Diversidade é prioridade nas empresas e faz bem aos negócios - WHOW

Pessoas

Diversidade é prioridade nas empresas e faz bem aos negócios

Além do impacto positivo da inclusão no mercado de trabalho, a diversidade tem um potencial de gerar valor às empresas, apontam estudos

POR Marcelo Almeida | 11/11/2021 22h53

Um assunto cada vez mais importante e presente nos debates do mundo empresarial, a questão da diversidade também foi abordada no evento CONAREC 2021 durante o painel “Por que a diversidade faz bem para os negócios”.

O debate contou com a presença de Patricia Molino, sócia da KPMG; Carlos Eduardo Pignatari Filho, Diretor Corporativo de Crescimento Compartilhado da Ambev S/A; Adriana Quintas, líder de Cultura e Diversidade para a General Motors América do Sul; e Cid Torquato, presidente da ICOM Libras.

Mas afinal, além de ser bom para a sociedade e para as pessoas que são incluídas no mercado de trabalho, a diversidade traz resultados positivos do ponto de vista financeiro também?

Debate sobre diversidade

Durante a discussão, Cid Torquato citou quando ele esteve à frente da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (PCD) e percebeu, ao chegar lá, que apenas 5 pessoas das 70 que compunham o órgão tinham alguma deficiência.
Isso fez com que ele percebesse que o desafio começava por diversificar o próprio quadro do órgão, incluindo mais pessoas com deficiência, elevando esse número para perto de 40%.
Segundo ele, as pessoas com deficiência são párias em diversos sentidos. “Eles não são vistos nem como consumidores. E embora a gente tenha leis muito boas, muito pouco é cumprido em relação às pessoas com deficiência”, afirma. “Nós precisamos quebrar os preconceitos e ver essas pessoas como cidadãos e como consumidores.”
Ele ilustra tese dizendo que mesmo, na discussão sobre a diversidade, PCD não costumam ter muito protagonismo, recebendo muito menos atenção do que outros grupos.
Patrícia Molino afirma que, no caso da KPMG, tem havido um forte movimento em relação à questão racial. “A gente tem um projeto chamado Impulse, que trabalha com jovens negros e negras dando bolsas para estudo de inglês, uma das barreiras da inserção no mercado de trabalho, bolsas de jornada digital e mentoria”, afirma.
Segundo ela, o projeto tem levado a resultados positivos, inclusive levando alguns jovens para intercâmbios no exterior. A executiva também atua no Conselheiras 101, movimento que tem o apoio da KPMG e busca aumentar o número de mulheres negras em conselhos de administração de empresas e em posições de liderança em geral.
Pignatari Filho, que atua na Ambev, afirma que foram criados grupos dentro da empresa com o objetivo de possibilitar que todo mundo pudesse ser autêntico naquele ambiente, o que significa criar uma dinâmica em que os colaboradores não sofram preconceitos de gênero ou em relação à orientação sexual.
Segundo ele, foi importante encontrar parceiros estratégicos tanto com a ONU como com uma coalizão de empresas de direitos LGBTs em 2016. Para além das ações de inclusão e diversidade dentro da empresa,
Pignatari afirma que os grupos que existem na companhia (além do LGBT também existem outros focados em questão racial, gênero e deficiência) tentam pensar em ações positivas para impactar a sociedade como um todo, pensando em como proporcionar o empoderamento, por exemplo, da população negra e os moradores das periferias da cidade, em vez de pensar apenas na empresa como uma bolha de bons resultados.
Já Adriana Quintas, da GM, não se limita a objetivos pequenos. “Ações afirmativas são transitórias, a gente precisa delas até que não sejam mais necessárias. O papel da GM é muito maior do que vender carros e serviços, mas de movimentar a humanidade adiante. Então a gente enxerga um mundo com zero acidentes, zero congestionamentos e zero emissões, essa é nossa visão de mundo e a gente espera chegar lá”, afirma.
Para alcançar isso, ela tem uma meta tão grande quanto a multinacional em que trabalha. “Nosso objetivo é tornar a GM a empresa mais inclusiva do mundo. É um objetivo audacioso mas estamos todos engajados, desde a área de operação até a área de liderança”, afirma.

Pesquisas

Corroborando o que foi dito pelos palestrantes, a diversidade realmente é um fator positivo na lucratividade de uma empresa.
Estudo da McKinsey aponta que, dentre as empresas que eles analisaram e que foram divididas em 4 grupos de acordo com o seu nível de diversidade, o grupo com mais diversidade racial e étnica apontaram 35% mais probabilidade de ter faturamento acima da média nacional do seu respectivo setor em relação ao grupo de empresas com menos diversidade.
O mesmo aconteceu na questão de gênero, com o grupo das empresas com mais diversidade nesse setor com uma chance 15% maior de ter um faturamento acima da média nacional de seus setores em relação ao grupo com menos diversidade.
Combinando diversidade étnica e de gênero, o grupo com maior diversidade teve 25% mais chance de faturar acima da média nacional em seus setores do que o grupo com menos diversidade, o que não se alinha à expectativa intuitiva de que uma maior diversidade em ambas as áreas teriam uma probabilidade ainda maior de crescimento no faturamento, o que não é muito bem compreendido ainda.