Você sabe a diferença entre as startups unicórnios, zebras, camelos e dragões? - WHOW

Eficiência

Você sabe a diferença entre as startups unicórnios, zebras, camelos e dragões?

Startups unicórnios, zebras, camelos e dragões: entenda aqui como funciona cada um desses tipos de modelos de negócio. Veja também alguns exemplos

POR Redação Whow! | 31/05/2021 16h04

Unicórnios, zebras, camelos e dragões: você sabia que existiam tantos modelos de startups assim? O universo das startups é repleto de inovações. A velocidade das evoluções é alta e novos termos surgem quase diariamente, à medida que as empresas apresentam novos produtos e modelos de negócios. Todas buscam crescer e se desenvolver no mercado, mas algumas buscam crescimento relâmpago, outras com uma maior segurança, focadas na visão a longo prazo. Entenda as diferenças. 

Conheça um pouco mais sobre cada modelos de startups

Segundo Bruna Lousada, pós-doutora em finanças para startups pela Columbia University, em Nova York, e autora do livro Finanças para Startups, “a distinção é a velocidade de crescimento e a sua inovação”.

 “É um negócio que está em um mesmo modelo econômico de geração de caixa e lucro. A estratégia de saídas, M&A , IPO, saídas clássicas só dão certo quando o negócio tem uma perspectiva boa de geração e caixa”, explica ao Whow! Em suma, o modelo unicórnio é o mais conhecido e corresponde às empresas avaliadas em mais de US$1 bilhão, antes de abrir seu capital em bolsas de valores. Já as modalidades Zebra, Camelo e Dragão são menos conhecidas.

Startups Unicórnios

unicornio 1024x333 1

Unicórnio foi um termo introduzido em 2013, por Aileen Lee, fundadora da Cowboy Ventures, empresa que apoia empreendedores que reinventam o trabalho e a vida pessoal por meio de softwares. A palavra unicórnio, usada para esse tipo de empresa, é fazendo alusão a algo muito difícil que ela conseguiu alcançar, que é semelhante a encontrar uma criatura mística: ser avaliada em 1 bilhão de dólares antes mesmo de abrir o seu capital na bolsa de valores.

Dessa forma, ao levarmos em consideração que a maioria dessas startups que viraram gigantes começaram com ideias consideradas absurdas e surreais, a analogia faz mais sentido ainda. De acordo com Aileen, os primeiros unicórnios nasceram nos anos 1990, com o Google. Muitos foram fundados a partir dos anos 2000, mas o Facebook se destacou como o único super-unicórnio da década. As duas empresas, porém, não fazem mais parte da classificação, uma vez que já fizeram suas IPOs.

Davi Miyake, diretor de Operações e Produtos da 99, que já foi um unicórnio, comenta: “A 99 nasceu como uma startup em 2012 e o aprendizado focado na eficiência e nos usuários nos permitiu ser hoje, mais do que um unicórnio, uma empresa brasileira de tecnologia que conecta passageiros e motoristas através de seu aplicativo, e que faz parte de um dos maiores players de mobilidade do mundo, a  companhia global Didi Chuxing”, diz ao Whow!

As características principais das empresas unicórnios são:  

  • Priorização de um alto grau de inovação, isto é,  com investimento em tecnologia e forte presença nas mídias sociais;
  • Compra de outras empresas;
  • Crescimento rápido e agressivo;
  • Foco no cliente, ou seja, demonstram forte preocupação com o cliente antes e depois da venda do serviço;
  • Apoio à diversidade: estão sempre diversificando e buscando colaboradores criativos, multidisciplinares e preservando sempre o multiculturalismo.

Principais unicórnios brasileiros

No mundo hoje, contabiliza-se hoje em torno de 449 unicórnios. Sendo que cerca de 50% são empresas nos Estados Unidos e 25% na China. No Brasil, o primeiro surgiu no ano de 2018. De lá para cá, já somamos quase 20 startups do tipo. No Brasil, os principais unicórnios são:

  •  99 Táxi: aplicativo para transporte de passageiros fundado em 2012. Virou unicórnio no ano de 2017;
  •  Ebanx: solução desenvolvida  para que empresas internacionais possam receber pagamentos feitos no Brasil. Foi fundada em 2012 e virou unicórnio 7 anos depois, em 2019.
  • Gympass: Plataforma de acesso a academias e estúdios para atividades físicas. Está hoje presente em mais de 14 países, tornou-se um grande unicórnio em 2019.
  • iFood: maior plataforma de delivery de refeições da América Latina. Virou unicórnio em 2018;
  • Loft: plataforma digital que usa a tecnologia, principalmente a inteligência artificial para simplificar a venda e compra de imóveis.Virou unicórnio com apenas dois anos de fundação, em 2020;
  • Loggi: plataforma de entregas via motoboy. Tornou-se unicórnio 5 anos depois de sua criação, em 2019.

Ainda podemos citar: Nubank,  Quinto Andar, WildLife, VTex, C6 Bank, Hotmart, Madeira Madeira, Creditas, Movile, dentre outras. 

Nem só de flores vivem os unicórnios

Embora famosos, nem só de milionários investimentos sobrevivem os unicórnios. Ano após ano, o número de startups cresce, no Brasil e no mundo. Somente aqui, segundo dados da Associação Brasileira de Startups, tem-se 13.000 mapeadas. Dessas, nem 20 se transformaram em unicórnios.  Assim, percebe-se que há um crescimento acelerado e a todo custo, porém, com uma duração bem limitada. 

Retornos mal-sucedidos aos investidores, necessidade de expansão muito agressiva e um desalinhamento entre investimento e recursos são os principais fatores que dificultam o sucesso dessas empresas. A resposta a esse movimento também vem em nome de animal.

Startups zebras

As empresas zebras nasceram como uma espécie de contraponto aos unicórnios. O nome vem da praticidade do animal: Zebra remete ao preto no branco. Ou seja, este tipo de startup busca a objetividade, promovendo lucro e melhorando a sociedade, sem precisar sacrificar um pelo outro. Outra explicação para a alcunha é a forma como se organizam: as zebras vivem em grupos, se protegem e preservam umas às outras. Deste modo, nestas startups, a contribuição de cada uma resulta em uma produção coletiva mais forte

Os defensores deste tipo de modalidade argumentam que a atual estrutura de tecnologia e capital de risco está quebrada.  Em outras palavras, nesse modelo é dada prioridade à quantidade em detrimento da qualidade, consumo sobre criação, saídas rápidas sobre crescimento sustentável e lucro dos acionistas sobre prosperidade compartilhada.

Além disso, os críticos do modelo de unicórnios afirmam que a busca de retorno financeiro pelos acionistas em larga escala coloca a sociedade civil em risco. Ou seja: também ameaça a democracia. Como por exemplo, facebook, que acabou sendo um dos principais meios de disseminação de notícias falsas. Em síntese, são empresas com foco no crescimento sustentável de um negócio real. Elas buscam o desenvolvimento, porém, não fazem isso a qualquer custo.

Zebras pelo mundo

O movimento das startups zebra chama-se Zebra Unite e foi criado nos Estados Unidos por Mara Zapeda, CEO da Switchboard. Nesse sentido, a comunidade já conta com apoiadores em outros países, dos setores de tecnologia, comunicação e moda, na Austrália, Alemanha e México. 

Hoje, o Zebra Unite possui um grupo on-line de apoiadores, que reúne 40 filiais e 1.200 membros no mundo todo. Nos Estados Unidos, algumas startups zebras já estão se destacando, provando que é possível crescer e ter lucro de forma gradual.  Uma delas chama-se Zepeda Switchboard e trata-se de uma plataforma, que ajuda ex-alunos e estudantes a se conectarem para compartilhar oportunidades de carreira.

Outro exemplo é a Hearken, que surgiu com a proposta de inovar em um mercado pouco tradicional no mundo das startups: o do jornalismo. A ferramenta ajuda redações e criadores de conteúdo de todos os tipos, treinando profissionais e criando ações de engajamento do público.

Se não é fácil para os unicórnios, imagine para as zebras…

As startups zebras são promissoras, porém, também enfrentam o caminho das pedras. Segundo os defensores do movimento, esse tipo de empresa não conta com um ambiente favorável ao desenvolvimento na sociedade. Nesse sentido, encontrar investidores é um dos principais desafios. A fundadora do movimento Zebra Unite afirma que 81% dos fundos de investimento das startups zebra vêm do patrimônio líquido pessoal, bens familiares e networking. Em torno de  84% desses empreendedores ficam sem acesso ao capital de risco e empréstimos bancários.

Outro desafio é relacionado à visibilidade. As zebras existem e são rentáveis. A Indie Ventures, uma das poucas empresas de investimentos em negócios reais, realizou um levantamento e concluiu que, em média, as empresas que contaram com seus aportes aumentaram a receita 100% no primeiro ano e cerca 300%, com dois anos. Porém, essa visibilidade ainda é tímida. Dessa forma, acabam não sendo exemplos chamativos, a ponto de serem negócios mais desejados, como os unicórnios.

Mas, além das zebras, um outro tipo de startup vêm ganhando espaço, principalmente agora na pandemia, pelo desenvolvimento mais lento: são as startups camelo.

Startups camelos

Foto Shutterstock startups capa 1 1024x410 1

Foto: Shutterstock

Você faz ideia do que é uma startup camelo?

O termo startup camelo surgiu em um artigo do investidor Alex Lazarow para o Portal Entrepreneur. Na sua coluna, ele fala que “os camelos se adaptam a vários climas, sobrevivem sem comida ou água por meses e, quando chega a hora certa, podem correr rapidamente por períodos prolongados.” Ao contrário dos unicórnios, os camelos não são criaturas imaginárias que vivem em terras fictícias. Eles são reais, resilientes e podem sobreviver nos lugares mais difíceis da Terra. 

Embora a metáfora possa não ser tão chamativa, esses camelos iniciantes priorizam a sustentabilidade e, portanto, a sobrevivência, desde o início, equilibrando forte crescimento e fluxo de caixa. Em síntese, a nomenclatura é utilizada para designar empresas tecnológicas e inovadoras que crescem de forma sustentável, podendo sobreviver mesmo em situações desfavoráveis. 

Em 2020, esta nomenclatura começou a ganhar mais força. Afinal, os empreendimentos precisavam provar sua capacidade de superar desafios e se adaptar de forma rápida. Essas empresas possuem como focos principais a sustentabilidade e a sobrevivência. Os camelos, como sabemos, são animais de alta capacidade de adaptação, conseguem suportar climas e temperaturas adversas, e sobrevivem sem comida ou água por meses.

Características das startups camelo 

Diferentemente das startups unicórnio, que buscam um crescimento agressivo, as startups camelos procuram ter uma jornada constante, segura e sustentável. Como características desse tipo de empreendimento, podemos citar:

  • Estabilidade: essas empresas possuem a capacidade de se manterem seguras até mesmo em momentos de problemas no mercado, já que caminham com cautela, tomando poucos riscos;
  • Não financiam seus produtos: Muitos empreendedores subsidiam seus produtos, já que possuem bastante capital de reserva. Não é o caso das startups camelo, que cobram de cada cliente por seus produtos e entendem que o valor final representa algo valioso.
  • São cautelosos com investimentos de risco: As startups camelos geralmente investem apenas em casos de necessidade. Assim, os empreendedores conseguem um maior controle sobre o negócio, pensando sempre em estratégias seguras e sustentáveis para crescer de forma orgânica e saudável;
  • Boa gestão de custos: Esse tipo de empresa nunca vai gastar sem propósito consolidado. Antes das operações, são avaliadas curvas de crescimento, novas contratações, investimentos em marketing, dentre outros, para que as despesas sejam otimizadas de acordo com o planejado.
  • Visão de longo prazo: Obter sucesso nesse tipo de empreendimento muitas vezes pode demorar. Esse tipo de empresa utiliza esse tempo para desenvolver algo sólido, criar um produto ou serviço interessante e inovador e estruturar tudo de forma a manter-se forte no longo prazo.

Nesse contexto, em momentos de crise econômica, as startups camelo podem se destacar por se manterem mais sólidas durante a instabilidade. Por exemplo, na crise atual, muitas companhias unicórnios pararam de receber investimentos. As startups que utilizaram seu capital para crescer nos últimos anos, agora estão sem caixa para realizar planos de sobrevivência

Logo, diante desses cenários imprevisíveis, é provável que investidores escolham startups camelos, deixando as unicórnios em segundo plano.

As startups camelo serão a nova tendência do mercado?

O modelo das startups unicórnios não funcionou para todos. Prova disso, foi o fracasso do IPO da Uber e as demissões do WeWork. Segundo Renato Mendes, mentor da Endeavor Brasil, principal organização  sem fins lucrativos de apoio ao empreendedorismo no mundo, os camelos são uma espécie de resposta aos unicórnios, bem como são mais difíceis de encontrar. 

Atualmente, segundo ele, a moda ainda é ser unicornio. Ou seja, os modelos de negócio mais resilientes, lucrativos e conservadores ainda são mais raros.

Startups dragões

Se você achou o modelo de negócio das startups unicórnios agressivo, é porque ainda não conhece as startups dragão. Elas podem arrecadar mais de US$1 bilhão em uma única rodada de financiamento. Nesse sentido, startups do tipo dragão são ainda mais raras e ferozes que os unicórnios. Isso faz com que elas despertam muito interesse de companhias que procuram empresas 

A Fitbit, marca de pulseiras inteligentes, tornou- se uma startup dragão da empresa de capital de risco Foundry Group, com US $732 milhões rendidos com a oferta de ações. O investimento inicial foi de US $240 milhões. Assim, muitos empreendedores e investidores defendem a ideia de que startups unicórnio são cases de “vitrine”, que chamam a atenção pelo crescimento rápido e os vários bilhões de faturamento e avaliação, mas que são os dragões que realmente valem o investimento.

Portanto, gostou do conteúdo? Então assine agora a nossa newsletter gratuitamente , para receber mais artigos sobre empreendedorismo, inovação, mercado e tecnologia!