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Durante a pandemia, cibersegurança importa mais do que nunca

Ataques podem aumentar. Dois especialistas em cibersegurança dão três dicas práticas de como podemos nos manter seguros no ambiente digital

POR Adriana Fonseca | 31/03/2020 11h32 Durante a pandemia, cibersegurança importa mais do que nunca Foto ilustrativa (Pixabay)

A crescente dependência das sociedades em relação às ferramentas digitais traz consigo um tema ainda pouco abordado: o risco de ataques cibernéticos.

Em uma pandemia na escala que estamos vivendo, a dependência da comunicação digital se multiplica. A internet se tornou, para muitos, o meio de interação mais eficaz e o principal caminho para se exercer o trabalho. Com a recomendação global de isolamento social, o “home office” virou a regra e as interações hoje se dão bem mais por chamadas de vídeo, voz e posts de mídia social. A disseminação de informações oficiais também está nos meios digitais em grande proporção.

Nesse contexto sem precedentes, o Fórum Econômico Mundial faz um alerta: um ataque cibernético que priva organizações ou famílias do acesso a seus dispositivos, dados ou internet pode ser devastador e até mortal. “No pior dos casos, ataques cibernéticos de base ampla podem causar falhas de infraestrutura generalizadas que deixam comunidades ou cidades inteiras offline, obstruindo a assistência médica, fornecedores, sistemas e redes públicas”, descreve a instituição.

Ataques cibernéticos já estão acontecendo, relata Fórum Econômico Mundial

“É um momento muito complicado para todos os cidadãos. E, infelizmente, cibercriminosos se aproveitam de eventos globais extraordinários como esse para fazer com que seus planos sejam mais bem-sucedidos. Eles estão usando a consciência de massa do surto e um desejo popular por mais informações sobre o vírus para enganar os usuários para que eles forneçam informações pessoais e logins, ou para inadvertidamente instalar malware em seus dispositivos”, comentou Miguel Macedo, diretor de marketing e canal da Trend Micro.

O Fórum Econômico Mundial relata que, nos últimos dias, o site de estatísticas que traz informações sobre o coronavírus, worldometers.info, e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos foram alvo de ataques cibernéticos com a intenção de interromper as operações e o fluxo de informações.

cibersegurança Imagem ilustrativa (Pexels)

worldometers.info detectou ato malicioso

“Pedimos desculpas pelo desserviço temporário que você tem vivenciado. Por cerca de 20 minutos nosso site mostrou dados incorretos em função de um ato malicioso.”

A situação tende a ficar ainda grave à medida que a situação de crise se prolonga, porque as pessoas tendem a cometer erros que elas não cometeriam em outras ocasiões. Falando de ambientes online, cometer um erro em termos de qual link uma pessoa clica ou a quem confia seus dados pode custar muito caro.

“O estresse pode incitar os usuários a cometerem ações que seriam consideradas irracionais em outras circunstâncias”, afirma o Fórum, exemplificando. “Um recente ataque cibernético global visou pessoas que procuravam informações visuais da propagação do Covid-19. O malware foi ocultado em um mapa que exibia estatísticas do coronavírus carregadas de uma fonte online legítima. Foi pedido aos visitantes do site que baixassem e executassem um aplicativo malicioso que comprometia o computador e permitia que hackers acessassem senhas armazenadas.”

Algo deve ser feito, e dois especialistas dão os seus conselhos ― Algirde Pipikaite, líder de projetos de governança e política do Fórum Econômico Mundial, e Nicholas Davis, professor visitante em cibersegurança da University College London (UCL). São três ações práticas para se manter seguro no ambiente digital.

1. Intensifique seus “padrões de higiene” de cibersegurança

Além de lavar as mãos após cada contato físico e usar uma solução de limpeza à base de álcool no telefone, teclado, controles de jogos e controles remotos, reserve um tempo para revisar seus hábitos de “higiene digital”. Verifique se você possui uma senha longa e complexa do roteador para o seu Wi-Fi doméstico e se os firewalls do sistema estão ativos no seu roteador. Verifique se você não está reutilizando senhas na web (um gerenciador de senhas é um ótimo investimento) e use uma VPN (rede privada virtual) confiável para acesso à internet sempre que possível.

2. Seja extremamente vigilante na verificação

Tenha muito mais cuidado do que o habitual ao instalar softwares e fornecer qualquer informação pessoal. Não clique nos links do e-mail. Ao se inscrever em novos serviços, verifique a fonte de cada URL e verifique se os programas ou aplicativos instalados são as versões originais de uma fonte confiável. Os vírus digitais se espalham como os físicos e seus possíveis erros online podem muito bem contaminar outras pessoas da sua organização, um catálogo de endereços ou a comunidade em geral.

3. Siga as atualizações oficiais

Assim como você presta atenção a fontes confiáveis de dados sobre a disseminação e o impacto do Covid-19, atualize regularmente o software e os aplicativos do sistema para corrigir eventuais pontos fracos que possam ser explorados. Se, em algum momento, você achar que o conselho que lhe está sendo dado parece bizarro ― seja a ameaça do vírus offline ou digital ― pesquise na internet para ver se outras pessoas têm preocupações semelhantes e procure um site conhecido que possa ajudar a verificar a legitimidade da informação.

Startup de cibersegurança recebe aporte de US$ 58 milhões

A startup nova-iorquina de segurança virtual Axonius anunciou o recebimento de US$ 58 milhões em um financiamento de Série C. A rodada foi liderada pela Lightspeed Venture Partners, com participação dos investidores pré-existentes OpenView, Bessemer Venture Partners, YL Ventures, Vertex e WTI.

O Axonius, de acordo com informação oficial, oferece mais de 200 soluções de segurança e gerenciamento, sendo implantado em poucos minutos. A empresa, que possui um escritório de P&D em Tel Aviv, diz que mais do que duplicou sua contagem de clientes em 2019, levando a um crescimento recorde de receita de 910%.

“Apesar das ferramentas surpreendentes de alta tecnologia disponíveis para as equipes de TI e segurança hoje, as organizações ainda lutam para entender quais dispositivos e cargas de trabalho em nuvem possuem, o que está instalado neles, quem tem acesso e se cumprem a política geral de segurança”, disse o CEO Dean Sysman à Crunchbase News.


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