As dicas de investidores-anjo da ACE, Domo e Astella no ecossistema de inovação - WHOW

Eficiência

As dicas de investidores-anjo da ACE, Domo e Astella no ecossistema de inovação

Fundos de investimento-anjo contam a potencialidade e as dificuldades dos aportes de cheque menor para o ecossistema de inovação

POR Raphael Coraccini | 12/12/2019 13h05 Foto Luke Stackpoole (Unsplash) Foto Luke Stackpoole (Unsplash)

Os investimentos-anjo estão na base do desenvolvimento das ideias mais promissoras porque são capazes de dar o pontapé inicial a startups sem capital. Algumas empresas inovadoras conquistam a atenção de grandes fundos logo de início, mas a grande maioria delas voltadas à inovação, que compõem, de fato, o ecossistema, carecem da atenção dos investidores com cheque menor para fazer o negócio acontecer.

É nesse tipo de startups que a Domo Invest foca seus investimentos, apesar de ser conhecida pelos sucesso do investimento que fez no Buscapé. Rodrigo Borges, sócio da Domo Invest, conta que, quando estava tendo liquidez na plataforma de busca por produtos e pesquisa de preços, começou a ser procurado por amigos empreendedores.

“Eles nos viam como smart money. E quando você começa com investimento-anjo, você liga na primeira semana feliz, querendo saber da operação. Na terceira semana, já tem um monte de coisa para resolver. Depois de 6 meses, você recebe a ligação de uma grande rodada de investimento. Ou que a startup quebrou”

Rodrigo Borges, sócio da Domo Invest

Para o investidor, ser anjo requer reconhecimento das competências não só do empreendedor, mas do time, além de metodologia de distribuição do dinheiro em diferentes iniciativas. “Precisa investir em várias iniciativas, investir um pouco em cada e não focar em uma só. A chance de acerto é maior”, explicou durante o evento O2O.

investidores Foto (Shutterstock)

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Mas a importância de uma metodologia bem construída não se limita só à distribuição do capital, ela também depende do relacionamento com o empreendedor. “É preciso se encontrar com o empreendedor, conversar com ele e entender o negócio. Aprender como a startup opera”, aconselha.

Ao longo da vida, a ACE, que é uma aceleradora e fundo de investimento, contabiliza 25 mil projetos. Arthur Garutti, sócio da empresa, afirma que, o aumento dos investimentos no setor de inovação está acompanhado o aumento da cobrança e que o empreendedor deve estar preparado para oferecer retorno não só a longo prazo.

“À medida que o empreendedor pega investimento, o investidor profissional vai buscar retorno, então ele espera valuation futuro para botar na compra”

Arthur Garutti, sócio da ACE

Mercado nacional

Para Edson Rigonatti, sócio e fundador da Astella Investimento, conta que o fundo aposta somente em startups brasileiras, mas em empreendedores com sonhos mais abrangentes. É o caso da GymPass, startup nacional que ganhou o mundo. Edson aponta que o mercado brasileiro é um ótimo primeiro passo para uma startup mundial. “É um mercado que é um dos cinco maiores mercados digitais do mundo”, lembra.

Ele ainda destaca que, o que faltava para o mercado brasileiro de inovação ganhar destaque era capital. “Não falta mais. Todos os fundos de early stage estão captados, além de grande fundos de capitais descendo do mundo desenvolvido em nossa direção. Temos, enfim, a combinação de talento, oportunidade e dinheiro”, avalia.

Desafios

Porém, Edson afirma que ainda existe uma falta de maturidade em investidores, principalmente, nessa etapa inicial, de baixo capital. “Às vezes, são mais investidores demônios do que anjos”, brinca o executivo.

Arthur aponta que os erros podem acontecer por inocência, mas que, mesmo assim, geram um impacto negativo que pode enterrar iniciativas promissoras. “Tem investidores anjos que até por inocência comprometem 40% do patrimônio líquido em cima de uma única startup e depois começam com um nível de cobrança que não é saudável”, explica.


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