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Entenda o ecossistema de inovação no agronegócio brasileiro

Hubs se espalham pelo Brasil e conectam produtores rurais, startups, universidades e grandes empresas rumo à Revolução 4.0 do setor

POR Luiza Bravo | 03/04/2020 14h58 Entenda o ecossistema de inovação no agronegócio brasileiro Foto ilustrativa

A chamada Revolução 4.0 chegou ao agronegócio brasileiro. O setor já é referência mundial em produtividade, sendo responsável por 21,4% do PIB do país, de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil . E tudo indica que esse crescimento vai continuar a todo vapor, com a adoção cada vez maior de tecnologias como internet das coisas e computação em nuvem nas atividades agropecuárias.

A importância da inovação no agronegócio

De acordo com o Radar AgTech 2019, o Brasil já possui mais de 1.100 startups voltadas para o agronegócio. O crescimento exponencial do número de agtechs acontece na esteira dos objetivos listados pela Agenda 2030 da ONU, que estabelece 17 metas para o desenvolvimento sustentável. Essas empresas são conhecidas por alinhar a tecnologia ao aumento da produtividade e à conservação do solo e da natureza, atendendo, assim, a uma demanda mundial.

Nesse cenário, surgem os chamados polos de inovação, que dão aos pequenos produtores e empreendedores a oportunidade de ter acesso às novidades da tecnologia e da transformação digital, ao conectá-los com startups e outros players do mercado.

Esses ecossistemas voltados para o agronegócio não param de crescer no Brasil, e florescem, normalmente, em lugares onde existem centros de excelência educacional e produção agrícola relevante. É o que diz o presidente do Comitê de Inovação da Associação Brasileira do Agronegócio, João Comério: “Não por acaso, o Vale do Piracicaba, em SP, tem sido chamado de ‘Vale do Silício brasileiro’. No fim do ano passado, o Ministério da Agricultura esteve em Londrina, PR, para lançar o Polo de Inovação Agro, em parceria com a Sociedade Rural do Paraná, bem como o Projeto Coalizão Soja 4.0, capitaneado pela Embrapa”, destacou ao Whow!.

Piracicaba, de fato, é hoje conhecida por ser o principal ecossistema de inovação no agronegócio do Brasil. É lá que está localizado um dos principais hubs mundiais nesse segmento, o AgTech Garage, que conecta grandes empresas, startups, produtores, investidores e pesquisadores para desenvolver soluções tecnológicas.

“A importância dos hubs é fundamental, especialmente em um setor que sustenta a economia do País e não para mesmo em momentos de crise. As grandes empresas, normalmente, não têm a inovação em seu core business, e os hubs fazem o papel de orquestrar esse ecossistema”, disse o CEO do AgTech Garage, José Tomé, ao Whow!.

Soluções para o setor

São muitas as soluções propostas pelas startups que atuam no agronegócio, como ferramentas de rastreabilidade da produção agrícola, fintechs especializadas em crédito para produtores rurais e foodtechs que desenvolvem proteína vegetal e de insetos.

A onda tecnológica no setor do agronegócio é impulsionada, principalmente, pela queda drástica nos custos de coleta, transmissão processamento de informação. João explica que o sucesso de cada tecnologia depende do setor específico em que é aplicada.

“É difícil falar quais são as propostas mais inovadoras, mas, de modo geral, no setor de commodities, como a soja e o milho, terão sucesso as inovações que reduzem custo e/ou aumentam produção. Já em mercados com maior diferenciação, como o de café ou carnes nobres, também devemos pensar em tecnologias que assegurem tanto a qualidade dos produtos como a sua rastreabilidade, como o blockchain”

 João Comério, presidente do Comitê de Inovação da Associação Brasileira do Agronegócio

Rede social da agricultura

A YouAgro, por sua vez, surgiu com o propósito de compartilhar informações. A rede social foi pensada para que os produtores rurais possam discutir as dores do agronegócio e dividir conhecimentos e dúvidas, construindo relações colaborativas de maneira digital. “Para ter conhecimento, você precisa se relacionar com pessoas que tenham esse conhecimento, então é preciso uma comunicação direta e organizada”, disse o cofundador da YouAgro Guilherme Ferraudo, ao Whow!. “Com a plataforma, nós pretendemos dar força e autonomia a cada um dos atores do agronegócio”

agricultura Foto ilustrativa (Pexels)

Desafios na Revolução 4.0 

A aliança entre startups e grandes empresas talvez seja o principal desafio para a Revolução 4.0 no agronegócio. Se, por um lado, ainda é difícil para as empresas iniciantes ter acesso às gigantes do mercado (para conseguir investimentos, ter acesso às suas bases de dados e vender soluções), por outro, as grandes organizações estão perdidas, tendo que lidar com centenas de novos empreendedores, com soluções em diferentes estágios de maturação.

João destaca que a precariedade da conectividade no campo dificulta a coleta, transmissão e o processamento de dados, o que acaba por atrasar ainda mais o desenvolvimento de soluções para o agronegócio. “Outro grande desafio é o da prototipagem. Esse é o passo fundamental para a vida de uma agtech, mas tão difícil quanto obter capital para investir no desenvolvimento, é competir pela atenção dos produtores, que não podem se distrair da produção para testar toda novidade que aparece”, diz.

Guilherme acredita que essa revolução no setor vai acontecer em fases, mas que no fim, o grande beneficiado será o consumidor.

“Acho que nos próximos cinco anos vamos consolidar essa transformação digital no Agro. Quando estiver consolidada a transformação digital, vai ser hora da engenharia genética e da biotecnologia, que vão trazer mudanças diferentes para a agricultura familiar e para a agricultura corporativa”

Guilherme Ferraudo, cofundador da YouAgro

“O que une elas todas é o consumidor, que vai pedir sempre por mais transparência nos métodos de produção e de comercialização”, conclui.


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