarez quando afirma que mercado faria o Open Banking de qualquer modo, e que não seria tão eficiente. “Seria muito mais demorado e talvez com menos confiança e segurança para os usuários. A argumentação da segurança é essencial quando o assunto é mercado financeiro”. 

Perspectivas de futuro

Partindo da ideia de que o Open Banking é um organismo vivo, em constante crescimento, é difícil prever onde o mercado financeiro irá chegar graças a essa disrupção.

Segundo Pereira, a quantidade de trabalho que o Banco Central começará a ter a partir de agora é imensa. “Todas as regras vão ter que ser mudadas para esse novo paradigma. Toda a parte de regulamentação terá que ser adaptada para as novas instituições. Se já vínhamos em um crescimento exponencial, imagina agora. Tudo vai triplicar. A evolução vai ser tão forte que nem imaginamos tudo o que teremos que fazer e organizar para dar segurança para o mercado”, finaliza.


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