‘Efeito fintech’ atinge bancos, que perdem 16% do valor de mercado - WHOW

Eficiência

‘Efeito fintech’ atinge bancos, que perdem 16% do valor de mercado

Maior concorrência causou uma desvalorização das instituições financeiras tradicionais como não se via há muitos anos

POR Redação Whow! | 05/10/2021 12h12

Mesmo antes da pandemia da covid-19, os bancos tradicionais já estavam sofrendo com um aumento significativo da concorrência. Isto por conta dos novos atores que entraram no setor e provocaram modificações profundas no modelo bancário.

Essas mudanças, introduzidas pelas chamadas fintechs – startups que desenvolvem soluções financeiras com uso de tecnologia -, provocaram uma necessidade de os bancos repensarem os seus modelos de atendimento, seus produtos e mesmo saírem de uma certa inércia que acabou tomando conta de seu modelo de negócios, já que os lucros costumavam ser gordos no fim do ano.

Mesmo com o período de recessão de 2014 a 2016, os grandes bancos ainda conseguiram um aumento significativo em valor de mercado, de 12,4%, assim como no período de recuperação de 2017 a 2019, de 19%, de acordo com dados de pesquisa feita pela McKinsey & Company.

A atual pandemia, no entanto, mostrou como muitos bancos não tinham se preparado para fazer uma transição maior para o digital, levando a uma queda de 16,1% no valor de mercado das principais instituições bancárias no período de 2019 a 2020. Já as empresas de tecnologia, no mesmo período, tiveram uma expansão de 18,7% em valor de mercado.

Isso permite concluir que, apesar de os grandes bancos serem capazes de absorver esse tipo de impacto financeiro, o setor precisa colocar em prática uma série de melhorias e de atualizações no seu modelo de negócios para se tornarem novamente atrativos em face dos novos concorrentes.

O grande trunfo das fintechs foi conseguir atender consumidores que não entendiam muito de economia ou que estavam à margem do sistema bancário. Além disso, estas startups apostaram em uma comunicação mais transparente, entregando um produto com menos burocracia, proporcionando maior facilidade de acesso e com indicações mais claras dos benefícios que proporcionam.

Além do grande impacto que as fintechs tiveram no segmento de pessoa física, agora elas voltam seus olhos para as pessoas jurídicas, sobretudo para as pequenas e médias empresas. É o que diz Bruno Diniz, autor do livro “O fenômeno fintech”.

“As empresas sofreram por muito tempo com soluções bancárias caras (especialmente para as pequenas e médias) que não acompanharam a velocidade das evoluções que vimos acontecer com os produtos voltados para indivíduos. Isso abriu uma grande oportunidade que está sendo aproveitada por novos entrantes no mundo todo, e que viraram alvo dos fundos de venture capital”, afirma.

Soma-se este movimento ao Open Banking e o resultado será um ecossistema financeiro ainda mais distribuído. Com a posse dos dados na mão dos clientes, a expectativa é que quem oferecer os melhores produtos e serviços tenha mais sucesso no mercado, independente de quão tradicional ou estabelecida seja a instituição.

Nesse sentido, agora a tendência é que os grandes bancos também mirem as pequenas e médias empresas em seu processo de retomada, com produtos que realmente façam a diferença para este público. Quem tende a ganhar são os empreendedores, que terão cada vez mais opções de contas digitais, acesso a crédito e outros serviços bancários essenciais para o desenvolvimento de negócios.