Empreendedorismo Negro no Universo da Inovação
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Empreendedorismo Negro no Universo da Inovação

O empreendedorismo negro está ganhando espaço no mercado. Porém, quem tem a pele preta enfrenta muitos desafios. Entenda mais aqui

POR Redação Whow! | 14/05/2021 15h21 Empreendedorismo Negro no Universo da Inovação

Empreender atualmente no Brasil já não é fácil e, quando falamos em empreendedorismo negro, as dificuldades aumentam. Em 2020, o racismo ficou ainda mais evidente para este grupo, com os impactos da pandemia causada pelo coronavírus. 

Nesse sentido, o fato pode ser observado a partir do estudo realizado pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas. Segundo a pesquisa, 61% de empresários negros, donos de pequenos negócios, tiveram crédito negado, contra 55% em relação aos brancos. 

O levantamento apontou ainda que o faturamento de afroempreendedores caiu quase 90%. Além disso, mais da metade de seus negócios interromperam temporariamente as atividades.

Portanto, entenda mais sobre o assunto neste conteúdo e veja também alguns cases de empreendores negros, que fundaram negócios financeiros para essa parcela da população.

Perfil da população negra que empreende

De acordo com estudo da PretaHub, iniciativa que visa estimular o empreendedorismo negro, esses empresários estão divididos entre: 

  • vocação
  • engajamento
  • necessidade

Vale ressaltar que 60% desse público atua na informalidade, ou seja, não possuem registros que comprovem sua atividade, como por exemplo o MEI.

Portanto, o empreendedor negro, além das dificuldades com crédito, também enfrenta outro desafio: atrair consumidores negros para os seus negócios. Isso ocorre porque não é fácil fazer com que essas próprias empresas se tornem conhecidas.

A influência da cultura negra no empreendedorismo brasileiro

Negros com nome limpo, renda acima da média e dificuldade para conseguir crédito no mercado financeiro: por que isso acontece afinal?

Além disso, empreender pode ser um dos caminhos para a redução da desigualdade. E, tratando-se de negros enquanto donos de negócios, espera-se maiores chances de contratações de afrodescendentes, bem como um tratamento igualitário.

Embora o racismo possa aparecer na vida do negro que empreende e, lidar com isso seja bem desafiador, ter o próprio negócio pode fazê-lo ganhar força na sociedade. Isso aquece também um nicho de mercado emergente e também carente, o de produtos e serviços específicos para negros.

Mas, se você pensou em cosméticos para pele e cabelo crespo, não se enganou, mas é importante saber que o nicho não se resume apenas a isso. Hoje, a população negra se destaca na inovação e também no mercado financeiro. 

Universo da Inovação e os empreendedores negros 

De negros para negros: veja aqui alguns cases e iniciativas na área do empreendedorismo negro.

Clube da Preta

A união de uma causa, com a vontade de ter o próprio negócio fez com que surgisse o primeiro clube de assinatura de moda e acessórios afro do Brasil

Nesse sentido, funciona da seguinte forma: uma pessoa preenche um guia de perfil e a equipe do Clube da Preta entrega, uma vez por mês ao usuário, uma caixa com produtos. Eles são produzidos também por negros e os preços são bem acessíveis. É possível receber roupas, cosméticos, acessórios, livros e até cervejas.

PretaHub

Da mesma forma que o instituto fomenta o empreendedorismo negro a partir de várias iniciativas, Pretahub tem o objetivo de expandir os negócios da população negra junto a investidores. Com 18 anos de existência, o PretaHub compreende os seguintes projetos:

  • Afrolab, que oferece capacitação técnica e criativa. Atualmente tem ações em nove estados. Ao todo já  capacitou mais de 250 empreendedores nesse interím;
  • Afrohub: Programa de aceleração de empresas de negros, com o foco da decodificação dos códigos da internet para o uso das redes sociais de modo favorável aos negócios;
  • Conversando a Gente Se Aprende: Promove o elo com instituições privadas, públicas e marcas, por meio de diálogos criativos para a promoção da cultura da diversidade racial dentro dessas empresas. O projeto já desenvolveu parcerias com a Netflix, Facebook, Google, Bloomberg e Museu de Arte de São Paulo (MASP)
  • Festival Pretas Potências: Evento voltado para a promoção e incentivo do empreendedorismo negro;
  • Fundo ÉdiTodos: Iniciativa que reúne doze entidades entre organizações da sociedade civil, aceleradoras e empresas sociais. Tem a SITAWI Finanças como gestora dos recursos que são captados pelas doações. 

Conta Black

O start de Sérgio All para a criação do Conta Black foi ao sentir uma grande frustração ao passar pela porta giratória de um banco convencional. Segundo Sérgio, nesse momento ele sentiu na pele o que é ter o crédito negado por ser negro.

A Conta Black é uma fintech que surgiu em 2017 com a missão de resolver o problema da desbancarização e exclusão financeira dos negros. Sérgio tem 45 anos e é filho de metalúrgico e empregada doméstica.

Com 12 mil clientes e 9 mil pré-aprovados, a Conta Black é um sucesso. Contudo, passaram-se 20 anos entre o start de Sérgio e pouca coisa foi feita na sociedade de fato para mudar esse panorama, enfrentado por negros

Black Money

O Movimento Black Money (MBM)  é uma iniciativa que busca favorecer empreendimentos de pessoas negras,  através da premissa “se não me vejo, não compro”. 

Afinal ele tem o objetivo de fortalecer o poder de compra dos afrodescendentes, estimulando o consumo e produção dentro da própria comunidade negra. Assim, o dinheiro circula por mais tempo, fortalecendo o sistema financeiro entre eles dessa forma.

E, para aumentar o poder financeiro, o Black Money atua em três frentes:

  • Afreektech, programa de ensino e transformação digital construído e voltado exclusivamente para negros, que aborda modelagem de negócios, vendarketing, programação e empreendedorismo;
  • modelagem de negócios;
  • vendarketing;
  • programação para não programadores;
  • starblackup, eventos que estimulam parcerias comerciais na comunidade negra;
  • D’Black Bank, fintech criada pelo movimento para conectar empreendedores e clientes negros;
  • mercado Black Money, marketplace que conecta empreendedores com consumidores negros.

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