Os dilemas de investir ou poupar no Brasil - WHOW
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Os dilemas de investir ou poupar no Brasil

Poupar ou investir nem sempre estiveram entre as prioridades dos brasileiros. Mas há alguns motivos para isso – e eles foram discutidos no Whow!

POR Ivan Ventura | 25/07/2019 14h15 Os dilemas de investir ou poupar no Brasil

Investir ou mesmo pensar poupar dinheiro nunca foi o forte do brasileiro. Mas novos ventos econômicos e iniciativas empresariais sugerem que estamos caminhando para uma ruptura de velhos costumes.

Esse foi o ponto de partida do painel “As diferentes formas de investir inovação na educação financeira”, no último dia de Whow! Festival de Inovação.

O mediador do encontro foi Marco Poli, CVO da ClosedGap, uma consultoria com foco em inovação corporativa e engajamento com startups. Ele abriu o painel destacando os desafios em poupar e investir no Brasil, principalmente diante do preocupante cenário de endividamento do consumidor brasileiro.

Joyce Carla, editora da Serasa Ensina (uma iniciativa da Serasa Experian), exibiu um número preocupante da inadimplência no Brasil. “Me assombra um número sobre o endividamento no Brasil e que beira os 50% da população. Ou seja, quase metade da população não consegue honrar os seus compromissos no fim do mês”, destacou.

QUASE 50% DOS BRASILEIROS TÊM ALGUMA DÍVIDA

APENAS 8% DA POPULAÇÃO CONSEGUE INVESTIR SEU DINHEIRO

investir2 Foto Douglas Luccena

Carol Sandler, diretora criativa e fundadora da Finanças Femininas, foi além e deu contornos ainda mais sombrios sobre investir e a gestão financeira familiar. “Hoje, apenas 8% da população é investidora e esse número inclui a caderneta de poupança. Dentro desse pequeno universo entre aqueles que investem ou poupam, apenas 25% são formados por mulheres. Invistam, mulheres!”, alertou.

“Dentro desse pequeno universo entre aqueles que investem ou poupam, apenas 25% são formados por mulheres”

Carol Sandler, diretora criativa e fundadora da Finanças Femininas

Em seguida, os painelistas discutiram as possíveis causas do baixo índice de poupadores e investidores e, ao mesmo tempo, a alta inadimplência. Um dos motivos é o próprio comportamento do consumidor brasileiro, normalmente mais imediatista e com foco na satisfação imediata. Poli acredita que esse hábito está relacionado ao nosso passado de hiperinflação e que assolou o País nas décadas de 1980 e início de 1990.

“No período de hiperinflação, tinha gente que dava férias ou folga para que os seus funcionários gastassem o dinheiro no mesmo dia. Isso evitou muitos desgastes entre funcionários e o patrão. Hoje, temos que ensinar a ideia do livre mercado para as pessoas. É o básico quando o assunto é economia”, disse.

Luiz Fernando Roxo, sócio fundador da Zeneconomics, inclui o desafio do próprio conhecimento do brasileiro sobre investir. Há a crença de que apostar no mercado financeiro é coisa de rico. “É possível fazer com pouco dinheiro, sim. Existem investimentos de todos os tamanhos e valores. É possível, por exemplo, aportar o seu dinheiro em ações pagando menos de R$ 10. Sempre dizemos: é só tirar o dinheiro usado para comprar a pinga”, disse.

Murilo Gomes, CEO da Leadr (rede social para investidores), explica que o uso de expressões e termos específicos do mercado financeiro também são outra barreira de entrada nesse mundo de investimentos. “Nosso setor é recheado de ‘tecniquês’ e isso é um desafio. Temos criado palavras mais simples, principalmente porque tentamos atrair pessoas na internet”.

“Nosso setor é recheado de ‘tecniquês’ e isso é um desafio”

Murilo Gomes, CEO da Leadr

Alan Leite, CEO da Startup Farm, concorda que o fator comportamental, educação e até na maneira de comunicação devem mudar no País. No entanto, o mais importante é entender o destino do investimento. A dica, segundo ele, é não cair no canto da sereia ao investir, que promete investimento baixo e retorno alto. “É preciso cuidado com novidades. Se o negócio é novo, é grande a chance de ter um barreira legal ou que algo dê errado”.

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