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Empreendedor conta como conseguiu US$ 11 milhões investimento para startup

O norte-americano Joseph Heller fala da dificuldade que a cor da pele impõe aos fundadores negros para conquistarem investimentos de fundos de venture capital

POR Adriana Fonseca | 13/08/2020 21h17

Joseph Heller é CEO e fundador da The/Studio, uma plataforma ágil para fabricação de roupas e acessórios em pequenos lotes. Negro e norte-americano, ele escreveu recentemente sobre os desafios que enfrenta pela cor da sua pele. Segundo ele, fundadores de startups pretos precisam trabalhar bem mais do que seus colegas brancos para ter acesso aos fundos de venture capital. 

O empreendedor conta que entre 2016 e 2017, quando ele estava levantando capital para uma rodada Série A, chegou a conversar com cerca de 150 fundos de VC. Dentre estes, em somente um deles encontrou um negro com autoridade real para dar o ok final para o aporte. E, cerca de 120 eram representados por brancos e o restante, por não brancos. “Não recebi nenhum termo de compromisso de qualquer um dos ‘fundos brancos’ e recebi cinco termos de 30 ‘fundos não brancos’. Minha taxa de vitória com ‘fundos brancos’ foi de 0% e de cerca de 17% com ‘fundos não brancos’”, escreveu Joseph em artigos recentes.

Investimentos para startups de empreendedores negros

A lista de startups de empreendedores negros que conseguiram aporte nos Estados Unidos é bem pequena. A americana Black Founder List, que reúne empresas fundadas por negros apoiadas por fundos de venture capital, conseguiu chegar a 227 fundadores. Somente em 2019, um total de 9.300 startups sediadas nos Estados Unidos conquistaram investimentos de venture capital. 

Em um outro dado, este apresentado pelo CEO e fundador da The/Studio, 80% dos fundos de venture capital não têm um investidor negro sequer. 

“Tornar-se um empreendedor de tecnologia de sucesso é difícil para todos, mas é especialmente desafiador para os empreendedores afro-americanos”, escreveu Heller.

“Simplesmente não existe uma precedência estabelecida para os empresários negros se basearem. Estamos construindo essa base agora como a primeira geração. A maioria dos empreendedores negros provavelmente não conhece nenhum outro fundador de sucesso e não tem conexões com venture capital.”

Joseph Heller, CEO e fundador da The/Studio

O empreendedor ainda afirma que os investidores brancos estão “pré-programados” a investir em pessoas de seu círculo social e fala dos vieses inconscientes que acabam determinando a escolha por empreendedores brancos, já que existem noções preconcebidas de superioridade e capacidade em função da raça – mesmo que não admitidas formalmente. 

Trajetória até o primeiro aporte

Sabendo de tudo isso, Joseph se planejou para começar a sua empresa sem capital externo, no estilo bootstrapping, até alcançar um faturamento expressivo, para só então ir em busca de um fundo de venture capital. “Se eu tivesse tentado arrecadar dinheiro de venture capital no início da The/Studio ou nos estágios iniciais tenho certeza de que não teria conseguido de jeito nenhum. Eu não tinha uma rede de contatos no Vale do Silício e definitivamente acho que a raça teria sido um fator esmagador”, descreve.

Ainda assim, mesmo tendo ido em busca de investimento quando a empresa já estava prosperando, ele diz que seu caminho foi bem mais longo. “Em vez da rota usual – criar um PowerPoint, conseguir algumas reuniões e levantar alguns milhões de dólares – eu tinha que provar que era digno de atrair dinheiro de capital de risco antes mesmo de ter a oportunidade de fazer o pitch”, diz. 

Para quem ainda acha que se trata de “mi mi mi”, o empreendedor é enfático. “Isso não é exagero”, escreve. “Para ser claro: eu fui mensuravelmente mais resistente do que meus colegas brancos. Tive de investir centenas de milhares de dólares de meu próprio capital no negócio, despejar milhões de dólares de lucro no negócio (muitas vezes sem me pagar, primeiro), abrir escritórios em quatro países diferentes sem nenhum financiamento, aprender todos os truques sem nenhum mentor de negócios verdadeiro e invadir a rede do Vale do Silício, participando incansavelmente de todas as reuniões que pude durante 18 meses (foram mais de 150) apenas para conseguir um lugar na mesa que muitos de meus colegas poderiam ter apenas navegando em sua rede de contatos de faculdade.”

A startup

Fundada em 2013, a The/Studio levantou até o momento US$ 11 milhões em uma rodada Série A liderada pela Ignition Partners. 

“Quanto mais empresários negros tiverem sucesso, fracassarem e crescerem no mercado de capital de risco, mais fácil será para as gerações futuras. Esse é o nosso movimento pelos direitos civis”, conclui Heller.


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