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Desmistificando a inovação

Afinal, é obrigatório inovar nos negócios? Para especialista, é preciso desmistificar alguns conceitos que orbitam esse termo

POR Carolina Cozer | 27/10/2020 20h15

Não é surpresa para ninguém que a inovação traz vantagens competitivas para os negócios, e o crescimento econômico é impulsionado diretamente por melhorias tecnológicas.

Contudo, além de ser bastante complexo conceituar a inovação em si, a obrigatoriedade de inovar pode trazer dores de cabeça ao empreendedor iniciante.

Ivan Marques, co-fundador do venture builder SevenSete e embaixador de projetos de startups e inovação, conta ao Whow! que é preciso tirar um pouco a complexidade do que significa esse conceito, e desmistificar algumas abstrações que o orbitam.

Inovar: o que, e para quê?

Primeiro, Marques separa a inovação dentro de três aspectos: a criação de algo que ainda não existia, a adaptação de algo para um novo mercado ou um produto novo sendo criado pela junção de outros que já existiam. 

O primeiro desses conceitos é o mais nebuloso, segundo Marques, já que, para dizer que algo é totalmente inédito, é preciso se assegurar que aquilo não existe em nenhum outro lugar do mundo. “Ao criar inovações a partir de ferramentas já existentes, há grandes chances de que alguém já tenha tentado isso antes, então, para que seja inédito, é preciso que as ferramentas utilizadas também o sejam”, diz.

Assim, o verdadeiro caminho não seria somente pensar fora da caixa, mas também botar a mão na massa. “Inovação também é a adaptação dos negócios. Tem muitas empresas que funcionam de um jeito lá fora, e quando chegam no Brasil, funcionam de outro. Essas mudanças acontecem, e isso também é inovar”, explica.

Obrigatório ou opcional?

Outro ponto importante a ser desmistificado na criação de novos negócios, de acordo com Marques, é a ideia de que toda empresa precisa ser inovadora para ter valor de mercado.

Para o executivo, novos negócios podem surgir sem a obrigatoriedade de serem inovadores ― mas que, de fato, ele ajuda para que que as empresas estejam em constante movimento e adaptadas ao novo.

“Não significa que você não pode criar um novo negócio se ele não for inovador”, esclarece. “Pelo contrário; se ele não é inovador, significa que alguém já passou por aquilo, e você pode se basear nas experiências deles para saber qual é o seu caminho”, sugere.

A medida certa

Já está claro que inovar não significa somente criar o próximo “Netflix”, mas também evoluir modelos que já existiam dentro das mudanças tecnológicas, geográficas ou geracionais.

Mas como entender o quão inovador é aquilo que uma empresa está criando?

Marques destaca alguns pontos que podem ser observados pelos empreendedores dentro de seus projetos. Primeiro, é preciso checar quais oportunidades estão sendo geradas com esse novo negócio. “Se você está inovando de verdade, as consequências são inesperadas”, diz. “Ela traz a sensação de que você não sabe se vai dar certo ou não, porque é algo novo, é um terreno desconhecido”, afirma. “Logo, entende-se que a empresa que está confortável demais não está inovando”.

Além disso, Marques comenta, todas as métricas precisam determinar resultados de acordo com questionamentos. E a melhor pergunta, neste caso, não seria se as empresas estão inovando, e sim qual é o impacto daquele negócio. “Considerando que é impossível determinar se a sua ideia é nova no mundo, é mais importante pensar nas consequências dela. Então o ponto mais importante é a resposta dos clientes sobre o produto ou serviço”, pontua. “Se você estiver criando um produto ou solução nova, e o cliente estiver conseguindo usar ou consumir essa solução, isso é um ponto muito favorável.”

Por fim, o especialista chama a atenção para outros indicativos, como processos que antes não funcionavam e passam a funcionar, ou aumentos na produtividade, redução de tempo e de custo. “Todas essas métricas são interessantes para medir a inovação, pois mostram que você está se diferenciando do que era antes.”

“Ser inovador não é sobre o produto em si, mas sobre o que aconteceu com ele, como ele foi adaptado e como as pessoas o enxergam agora”

Ivan Marques, Co-fundador da SevenSete


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