Do discurso para a prática: os desafios e as novas formas de atuação das lideranças de inovação - WHOW
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Do discurso para a prática: os desafios e as novas formas de atuação das lideranças de inovação

Executivos de multinacionais e empresas brasileiras detalharam as principais dificuldades para uma empresa inovar no Brasil 

POR Eric Visintainer | 12/11/2020 20h47 Do discurso para a prática: os desafios e as novas formas de atuação das lideranças de inovação Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76)

Mesmo durante uma das piores crises sanitárias já enfrentadas pela humanidade, as corporações não pararam e precisaram acelerar processos e inovações para se manterem ativas e também relevantes para os seus clientes. 

No entanto, como fazer para manter os times engajados e ativos para desenvolverem mais inovação mesmo à distância e trabalhando no modelo home office?

Em um dos principais painéis do terceiro dia do Whow! Festival de Inovação 2020, Hamilton dos Santos, diretor-geral da ABERJE, Carolina Sevciuc, head de Transformação Digital da Nestlé Brasil, Danilo Rocha, vice-presidente de Recursos Humanos na Scania e Otávio Thomé, head de Inovação do GPA, discutiram este tema, bem como as dificuldades que enfrentam para inovar no Brasil e tendências para os respectivos setores.

A inovação funciona no home office?

A resposta dos participantes foi unânime ao dizerem que, sim, as áreas de inovação e as esteiras de novos produtos e serviços não pararam durante a pandemia.

Mas o vice-presidente de Recursos Humanos na Scania aponta que, na empresa, o modelo híbrido, com parte do tempo trabalhando de casa e parte presencialmente na companhia, se encaixa melhor com a cultura da organização no Brasil. “Temos pessoas indo ao menos uma vez por semana na empresa. No jeito Scania de ser, eu não consigo enxergar todo mundo em casa para o resto da nossa jornada. Perdemos muita coisa ao não estarmos juntos”, comentou.

inovação Imagem de Danilo Rocha, vice-presidente de Recursos Humanos na Scania

E na Nestlé, este cenário do trabalho híbrido também será uma realidade em breve, segundo Carolina. “Presencialmente já fluiu e no online fluiu muito mais intensamente. A intensidade do trabalho aumentou no primeiro momento, e tivemos mais reuniões e mais alinhamentos. E agora teremos uma volta híbrida”, conta a head de Transformação Digital da Nestlé Brasil. Ela também afirma que não vê uma receita única para toadas empresas atuarem com a inovação de forma remota, que depende de cada time. 

“Dentro da Nestlé fazemos sprints que eram presenciais e agora são online, e estamos em constante evolução para entender a melhor maneira”, comentou a executiva, que complementou ao dizer que a empresa busca entender os consumidores e as suas experiências, dentro e fora de casa, por isso a importância de uma vivência nos dois cenários.

inovação Imagem de Carolina Sevciuc, head de Transformação Digital da Nestlé Brasil

Já na visão de Otávio, a sua equipe no GPA funcionou melhor no modelo home office, o que proporcionou mais vazão aos projetos. “Por exemplo, colocamos as cotoveleiras nas geladeiras das lojas, para os clientes, e foi uma geração online. E de maneira presencial iríamos querer visitar as lojas presencialmente. Vimos no final que, só não queríamos que os clientes abrissem as geladeiras com as mãos”, descreveu.

Principais dificuldades para uma empresa inovar

A cultura da inovação também foi um tema no painel. E novamente houve uma unanimidade entre os participantes ao dizerem que a falta deste aspecto é o ponto-chave para que a inovação emperre em uma empresa.  

“A inovação não é sobre tecnologia, e sim sobre pessoas.”

Otávio Thomé, head de Inovação do GPA

inovação Imagem de Otávio Thomé, head de Inovação do GPA

“A única certeza na inovação que eu tenho é de que vou errar ao longo do caminho. Se a organização não estiver disposta a errar, desde que este erro não tenha um grande efeito econômico na companhia, é muito difícil de inovar. Talvez consiga sozinho, mas não será algo com capilaridade.” Otávio Thomé, head de Inovação do GPA

O visão de que o erro é parte inerente ao inovar também está na visão da Scania, como pontua Danilo. “Temos uma cultura de empoderamento e autonomia, e de que vamos errar. E que o presidente vai errar. Precisa ter esta transformação para aceitar coisas diferentes e ter mais diversidade de opinião”, disse. 

“Precisamos de menos “brainstorm” e mais “trystorm.” 

Danilo Rocha, vice-presidente de Recursos Humanos na Scania

Carolina também comentou da necessidade de solucionar um problema real do agora em parceria com com o olhar para tendências, e assim desenhar o próximo projeto de inovação. Do contrário, disse ela, a empresa andará em círculos. Mas a executiva também deixa um alerta: “Ficamos apaixonados pelo o que lançamos, mas é necessário dar espaço na esteira de inovação, para desta forma colher aprendizados e alavancar ainda mais as próximos versões.”

Tendências para o varejo alimentício e caminhões

De acordo com os gestores de GPA e Nestlé, algumas tendências para o varejo alimentício serão a exponencial demanda no e-commerce de alimentos e a omnicanalidade, bem como a hiperpersonalização na jornada dos clientes. Otávio ainda ressalta que a nova geração busca por uma entrega rápida, após a compra de um produto, e por isso adquiriram a startup de delivery James.

Na Scania, o segundo Danilo, o foco de longo prazo é na eletrificação dos veículos. Já no curto prazo, acontece a descarbonização, através do menor consumo de combustível nos caminhões desenvolvidos pela empresa, além da circulação de veículos a gás com biometano.


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