Dicas para uma liderança mais sábia e com ideias inovadoras - WHOW

Pessoas

Dicas para uma liderança mais sábia e com ideias inovadoras

Em evento interno da Unilever, ao qual o Whow! teve acesso, Bernice King e Luiza Helena Trajano falam sobre as suas formas de liderar

POR Adriana Fonseca | 23/11/2020 17h44 Imagem Kelly Sikkema: Unsplash Imagem Kelly Sikkema: Unsplash

Aos cinco anos de idade, a reverenda Bernice King perdeu seu pai, o pastor e ativista político americano Martin Luther King, que se tornou a figura mais proeminente e líder do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos de 1955 até seu assassinato em 1968. Inspirada por ele, Bernice se tornou embaixadora e uma das principais vozes negras da atualidade. Hoje, um dos seus focos de trabalho está em inspirar as pessoas em uma melhor liderança e a tomarem decisões mais sábias.

Ela palestrou, recentemente, em um evento para o público interno da Unilever no Brasil ao qual o Whow! teve acesso. Confira trechos da conversa que também teve a presença de Luiza Helena Trajano, fundadora do Magazine Luiza.

Como levar ideias inovadoras adiante

Em sua época, Martin Luther King não era tão popular como é hoje. Quando se tem uma visão mais radical, qual é a melhor forma de se posicionar pelo que você acredita e levar adiante pensamentos novos que quebram paradigmas?

Essa foi uma das perguntas feitas a Bernice. 

Ela diz que muitas pessoas que estão em papeis de liderança e poder têm a pressão para serem populares e aceitáveis. “Requer muita força manter uma convicção”, diz. “Meu pai foi desafiado, porque ele falava contra a guerra do Vietnã e, naquela época, 1967, isso era extremamente controverso.” 

Bernice conta que, certa vez, um repórter perguntou a King se não temia pela organização que liderava, uma conferência cristã, que talvez esse posicionamento não fosse o melhor. E perguntou sobre estar preocupado com as pessoas que trabalhavam com ele. Então, depois de uma pausa, King respondeu: “Você não me conhece. Eu não sou um líder que deixa suas ações serem determinadas por popularidade ou pelo orçamento da minha organização. Em última análise, um líder não é alguém com um centro de consensos, mas um formador de consensos”, contou Bernice, complementando.

“Eu acho que quando você recebe um chamado para a liderança, você precisa entender que você tem uma responsabilidade de confrontar o perturbador e de perturbar o confortável.” 

Bernice King, ativista e reverenda norte-americana

liderança Bernice King aponta que empreendedores são conduzidos por fazer dinheiro, mas nos negócios, eles podem se direcionar também para fazer a diferença na vida de outras pessoas. Imagem Jehyun Sung: Unsplash

Luiza também está acostumada a quebrar padrões, levar ideias à frente do seu tempo e encarar as resistências. 

“Eu sou movida a propósito, é minha espinha dorsal, desde menina”, comenta. Ela conta que desde pequena se questionava por que a empresa não pode ser grande e ter as pessoas felizes, ao mesmo tempo. “Eu não abro mão do meu propósito. Vim de uma família que acredita na diversidade, que acredita que o dinheiro é um meio e não o fim, que você tem que deixar alguma coisa.” 

Ela conta que às vezes, sim, tem medo. “Mas tem que enfrentar o medo”, diz. “Eu não tenho o compromisso de ser perfeita ou de ser unanimidade. Eu tenho o compromisso de ser verdadeira com os meus princípios e de compartilhar o que acredito.” 

 Como causar mudanças no ambiente de negócios

Uma citação famosa de King foi mencionada no evento: “A questão mais urgente e persistente da vida é o que você está fazendo pelas outras pessoas”. Tomando isso por base, uma pergunta foi direcionada a Bernice foi: “Se você é uma ativista, é isso o que você faz o tempo todo. Mas quando você é uma pessoa de negócios, na maior parte das vezes isso está fora do foco. Que conselho você daria para pessoas de negócio nesse sentido, para conectar seu papel profissional à responsabilidade cívica e social?”. 

Bernice começa a resposta dizendo acreditar que tudo começa no pensamento. “É importante que os líderes de negócios e que pessoas em outros campos do empreendedorismo adotem um mindset sub centrado. Meu pai geralmente dizia que a preservação do outro é a primeira lei da natureza, e não a autopreservação, porque quando nós preservamos os outros nós preservamos a nós mesmos. Então, é importante começar com esse nível de pensamento.”

Segundo ela, é possível fazer isso quando se olha para fora de si mesmo. “Pode começar pensando em algo que cause uma mudança no ambiente de negócios que você está ou na comunidade da qual você faz parte. Empreendedores obviamente são conduzidos por um senso de fazer dinheiro, mas nos negócios pense em direção aos outros, em como você pode fazer a diferença na vida de outras pessoas. Dessa forma, a sua vida se tornará ao pensar em como gerar impacto e lucro.”


+LIDERANÇA

Novos modelos de liderança: como eles ajudam na inovação e os seus efeitos nos negócios
Confira dicas de especialista sobre mindset e liderança ágil
Driblando a crise: empresas inovam e investem em novos mercados
Startup abraça causas sociais e envolvimento com comunidades