Empreendedorismo social: dá para ter lucro ajudando a sociedade - WHOW

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Empreendedorismo social: dá para ter lucro ajudando a sociedade

Empreendedores sociais são responsáveis por levar inovação ao desenvolvimento de uma sociedade mais justa

POR Daniel Patrick Martins | 13/08/2021 13h12

Negócios com propósito e viés social são cada vez mais recorrentes. Chamamos este modelo, que une lucratividade e impacto positivo, de empreendedorismo social. Ao trabalharem com o empreendedorismo social,  empresas têm como objetivo a resolução de problemas em áreas como saúde, alimentação, educação, violência, meio ambiente, entre outras.

Inclusive, este termo de empreendedorismo social foi cunhado em 1972, nos Estados Unidos, devido ao contexto das desigualdades sociais. Desde então,  a inovação vem sendo usada como instrumento para criar condições de melhoria de vida por meio de processos inclusivos.

“Os negócios dessa modalidade buscam a inclusão produtiva de pessoas que estavam à margem da sociedade, gerando um ciclo virtuoso de desenvolvimento e bem-estar social”, relata Ana Clarissa Zanardo, doutora em Administração e professora da PUC-RS, em entrevista à Revista Brasileira de Administração.

Ao mesmo tempo em que transformam o mundo, empreendedores que atuam nesta área também podem lucrar, pois, além de serem negócios sociais, os serviços e produtos gerados por esta atividade são vendidos no mercado. No entanto, a prioridade é outra. “Propósito não é algo que você aprende com estudo, está ligado a quem você é, à sua essência. Conhecer a realidade dos menos favorecidos e querer mudar isso é um exercício de empatia que não acaba. Os negócios sociais visam muito mais que o lucro, visam a mudança dessa realidade”, comenta Onício Leal, biomédico e fundador da startup em digital health Epitrack, em entrevista a Exame.

Com isso, negócios de impacto social que mudam a realidade de seus stakeholders e que tragam melhorias sociais, ambientais e inclusive de governança são urgentes e necessários. Destacam-se, neste cenário, soluções em setores como moradias de baixo custo, gestão educacional e inclusão digital, indústrias de energias alternativas, renováveis e limpas, serviços de apoio a economia circular e microcrédito.

Neste sentido, está nas mãos dos empreendedores sociais a capacidade de desenvolver uma sociedade mais justa e desenvolvida socialmente, segundo argumenta Mafoane Odara, coordenadora da Ashoka à Rede Globo. “A sociedade precisa ser reinventada, e o empreendedor é a pessoa que ajuda a encontrar novas formas de lidar com problemas sociais antigos, de forma inovadora. As formas que temos hoje não conseguem solucioná-los. Os empreendedores sociais devem ser fontes de inspiração, proponentes de mudanças, e referências de futuros melhores”, finaliza Mafoane.