É preciso falar sobre maternidade no empreendedorismo - WHOW

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É preciso falar sobre maternidade no empreendedorismo

Dani Junco, fundadora da startup B2Mamy, revela por que o empreendedorismo materno é relevante, mas tem entraves na dinâmica atual do mercado

POR João Ortega | 03/09/2021 15h22

Promover o empreendedorismo é fundamental para fomentar a economia, seja por conta da criação de empregos ou pelo desenvolvimento de produtos e serviços necessários à população. No entanto, não se deve olhar para o movimento empreendedor de forma homogênea, pois há diversas particularidades que são entraves na hora de empreender. Uma delas é a maternidade.

Não significa, claro, que ser mãe é naturalmente ruim para empreender. Pelo contrário, é a própria dinâmica do mercado que cria barreiras para a maternidade. Para se ter uma ideia, metade das mulheres perdem seus empregos até dois anos após a licença-maternidade, segundo pesquisa da FGV. E, embora as discussões sobre diversidade de gênero tenham crescido nas empresas nos últimos anos, o fato é que a pandemia agravou ainda mais a realidade das mães que fazem negócios.  

Mais de 8 milhões de mulheres perderam o emprego em 2020, segundo dados do IBGE. Um relatório do Distrito mostra ainda que, dos US$3,5 bilhões de investimentos feitos em startups brasileiras em 2020, apenas 0,04% do total foram para startups de mulheres. E se muitas famílias das classes mais altas sofreram com o fechamento das escolas durante a pandemia, isso já é uma realidade há muito tempo para as mulheres mais pobres, já que quase 70% das crianças de até 3 anos não têm acesso à creche, segundo a Abrinq. 

Neste contexto, a B2Mamy é, hoje, uma referência em apoio às mães que empreendem. A startup nasceu em 2016 com o propósito de tornar “mães e mulheres líderes e livres economicamente, visto que é um entrave tanto dentro das companhias, quanto para empreender e para buscar capital”, como explica Dani Junco, fundadora do negócio e mãe, em entrevista exclusiva. 

“O ecossistema de inovação veio para mudar o cenário, mas replica o mesmo modelo do mercado tradicional. De inovador não tem quase nada quando se olha para formação de time e governança”, analisa Dani Junco sobre o universo das startups. A B2Mamy busca reverter essa situação, com capacitação em diversos meios, espaços físicos de trabalho que são baby friendly e auxílio na hora de levantar investimento. Cerca de 30 mil mulheres já passaram pelos programas da startup e R$ 6 milhões foram movimentados na rede. Dali, surgiram negócios de impacto tanto para a sociedade como um todo, quanto para resolver problemas específicos da dinâmica da maternidade. 

Posicionar mães como protagonistas da própria carreira empreendedora traz desafios que vão além de desenvolver modelos de negócio ou obter recursos. Dani Junco conta que tem contato com diversas mulheres que criaram empresas incríveis, mas ainda assim não se veem como empreendedoras, pois há uma dinâmica de falta de representatividade feminina que é reforçada pelo questionamento da capacidade de gerar negócios. 

“A B2Mamy fatura tudo que fatura, cresce como está crescendo, e, mesmo assim, no nosso próprio ecossistema, o meu modelo de negócio é questionado, porque eu estou trabalhando com mulheres e mães. Imagina a mulher no interior do país que sustenta uma comunidade inteira ao redor do negócio dela. Ela não se percebe como uma empreendedora de sucesso. Por causa disso, estamos perdendo muitas mulheres incríveis, que poderiam estar gerando mais empregos e faturando milhões”, afirma a fundadora da startup. 

Dani Junco foi a convidada do episódio #15 do Whow! Vida Loka Podcast. A empreendedora aprofundou estes e outros assuntos sobre empreendedorismo feminino. Confira a conversa a seguir e entenda por que incentivar mães empreendedoras é positivo para a economia como um todo: