Empreendedorismo no mercado da religião - WHOW

Consumo

Empreendedorismo no mercado da religião

Negócios que atuam por meio da fé das pessoas tendem a criar comunidades mais fortes, além de promover um propósito pessoal ao empreendedor

POR Daniel Patrick Martins | 29/09/2021 12h08

A fé é um bem inestimável e sendo assim, o povo brasileiro está muito bem representado. A forte religiosidade, em todo o tipo de crença, é um terreno fértil e abundante para o empreendedorismo. Nesse segmento, podemos citar os templos (igrejas, mesquitas, sinagogas), que são as construções físicas,  comportam eventos e celebrações, requerem manutenção, e assim gerando renda para diversos profissionais. Além disso, há diversos outros meios de empreender com a fé, como: gravadoras, editoras, produtores de conteúdo digital ou impresso, empresas de eventos, lojas de artigos religiosos, turismo religioso, entre outros.

Segundo dados do IBGE,  o Brasil tem uma população majoritariamente cristã, representando 87% da sociedade. Em pesquisa recente, o Datafolha apontava que no pais havia 50% de católicos, 31% de evangélicos e 10% que declaram que não têm religião. O restante se distribui em outras formas de cristianismo, além de religiões bem minoritárias por aqui, como o judaísmo e o islamismo.

Por serem negócios de nicho, os empreendimentos religiosos tendem a ter públicos engajados e comunidades fortes em torno das marcas. E, com a digitalização no contexto da pandemia, este setor se manteve ativo, inclusive por seu caráter de levar bem-estar por meio da fé.

“As igrejas, principalmente na pandemia, reforçaram muito sua atuação nas redes sociais. Isso é ótimo e importante. No entanto, a gente brinca que não vale construir sua casa em ‘terreno alugado’ — ou seja, se relacionar apenas pelas redes sociais sem ter um canal proprietário”, relata Pedro Franco, um dos fundadores da inChurch, solução tecnológica de comunicação, engajamento e gestão de organizações religiosas cristãs, em entrevista ao Projeto Draft.

Assim com a inChurch, outros negócios digitais vêm crescendo nas comunidades religiosas. Vale destacar o Glorify, app que chegou ao Brasil em janeiro deste ano e já atingiu 600 mil usuários. Trata-se de uma plataforma que permite consumir conteúdo sobre cristianismo, além de ajudar em orações guiadas e outras funcionalidades. Para outras religiões, podemos citar o MuslimPro (islamismo), o InstaRabbi (judaísmo), o buddhify (budismo), o eu.espirita (espiritismo), o Umbanda, minha fé e o Bola de Neve Oficial (evangélico).

Segundo o professor de sociologia da USP, Ruy Gomes Braga Neto, algumas religiões, como o neopentecostalismo, têm o espírito empreendedor intrínseco aos seus ensinamnetos. “Traz um elemento empreendedor muito forte no discurso religioso, que se traduz em uma ética religiosa adotada por esses trabalhadores. Você tem um elemento que não é propriamente econômico, mas sim um aspecto cultural e religioso que é muito forte. E isso é uma fonte poderosíssima de convencimento para o empreendedorismo voltado ao popular”, diz o especialista em entrevista à BBC News Brasil. “Quando você observa as igrejas neopentecostais mais conhecidas, todas as igrejas têm um forte componente empreendedor e fazem propaganda disso, do bispo que rompeu com a Igreja Católica, fundou a própria igreja e hoje é um grande conglomerado”.

O crescimento de negócios voltados a religiosidade, além de trazer muitas oportunidades aos empreendedores deste segmento, fomentando assim o respeito à diversidade religiosa, traz também a possibilidade de juntar o útil ao agradável. Afinal, muitas pessoas já dedicam boa parte do seu tempo à sua fé, e transformar esta atividade em negócios pode dar propósito ao empreendedor.