Empreendedorismo na periferia. Conheça ações desenvolvimento no setor
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Empreendedorismo na periferia

Para sairmos da crise, precisamos investir no consumo local. Confira como o empreendedorismo na periferia pode beneficiar o seu negócio

POR Redação Whow! | 14/05/2021 15h57 Empreendedorismo na periferia

AO empreendedorismo na periferia é uma realidade brasileira. A população desses lugares não empreende simplesmente porque quer, mas principalmente pelo fato de que precisam se reinventar para sobreviver.

Precisamos compreender a relevância desse tipo de negócio para o mercado nacional. Pois além de ser uma tendência cada vez mais em alta, se faz necessária num cenário de crise econômica, como essa que estamos vivenciando. Confira nas próximas linhas como as periferias são berços de inovação empreendedoras. Boa leitura!

Empreendedorismo na periferia

Nas diversas periferias do Brasil, já é possível enxergar há muitos anos, como o empreendedorismo auxilia no subsídio de diversas famílias carentes. Esse público precisa buscar formas para garantir seu sustento, já que são tão invisibilizadas na nossa sociedade.

Esses empreendedores criam os seus próprios espaços no mercado. Dessa forma, já flexibilizam o seu trabalho a fim de auxiliar os diversos profissionais, que muitas vezes, precisam se desdobrar em diversos empregos.

O empreendedorismo na periferia ainda promove a melhoria na vida das pessoas da comunidade. Assim como, emprega milhares de pessoas, que não tinham tanta oportunidade no mercado tradicional, ainda aquecem o consumo local e garantem um crescimento conjunto da comunidade.

A visão preconceituosa como periferia marginalizada, fica cada vez mais obsoleta. Nesse contexto, vem ganhando espaço uma nova visão desses locais: criatividade e empreendedorismo. Ou seja, passa a tornar tanto as causas, quanto as pessoas mais visíveis para a sociedade.

Além disso, essa mudança, também permite a ocupação de lugares que antes eram considerados perigosos ou inviáveis de para instalação de uma empresa, por exemplo. A vontade de empreender dessa comunidade, representa também o desejo de reivindicar seu espaço na sociedade. A periferia tem a oportunidade de consumir produtos que desejam. Com isso, optam por aquilo que se identificam, deixando de lado produtos que não agregam a si. 

Contudo, há uma maior democratização de diversos produtos para essas pessoas. Que além de consumirem de maneira mais consciente, também podem lançar tendências no mercado.

Empreendedorismo: Vegetarianismo e Veganismo na periferia

Atualmente vivemos numa tendência de vegetarianismo e veganismo na nossa sociedade. Seja pela preocupação com os animais, com o meio ambiente ou até com a própria saúde, essas causas sociais estão na moda e contam com cada vez mais adeptos.

Porém, essa prática não é novidade nas periferias. Apesar do país ser um dos maiores produtores de carne no mundo, o preço desses alimentos sempre foi caro no nosso território. Esse valor, torna-se cada vez mais inalcançável para uma maior parte da população, no contexto de alta constante do alimento. 

E é com esse contexto de necessidade e não só por gosto, que muitos moradores de periferia já dominam há anos, a produção de pratos vegetarianos e veganos. Mas com o crescimento da tendência no Brasil, diversos empreendimentos de periferia passaram a focar no mercado gastronômico sem produtos de origem animal.

Rango de Quebrada

Um grande exemplo de empreendimento é o “Rango de Quebrada“. O seu criador, Thiago Vinícius, utiliza de alimentos orgânicos, para colocar a periferia na rota gastronômica da maior cidade do país: São Paulo. A cidade que já conta com um mercado gastronômico muito famoso e consolidado, passou a enxergar nos empreendimentos da periferia, oportunidades de crescimento socioeconômico.

De acordo com Thiago, sua família sempre buscou conquistar moradia, saneamento básico e alimentação digna. Foi a partir daí, que ele criou a “Agência Solano Trindade”, que tem como missão impulsionar a cultura e economia locais.

Portanto, essa agência é um espaço de auxílio para a comunidade do bairro Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo. Lá, os moradores contam com um coworking, centro de distribuição de doações, além de um armazém e restaurante de comida orgânica.

Ou seja, foi nesse cenário que Thiago criou o Rango de Quebrada, uma forma de reunir todas as suas lutas para melhoria da comunidade. Ele afirma que “a periferia é PHD em culinária vegetariana, a gente sempre fez muitos pratos sem carne porque é um produto muito caro“.

Com a democratização da alimentação vegetariana e vegana com alimentos orgânicos, o empreendimento também auxilia na saúde da população da comunidade. Algo que segundo o criador, reduz drasticamente as filas em hospitais e postos de saúde.

Todos os ingredientes para as receitas do restaurante são comprados de produtores locais. Algo que não só aquece o mercado interno, como também fortalece a economia da população de um modo geral. Gera assim, mais saúde, empregos e oportunidades para populações carentes.

Empreendedorismo: Comunicação

Outro exemplo de empreendedorismo na periferia, é o caso de Rene Silva. Um jovem comunicador, que cresceu no Morro do Adeus, uma das favelas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Com o intuito de entregar um projeto escolar, com 11 anos, Rene criou um jornal comunitário.

E foi a partir daí que nasceu o Voz das Comunidades. O portal, que existe há 15 anos e conta com: jornal impresso, aplicativo e o site de notícias, integrando nove favelas do Rio de Janeiro.

Nesse sentido, o veículo teve como uma de suas principais atuações a cobertura em tempo real da intervenção militar no Complexo do Alemão. O caso, em 2010 alcançou projeção internacional, sendo referência de informação e notícia naquela ocasião.

Com a chegada da pandemia, na sede administrativa do espaço foi reservado um ambiente para um gabinete com diversas lideranças sociais. Com o objetivo de discutir soluções sociais a partir da crise instaurada pelo Coronavírus. 

O local, centralizou as doações recebidas pela comunidade e com o auxílio de outros agentes comunitários, têm auxiliado na vida de milhares de pessoas. Outro caso de relevância do Voz foi quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, utilizou um tweet do canal para uma decisão administrativa. Em suma, Fachin deliberou a proibição de ações policiais nas comunidades do Rio de Janeiro, durante a pandemia, com base nos relatos da Voz da Comunidade. 

Benefícios

Dessa forma, podemos concluir que o empreendedorismo na periferia está cada vez mais presente na realidade brasileira. A lista é extensa dos benefícios que esse mercado traz para a sociedade como um todo.

Afinal, o empreendedorismo na periferia não só melhora a vida daqueles que estão conquistando novos empregos e espaço de trabalho, mas também a sociedade brasileira. Receba outros conteúdos a respeito de empreendedorismo e inovação diariamente. Assine a nossa newsletter gratuita e fique por dentro de todas as novidades.