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Do mundo VUCA ao mundo BANI: por que mudar de um termo para outro?

O nosso mundo se transformou de forma tão rápida que o conceito VUCA começou a deixar de fornecer insights úteis

POR Carolina Cozer | 22/02/2021 17h00 Imagem: Freepik Imagem: Freepik

Nessas últimas quatro décadas vivemos em um mundo tomado por volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, que ficou conhecido como Mundo VUCA. Mas, nos últimos anos, a velocidade de mudança do mundo fez com que a humanidade evoluísse para o Mundo BANI ― um cenário frágil, ansioso, não-linear e incompreensível.

A sigla, que parece nova, foi cunhada em 2018, pouco antes da pandemia, mas tomou o mundo após as bruscas mudanças ocasionadas pelo isolamento social mandatório.

Quem explica essas questões ao portal Whow! é Renata Spallicci, palestrante e vice-presidente executiva da Apsen Farmacêutica. “Será que neste mundo, em seu estado atual, o VUCA ainda é suficiente para lhe dar sentido ou para descobrir possíveis cenários futuros? Ou, em outras palavras, o ambiente VUCA está evoluindo para um cenário diferente, que exige uma nova terminologia, uma nova linguagem para explicar o mundo mudado?”, questiona.

Para Renata, a verdade é que o nosso mundo se transformou tanto e de forma tão rápida que o conceito VUCA começou a deixar de fornecer insights úteis sobre uma questão básica: como podemos lidar razoavelmente com as circunstâncias atuais?

E as respostas para esses direcionamentos estariam no estudo aprofundado do comportamento atual, condensado na sigla BANI. “O que costumava ser volátil deixou de ser confiável. As pessoas não se sentem mais inseguras e estão ansiosas. As coisas não são mais complexas; em vez  disso, obedecem a sistemas não-lineares. O que costumava ser ambíguo parece agora incompreensível”, explica.

Dissecando o mundo BANI

“No mundo VUCA, a volatilidade fez com que nos tornassemos mais frágeis, pois nosso cérebro não conseguia acompanhar a quantidade de mudanças”, diz a especialista. “As incertezas se tornaram ansiedade. Eu, que sou da área da saúde, venho acompanhando com muita preocupação os avanços das patologias relacionadas à ansiedade.”

Ela explica ainda que a complexidade nos trouxe uma vida não-linear, e nos vimos sem referências de como fazer as projeções para nossos negócios e carreiras. “Assistimos a tudo o que aprendemos nas escolas de negócios ruir, e vimos gurus sem respostas para esse novo mundo”, descreve.

De fato, a quantidade de informações disponíveis é assustadora, e o que parecia mais simples há algum tempo, hoje, oferece milhares de possibilidades. “Basta analisar a jornada de um cliente no passado: as marcas bem-sucedidas divulgavam seus produtos em veículos de massa, pois impactavam muitas pessoas, e um elevado percentual seria seduzido pelos apelos de marketing e compraria o produto numa loja física”, pontua.

Desta forma, seguindo as orientações do mundo BANI, as marcas precisam escutar seus clientes para desenvolver produtos que atendam às novas necessidades, fazendo propaganda especialmente em veículos digitais para que a complexa jornada do cliente possa ser executada.

“Você luta todo o tempo pela atenção do seu cliente, já que ele é impactado também pelos concorrentes, enquanto toma a decisão de compra. Imaginem o quanto não-linear se torna essa jornada a cada dia. Que novas tecnologias e formas de conversar com ele são implementadas? Soma-se a isso o fato de, hoje, as pessoas terem voz e estarem cobrando as empresas por se alinharem a causas, como meio ambiente, diversidade e inclusão”, explica.

O mundo BANI, no fim das contas, seria um cenário que responde à transição da ambiguidade para a incompreensão. “Já era de se esperar que um mundo ambíguo, polarizado, sensibilizado pelas constantes mudanças e incertezas se tornaria incompreensível”, ressalta.

Futuro: Mundo JUCI?

Devido à volatilidade, está cada dia mais difícil fazer projeções de futuro, e Renata não arriscaria supor o que virá depois do mundo BANI, apesar de acreditar que tudo depende das atitudes coletivas daqui para frente.

Desta forma, a palestrante se permite sonhar com o que chamou de mundo JUCI: um mundo Justo, Unido, Consciente e Igualitário. “Muitas reflexões foram feitas nos momentos de medo, dificuldade, dor e ansiedade. Vimos a natureza se regenerar em poucos dias e, trancados em casa, tivemos tempo para fazer algo que deveria ser uma das grandes prioridades de nossas vidas ― pensar no futuro, pensar em como sermos melhores, em como ajudar o nosso país”, diz a vice-presidente executiva da Apsen Farmacêutica.

Através dessas reflexões, a especialista entende que as mudanças não fazem parte de um movimento político ou outro, e sim de seres humanos juntando forças para fazer e acontecer. “Meu coração vibra por isso”, desafaba.

Para 2021, ela sugere que todos fiquem de olho nas iniciativas digitais e em todo o tipo de projeto que fomente conversas: “A colaboração entre empresas, e especialmente entre empresas e startups, deve se intensificar bastante. Temos visto inúmeros casos de falta de segurança digital, um tema que todas as empresas precisam fortalecer, seja pela LGPD ou por estratégia de sobrevivência e credibilidade no mercado.”

Educação para negócios também é um nicho para ficar de olho, segundo a VP, tanto para consumir e capacitar colaboradores, quanto para investir. “Tudo o que aprendemos até hoje não nos prepara para gerir pessoas e negócios no mundo BANI, e muito menos no meu tão sonhado mundo JUCI”, finaliza.


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