Inovação para a redução da pegada de carbono - WHOW
Consumo

Inovação para a redução da pegada de carbono

Emissões de CO2 diminuíram durante a pandemia, mas isso não é suficiente para reduções profundas e sustentáveis, segundo especialistas

POR Adriana Fonseca | 18/06/2020 09h30

As orientações globais para que todos fiquem em casa diminuíram drasticamente os padrões de demanda de energia ao redor do mundo. O isolamento social reduziu os deslocamentos e o consumo e, com isso, as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) diminuíram 17% no começo de abril na comparação com os níveis de 2019, segundo um artigo publicado na Nature Climate Change. Essa queda colocou o mundo no mesmo nível de emissão de CO2 de 2006.

No pico do isolamento, as emissões em alguns países chegaram a cair 26% e, antes da pandemia causada pelo novo coronavírus, as emissões de CO2 estavam subindo cerca de 1% ao ano na última década. 

Uso de energia e atividade da indústria

A maioria dos cortes de CO2 veio do setor industrial, da geração de energia e do segmento de transporte e logística. O setor da aviação foi particularmente afetado pela pandemia e a pegada de carbono do segmento diminuiu 60%. Ainda assim, os cientistas não estão exatamente otimistas com os dados.

“As respostas sociais por si só não gerariam as reduções profundas e sustentadas necessárias”, diz o artigo da publicação científica, observando que os benefícios que o ambiente está experimentando devido à crise da Covid-19 provavelmente são temporários. Os autores analisaram dados sobre uso de energia, atividade da indústria e respostas do governo à pandemia para fazer suas estimativas.

Segundo o estudo, o impacto anual das emissões vai depender da duração do confinamento, mas há uma estimativa de que caia algo entre 2% e 7% em 2020, se as atividades começarem a ser retomadas em junho – o que está acontecendo.

Inovação para redução da pegada de carbono

Em paralelo a tudo isso, algumas empresas vêm inovando para diminuir suas pegadas de carbono. É o caso da alemã Adidas, que anunciou em maio uma parceria com a Allbirds, uma empresa de calçados ecológicos da Nova Zelândia, para procurar respostas de como pode ser possível reduzir a pegada de carbono dos tênis de corrida de alta performance.

“Juntos, exploraremos inovações que abrangem tudo, desde a fabricação e a cadeia de suprimentos até os métodos de transporte, com o objetivo de eliminar as emissões de carbono, criando um sapato que atenda aos mais altos padrões de desempenho – os nossos”, afirmaram em um comunicado James Carnes, vice-presidente de estratégia de marca da Adidas, e Tim Brown, cofundador e coCEO da Allbirds.   

A indústria de calçados emite 700 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano e isso equivale ao uso de energia de 80,8 milhões de residências. Transpondo isso para um nível individual, um único par de tênis feito de materiais sintéticos tem uma pegada de carbono que fica entre 11,3 e 16,7 quilos de CO2.  

E a Levi’s, do setor de vestuário, também tem iniciativas para reduzir sua pegada de carbono. A meta, ambiciosa, é cortar as emissões em 40% até 2025. O plano da empresa para alcançar o objetivo envolve o uso de energia renovável em todas as suas fábricas, incluindo os fornecedores. Quando o plano foi anunciado, em 2018, a produção de tecidos e a costura das roupas respondiam por 31% e 9% da emissão de CO2 da empresa, respectivamente.


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