Empreendedorismo feminino: a mulher em foco - WHOW
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Empreendedorismo feminino: a mulher em foco

Entenda a importância de termos cada vez mais mulheres empreendendo e como a equidade de gêneros precisa ser discutida

POR Carla Querino | 12/11/2020 12h30

Empreendedorismo feminino vai além de negócios que são criados e gerenciados por mulheres. Diz respeito à liderança feminina, colocando em foco as mulheres, dando visibilidade ao seu trabalho e quebrando paradigmas sociais estigmatizados. 

Nascida em uma família humilde, Geovana Quadros construiu sua carreira profissional em negócios internacionais aos poucos. Conforme foi crescendo na área, percebeu que, quanto mais ela crescia, menos mulheres encontrava. Em 2015, Geovana passou a estudar sobre empreendedorismo e protagonismo feminino e no mesmo ano lançou o livro “Mulheres Inspiradoras”, que reúne histórias de altas executivas e outras de superação como a da primeira médica tetraplégica do país. E a partir daí ela notou que poderia montar uma confraria voltada para mulheres e fundou a Confraria Mulheres, abordou no terceiro dia do Whow! Festival de Inovação 2020.

Os desafios do empreendedorismo feminino

Gabryella Corrêa, especialista em Administração de Empresas pela FGV, CEO e Fundadora do Lady Drive, diz que ainda há estereótipos de carreiras femininas e masculinas. Ela conta que teve que superar algumas barreiras por ser mulher e se aventurar na área de tecnologia. A iniciativa surgiu após sofrer um assédio ao utilizar um carro por aplicativo e a partir daí colocou em prática o projeto de um aplicativo de mobilidade urbana focado em mulheres. 

Quando o assunto é equidade de gêneros, o Brasil fica atrás do Iraque em políticas e aportes voltados para empreendedorismo e liderança feminina, apesar de o Global Entrepreneurship Monitor mostrar que as mulheres já eram responsáveis por 51,5% dos novos negócios criados no Brasil em 2016. Na prática ainda há um longo caminho para que homens e mulheres tenham condições iguais no mercado. 

“Estou no mundo graças às mulheres, e chegou o momento de empreender, criar negócios, pra quem sempre cuidou de nós.” ressalta Charles Bicalho, Head de Operações do V-Lab Live, empresa que oferece um serviço diferenciado em dos momentos mais importantes na vida da mulher: a gestação. 

“Quando se fala em serviços voltados exclusivamente para mulheres, ainda há uma dificuldade em conseguir convencer os investidores. Essas barreiras estão sendo quebradas aos poucos. Nós mulheres precisamos nos provar muitas vezes mais para conseguir um investimento nos negócios. A insegurança ronda a vida das mulheres o tempo todo.” conta Gabryella.

A importância da equidade de gênero

Segundo estudos, a equidade de gênero ainda está longe ser uma realidade; são mais de 200 anos para se chegar nesse patamar, conta Geovana. Esse cenário evidencia que apesar de vermos cada vez mais mulheres no mercado de trabalho em cargos de liderança e empreendendo, infelizmente, ainda não se tem um cenário de equidade. 

Bárbara Libório, jornalista e gerente do projeto Elas no Congresso e da Revista AzMina, ressalta que é preciso que as mulheres façam parte do congresso para ter projetos de lei que favoreçam outras mulheres, sejam aprovados, mas que isso vai muito além; é necessário aumentar a presença das mulheres em cargos de alta gestão, e que empreender acaba puxando outras mulheres para lutar por seus interesses. 

Diversidade e Representatividade

“Ainda vemos no empreendedorismo a predominância da mulher branca no mercado de trabalho. A mulher sempre foi objetificada e vista como mão de obra barata. É preciso que nós mesmas possamos abrir espaço pra diversidade.” ressalta Geovana.

Para que esse cenário mude é necessário debates como o que aconteceu no painel, para dar visibilidade do empreendedorismo feminino. Durante a pandemia, as mulheres foram as mais afetadas, com o maior número de negócios que tiveram que ser fechados. Além disso, a violência doméstica aumentou 49%, e houve um aumento do desemprego entre mulheres.

Perspectivas para o futuro

O objetivo é promover iniciativas que proporcionem independência financeira e pessoal para as mulheres, como o Lady Drive e programas corporativos de equidade. 

A pandemia trouxe para o foco o papel da mulher na sociedade, que tem muitas vezes uma tripla jornada, e esse cenário veio para ressignificar as funções da mulher dentro de casa e nos negócios. 

“A gente avançou muito. As pessoas estão mais abertas a ouvir sobre os direitos das mulheres. Há mais interesse, inclusive, das próprias mulheres, de ver como a representatividade é importante. Por isso a importância do “Elas no Congresso”, de tentar trazer essas informações de maneira didática e acessível. Precisamos nos empoderar desse pensamento. A pandemia deixou em destaque como tudo tem recorte de gênero, e muitas das decisões econômicas, tomadas por homens, afetam diretamente as mulheres. Espero que no próximo ano tenha projetos que impulsionam a mulher a trabalhar fora e a ter independência financeira”, conta Bárbara Libório, gerente de projeto “Elas no Congresso”.


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